Saber livre

Este blog é um espaço destinado ao debate de temas que promovam o bem, a beleza e a justiça. Valorizo o fluxo de informação livre e independente, com respeito e inteligência. Traga o seu tema, e contribua para a formação de um espírito criativo.

9/5/09

A bientôt

 

                                                

Well, chega uma hora em que tudo precisa mudar, e num mundo onde twitter, facebook e orkut assumem status de amigo íntimo, até este blog resolveu descansar e andar por outras mídias. Quando menos esperar ele reaparece, com novas bagagens, novas narrativas, mas sempre, sempre o espírito do Saber Livre. Mandem notícias, bjs, André Dametto

criado por andre.dametto    19:49 — Arquivado em: Sem categoria

13/3/09

Em reformas

                                    

                                 Desculpem o transtorno

criado por andre.dametto    15:46 — Arquivado em: Sem categoria

2/3/09

Blogs: um limite muito tênue entre a expressão e a privacidade

 

“À medida que você conhece pessoas, elas vão dizendo, através do seu comportamento, quem você é.” 

Neville Goddard

                              

 

 

Todo mundo que já escreveu um diário, um blog ou trocou correspondências com alguém querido sabe o quanto é terapêutico o ato de escrever o que der na telha em um papel ou tela em branco. Diferente da maioria das pessoas, estes espaços “escutam” sua opinião sem interrompe-la pela metade com um comentário evasivo, competitivo ou simplesmente desinteressado. No mundo do Google, do Orkut, a moeda de troca da sociedade é o tempo, e tenho sentido que as pessoas estão usando o tempo no relacionamento de forma cada vez mais mercantilista. O raciocínio inconsciente (I do hope so…) é: o quanto eu posso extrair ao máximo desta pessoa no tempo que eu dedicar a ela? Alguma semelhança com o Google ou com as caravelas portuguesas? Toda!

 

Ok, comecei o post pesado, mas não escrevo esse blog pra criar fås nem pra brincar de ser feliz. Pra isso ta cheio de pretensas amizades, revistas e blogs fofulete no mercado. Como falei acima, o objetivo é meramente catártico, e trago qualquer tema que me dê vontade, e se trago para o espaço público é porque acredito (ainda) que haja Vida inteligente na grande rede, e que sistemas que trocam crescem mais facilmente. Nesta semana pensei em trazer um post contrapondo uma série de frases senso comum que aprendemos quando criança. Nesta linha, questionaria as perdas e ganhos de lemas como: Não fale com Estranhos! Não brinque com o fogo! Deus ajuda quem se cedo madruga. Mas incitar mensagens como Fale com estranhos e Brinque com o fogo acabou me parecendo poético demais e pouco prático nos dias de hoje, onde as notícias nos jornais pedem que sejamos cautelosos, sim!

 

Tenho hábito de levar os textos deste blog pra terapia, e talvez por isso ultimamente tenha dado um dado um tom cada vez mais confessional e privativo nos meus textos. Sim, quis me afirmar, assim como você e qualquer pessoa sã que se expresse na face da Terra. O ponto é, se afirmar por quê e para quem, cara pálida? Minha terapeuta e amigos me pontuaram o quanto abrir a privacidade na grande rede pode ser nocivo, já que podemos atrair todo tipo de leitor, e gerar também todo tipo de sentimento no mesmo.  Dizer que não estou nem aí para o que os outros pensam é mentira, quem escreve algo, seja um livro, artigo científico, blog ou mesmo um comentário de post está pensando sim no que o outro vai pensar, que imagem vai transmitir, mas quando isso vira uma neurose é que precisa ser questionado.

 

Diferente de mídias impressas, as mídias digitais permitem uma interatividade que chega a beirar a permissividade. E neste sentido, vale a reflexão sobre o quanto misturar a riqueza que é a sua privacidade com a loucura que é o mundo da virtualidade pode lhe ajudar ou atrapalhar.  E convido todo leitor deste post a pensar nisso, seja ele escritor de blogs ou não. Muitas vezes escancaramos nossa privacidade em pretensos ouvidos caridosos. Nocivo também, não? Talvez façamos isso em busca de uma crítica construtiva, mas a Vida me faz perceber que devemos escutar CADA VEZ MENOS os outros, sejam as criticas e até mesmo os elogios. Geralmente as críticas vem contaminadas de sentimentos dos outros. A melhor critica é a sua própria, pois o que importa é o que você sente. Os outros são os outros, já diria o poeta.

 

Deixo você agora com a pessoa mais importante na sua Vida, que é Você mesmo. Só não vai usar o outro, que pega mal pra caramba. Abs e uma ótima semana,

 

André Dametto

 

Ps. A frase do Neville que serve como epígrafe neste post tem mil e uma interpretações. Qual é a sua?

criado por andre.dametto    10:07 — Arquivado em: Sem categoria

24/2/09

Coragem e mudanças. E o Carnaval?

                            

Carnaval no Rio de Janeiro, impossível você não se render, afinal de todos os cantos surgem convites, bandas com nomes engraçados, as festas eletronicas mais bafonicas do ano, um sol convidativo, mas o mais contundente: aquela sensação hedonista de que “tenho que curtir super este carnaval”…

 

Nessa linha carpe diem, comecei na quinta à noite mesmo, encontrei uma amiga que amo de paixao, 2 meses sem conversar fizeram as nossas 4 horas juntos passar rapido e gostoso igual suco de groselha. Sexta-feira dei um trato na Vida: paguei contas, trabalhei um pouco, malhei, fui à praia, terapia, curso de fotografia e depois: fervo. Estou conhecendo um rapaz bem bacana, muito inteligente, espiritualizado e divertido. Creio que minha abstinencia de amizades esteja chegando ao fim, tks! Fomos juntos tomar caipirinha e papear num lugar bem interessante do centro do Rio, chamado Bar das Quengas. A caipirinha uma das melhores que ja tomei, o caldinho de feijao bem quentinho e encorpado (estou viciado), mas o interessante foi estar naquele ambiente democratico e sem poses. Muitas transex, gays da terceira idade (que para mim sempre foram uma incognita), e um clima tranquilo de estar ali para se divertir, e curtir a Vida mesmo que so houvesse vinte reais na carteira.  

 

Dali partimos para a Gafieira Elite, um lugar trash onde bandinhas de carnaval lembravam que se estava no Brasil, e nao num clube de sexo alemão. Preferi ficar do lado de fora vendo a banda passar, e eram muitos os blocos: mavambos, gringos, perdidos, filhos da Elza, e eu la, tentando ver onde eu me encaixava. Mas nao precisava, o legal deste lugar era justamente nao se categorizar, e curtir democraticamente o que pudesse acontecer. O sabado foi o dia mais interessante do Carnaval: praia, caipirinha, amigos, a sorte de marcar com pessoas na Banda de Ipanema e encontra-las, um veu de noiva como fantasia, paquerinhas e ate um casamento de mentirinha, afinal eh Carnaval. 

 

Domingo dia de acordar tarde, comer a farofa com aipo da mamae, dormir a tarde inteira e depois ir ver os carros das escolas de samba. Eu que sempre “torci” pela Mangueira e Flamengo, por osmose, escolhi neste ano uma escola pra chamar de minha: Beija-Flor. Linda, luxuosa, criativa e valorizando a comunidade. Tenho certeza de que vai incomodar, chegando entre as 5 primeiras. Depois, em Ipanema, fui verificar o basfond da Farme, que sem o teor etilico do dia anterior nao teve a mesma graca. Muito aperto, furtos de carteiras a todo instante, aquele clima de pegacao adolescente-carente que eu detesto e uma pergunta constante: o que eu estou fazendo aqui?

 

Talvez eu esteja ficando velho, chato e rabugento, mas está cada vez mais complicado gostar do mainstream, do que todo mundo diz que eh bacana, leve, gostoso. Creio que agora cheguei no título deste post: coragem e mudanças. Dói muito, mas tem uma hora na Vida que a gente precisa admitir o que gosta, o que não gosta, e tomar decisões, é isso que diferencia as pessoas de fibra da grande massa. Um grande medo que eu tenho é de ser uma pessoa comum, trivial. Talvez esta seja a maior sabedoria, aceitar-se comum, mas confesso que não gosto desta ideia. Acho o ser humano médio bobo, infantil e iludido. A maioria brincando de ser feliz… Sei lá, seriam eles os grandes sábios? 

 

Mas essa não foi a primeira nem a última postura que eu precisei tomar na Vida, e o bom dela é essa heurística de experimentarmos, avançarmos, recuarmos, e irmos moldando nosso self como uma grande alegoria. Talvez o Carnaval seja a metáfora da experimentação do novo totem, rompendo com os tabus que a sociedade (na sua maioria gente média) diz que eh certo ou errado. Enquanto muitos aproveitam este período para aceitar e expor o que guardam no seu íntimo, eu que faço isso 360 dias por ano escolhi estes cinco dias de folia para ancorar-me de coragem para mudanças no ano que agora sim se inicia. Tomar coragem pra abandonar o velho dói, mas carregar uma fantasia pra sempre é o que eu não quero.

 

Bjs pelados na avenida,


André Dametto

criado por andre.dametto    13:08 — Arquivado em: Sem categoria

10/2/09

O primeiro a gente nunca esquece

                         

O primeiro beijo, a primeira trepada, o primeiro terno Armani, o primeiro chifre, whatever: a gente nunca esquece. E quem se lembra quem foi o segundo homem a pisar na Lua? Sei lá. Mas o primeiro aposto q vc lembra. Nesta linha lembranças, este findi foi i-nes-que-cí-vel: meu primeiro cruzeiro. E gay! Bora combinar que dar pinta em alto mar tinha tudo pra ser lu-xo. A cena que eu imaginava era de um glamour queer, com drag queens enlouquecidas, o verbo pegar conjugado em todos os tempos, tudo isso somado a um medinho em razão da profusão de pessoas passando mal nos últimos cruzeiros. Pois bem, vamos aos fatos.

 

Primeiro, o embarque em Santos: rola check in, despacho de malas, e na fila aquela azaração discreta, todos se olhando por trás dos óculos escuros mais modernos q vc ja viu, e de repente, pumba: você está na sua cabine e sua malinha lá linda lhe esperando. Cheguei sem saber quem seria meu companheiro de quarto, só rezei para que não roncasse e não fosse bagunceiro. Preces atendidas, fui conferir o navio: muitos andares, pessoas circulantes pelas escadas, logo encontro colegas, conheço outros, e uma caipirinha ajuda a dar o allure necessário para o 1o dia do cruzeiro. De repente, logo me encontro enamorado e nos braços da paquera do dia.

 

Muita música eletrônica, pessoas muito bem vestidas, e apesar do uso difundido de entorpecentes, uma vibe tranquila, a ponto de a propria tripulacao do navio declarar esta ter sido a festa mais organizada, com o publico mais educado, divertido e cheiroso de toda a historia do navio. Gente, palmas para o público GLS: nada de sujeira no chão, pessoas educadas na fila dos restaurantes, cordialidade com os funcionarios, enfim, algo me diz que o maior acesso à educacao e recursos financeiros tornou a comunidade um exemplo para a sociedade. Pra quem achou que o navio viraria uma Sodoma e Gomorra, surpresa: o clima era muito mais de matinê adolescente, paquerinhas, muitos casais, muitos deles de ursos e lésbicas mais velhas. Na linha vamos aloprar, no maximo beijos triplos, um topless ali, um fio dental masculino acolá, algumas cross dressers, mas nada de orgias expostas. As cabines existem para isso, ora bolas! 

 

Bem, a viagem foi muito interessante no sentido que me vi em uma bolha cor de rosa durante 72 horas, e felizmente (ou nao) consegui ter tempo para dar minha filosofada basica. Naquela linha autoconhecimento, gostei muito de:

 

1 - Ter um encontro com um ser humano especialíssimo, super parecido comigo (ok, ok, fui egocentrico), e coincidentemente homónimo, Andre Luiz

2 - Dancar, dancar e dancar: como era gostoso acordar, botar uma bermuda e ir dancar house na beira da piscina, ou subir pra ouvir flash back com as bolachas, achei elegante.

3 - Confirmar um certo lado conservador no sexo: nao gosto de sado, maso, tres, quatro, cinco… nada disso. Gosto de sexo pratico, dedicado, e de preferencia intenso e rapido. Detesto coisa muito demorada.

4 - Confirmar minha hipotese do vazio com equilibrio. Nao conseguiria ir alem das 72 horas programadas deste cruzeiro, confesso q em certos momentos a musica eletronica, o vazio dos papos e as paqueras adolescentes me irritava.

 

Mas com certeza ficou uma experiencia diferente, uma pessoa especialissima adicionada ao meu facebook, espero que tambem na Vida, um bronzeado ma-ra e uma vontade imensa de fincar minhas ancoras em algum lugar. Chega de viagens, vou tomar coragem e encarar essa cidade. Rio, ou vc me engole ou eu te como.

E caso vc nao tenha lembrado: foi Neil Armstrong o 1o homem a pisar na Lua. O segundo, Edwin “Buzz” Aldrin. Sera q vc vai guardar?

 

Abs ancorados no Rio,

 

André Dametto

criado por andre.dametto    22:59 — Arquivado em: Sem categoria

4/2/09

O menino que carregava água na peneira - Manoel de Barros

 

                             

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
.
menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
.
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos
criado por andre.dametto    15:52 — Arquivado em: Sem categoria

31/1/09

Quem fala o que quer…

                       

 

Janeiro, Rio de Janeiro um verão meia bomba do cacete, eu de férias, enfim: vamos curtir. Naquela linha projeto Carnaval, malhei, corri pencas, fiz massagens, tomei produtinhos, um afã. Amo arte, fui a todos os museus possiveis e imaginaveis desta cidade. Destaque para a exposicao do Vik Muniz no MAM, per-fei-ta. O que eh o dialogo todo x parte deste ser humano? Virei fã! Foi luxo a exposicao sobre a vida do Burle Marx no Paço Imperial tb, que pena q hoje as pessoas sao tao funcionais. Ja perceberam que hoje ou voce eh engenheiro, ou arquiteto, ou dentista, ou michê, ou sei lá o quê… Burle Marx foi pintor, arquiteto, engenheiro, paisagista e qualquer coisa mais q tenha passado na cabeça desta mente célebre. Me faz lembrar Da Vinci, meu ídolo eterno. Viva o generalismo!

 

Como só chove nesta cidade, e coloquei uma resolucao de ano novo nao usar mais chats, encontrei um substituto perfeito: o mundo dos blogs. Que ma-ra-vi-lha. Conheci blogs fantásticos, muita gente interessante (principalmente em Sampa), li jornais de lugares q nunca tinha imaginado, constatei que o Globo On Line virou um blog super do farofeiro, e o melhor: os seus comentários. Uma taça de vinho somada aos comentários das notícias mais bafônicas e você garante o momento gargalhada do dia. Como tem gente engraçada no Mundo, gente! Os comentarios estao muito melhores do que os posts dos estagiarios do Globo on Line.

 

Mas o bicho pega quando voce comeca a ler idiotice. Chamo de idiotice tudo aquilo dito sem fundamento, mas com ar de superioridade. De repente eu tambem sou idiota, mas ainda nao dei conta. Mas sei la, um mes sem estresse de trabalho me fez ver com mais facilidade a idiotice do mundo. E naquela linha, quem fala o quer… tambem ouve o que nao quer. Em alguns blogs encontrei muita pretensao, falacia, e quando me dava na telha, afrontava, colocando meu nome e sobrenome pra dar mais autoridade pra afronta. Até de Andre Da Medo fui chamado. 

 

Outra situacao: aqueles amiguinhos invejosos que comentei no post sobre o Rio de Janeiro. Resolvi tacar merda no ventilador e mandar o mais chatinho deles pra casa do Carvalho. Primeiro: só me chamava de Thannyah, o que ate parece engracado mas sinceramente, enche o saco. Se imagine sendo chamado por um codinome do sexo oposto até na frente de um pretê. Sim, a maldita fazia isso. Depois queria porque queria diminuir tudo q eu fazia. Pra terminar, se julgava na pretensao de determinar meus estados psicologicos. Ah quer saber: nao-fo-de! Sem paciencia pra gente chata, invejosa, sem assunto e que se acha. Ou seja, idiota: vaza!

 

No pior dos mundos, eu posso ser tudo isso que reclamei no post acima: funcional, idiota, invejoso, chato, whatever. Mas prefiro ser autêntico, e deixo com vcs uma licao que John Kennedy nos passou: o segredo do sucesso está em não agradar a todo mundo! E dane-se se vc não gostou do que eu escrevi.

 

Bj, André Dametto

criado por andre.dametto    20:51 — Arquivado em: Sem categoria

25/1/09

Medo de amar

                         

 

Quero

Imagino

Me aproximo

 

Deixo

Sinto

Desconfio

Racionalizo

 

Duvido

Comunico

Enlouqueço

 

Recomeço…

Medo de amar


André Dametto

criado por andre.dametto    10:58 — Arquivado em: Sem categoria

20/1/09

Obama, o líder que me inspira

                     

 

Ok, ok, sou brasileiro e deveria ter o maior orgulho de ter como meu presidente um nordestino, nascido pobre, de sobrenome Silva e passado de lutas e glórias. Palmas para o Lula, ninguem pode deixar de admitir que o cara eh um vitorioso, tem a sua inteligencia e chegou no posto maximo que um lider politico pode chegar, a presidencia de uma nacao. O fato eh que como todo sistema problematico, o Brasil precisa de solucoes em tres niveis: 1) apagar incendios 2) descobrir as causas dos incendios e ataca-las 3) alterar a estrutura para evitar o surgimento de novas causas, e assim, novos incendios.

 

A questao eh que nosso presidente Lula, que possui mais de 70% de satisfacao junto `a nacao brasileira, eh o mestre de apagar incendios, e de vez em quando, ate dizer que os mesmos nao existem, sao fumacinha…. Ai, é um pega pra capar: crises viram marolas, o problema da educacao eh “atacado” pelo bolsa-escola, piadinhas e improvisacoes sao ditos nas horas mais incabiveis… Uns o defendem, argumentando que ele atende a demanda politica que o Brasil tem de remover sintomas da extrema exclusao social, leia-se populismo. Eu ate concordo que a base de qualquer reestruturacao comeca por ai, mas dai a focar apenas nisso, nao pode…  

Para mim e muitos outros dos 30% de insatisfacao, ver a posse de Obama neste 20 de janeiro nos fez ter uma esperanca de novos tempos. Mais que presidente dos EUA, Obama eh a personificacao do seculo XXI, que so agora parece comecar. Em termos politicos me parece que desde 2000 estamos brincando de fazer politica, tantos Lulas, Bushs, Cesar Maias e outros politicos que tomavam as redeas dos governos. 

 

Agora com o inicio da geracao Obama, espero que todos aqueles que foram `as urnas para votar na esperanca tambem entendam que nao existem milagres. Como todo santo-padroeiro, sera esperada de Obama uma solucao imediatista para a economia, para a questao ambiental, para as mudancas comportamentais da sociedade. Mas ele nao eh e nem pode ser encarado como um salvador da humanidade, pois a mudanca deve comecar dentro de cada um de nos.

 

Na economia, verificar o quanto inflamos as bolhas e compactuamos com o capitalismo selvagem das organizacoes (Estas sim governam o planeta!). No meio ambiente, ter uma postura mais proativa de cuidar dos nossos recursos para as futuras geracoes. Pequenas dicas: separar o lixo reciclavel na sua casa, fechar a torneira enquanto escova os dentes, usar mais o transporte publico. Criativamente, poderiamos tambem pegar mais carona, diminuir a iluminacao na casa, tomar mais banhos a dois…

 

Definitivamente, nos tempos de hoje, Menos eh Mais, e como toda mudanca cultural exige uma cultura de Mudanca, eu escolho Obama para ser minha referencia de lideranca nesta transicao. E voce, que lider lhe inspira?

 

Abs com esperanca,

 

André Dametto

criado por andre.dametto    23:20 — Arquivado em: Sem categoria

15/1/09

Fatos ou fotos: o que você quer na sua Vida?

                

 

 

Ano Novo, Vida nova… ou não. Isso se depender de como você se colocar na Vida, independente do tempo ou local em questão. Voltar ao Rio de Janeiro eh quase sempre uma prova de paciência. Não sei se eh sorte, cabeça de colonizado ou mesmo um chamado de Deus, mas fora do Rio de Janeiro sempre tenho encontros fantásticos de alma: sejam as pessoas, os lugares, as comidas, as musicas, ou simplesmente o silencio de estar em algum lugar desconhecido.

 

Minha relação com o Rio de Janeiro transita entre o amor e o desespero. Amo o lado A do Rio, composto por sua beleza natural, facilidade de deslocamento e diversidade de atracoes, entretanto estou bem de saco cheio do lado B do carioca way of life: muita plasticidade, muito cenário, pouco compromisso, pouca alma, um individualismo mal trabalhado irritante, resumindo: um Projac só, muitas fotos e poucos fatos. Enquanto este padrão se restringia ao mau atendimento oferecido pelos estabelecimentos comerciais ou à galerinha senso comum que a gente encontra em qualquer lugar, tudo bem! Mas o foda eh ver que está havendo uma banalização generalizada na cidade, e de repente a gente percebe todo mundo meio desinteressante, incluindo ate as pessoas da sua convivencia.

 

Alguns exemplos: primeiro, o famoso carão, aquela cara de “ai que saco”. A gente ate entende o porque dele numa boate, afinal somos inseguros e precisamos nos sentir especiais, como se estivéssemos de saco cheio que todos nos desejam. Ilusão sua, bobinha! Ta todo mundo mais preocupado em fazer caron. Mas agora eh um tal de carão na academia de ginástica, no restaurante, na praia, no ônibus, no trabalho… Ai que saco!!! Segundo, o famoso descompromisso. Já perceberam como está todo mundo brincando de marcar alguma coisa nessa cidade? É festa, cinema, telefonema, praia, o melhor é quando a pessoa fala, mas esse é pra ir mesmo, ok! Eu logo pergunto dia, hora e local e encaro três longos segundos de silencio. Outra coisa, como as pessoas estão carentes: outro dia um brigou comigo porque eu não interferi na furacao de olho que a sua pegacao estava fazendo com ele. Quem sou eu pra saber o que eh aceitável para o outro? O melhor de tudo foi saber que depois se entenderam, so assim confirmei minha hipótese de que cada um eh dono de sua Vida, e ponto! Outra, como o carioca esta competitivo: eh um tal de querer diminuir o que o outro tem e maximizar o seu próprio. Tenho três colegas que insisto em encontrar, mas antes passo ate oleo anti zica, de tanto veneno que vem destilado, mas sempre em uma piadinha hilária. Pelo menos senso de humor o povo tem. Tem outra que quer por que quer que eu admita que eu estou triste. Ok, queridinha, pra vc eu estou triste sim. Como dá pra perceber, o Big Eye Brasil nao sai nunca do ar… Pra terminar, a falta de assunto: ninguém mais está discutindo sobre idéias, sobre conceitos. Tudo bem que ser fútil é útil, mas ser só fútil beira o desespero…

 

Acho que uma das causas de tudo isso que me irrita no Rio eh a TV Globo: todo mundo se acha meio artista da platinada nesta cidade. Parece que o Rio de Janeiro virou um grande Big Brother:  muita pose, câmeras instaladas onde vc menos esperar, e uma vontade de se destacar frente ao outro. Conteúdo, pra quê? Vamos trabalhar a imagem que eh isso que faz o publico votar pra ficar na casa. E assim vivemos aqui no Rio de Janeiro, com uma maravilha de cenário, mas apenas cenário.

 

Na busca do equilíbrio, eu nao faço por menos, tambem trabalho minha imagem, afinal em Roma faca como os romanos. Mas será que também vou precisar ficar evasivo, diminuir o outro, fazer carão a todo instante e viver falando abobrinha? O que fazer? Desistir, investir, ressignificar, isolar-me, banalizar também? Essa é a pergunta que nao quer calar.

 

Abs incomodados,

André Dametto

criado por andre.dametto    1:50 — Arquivado em: Sem categoria
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