
O primeiro beijo, a primeira trepada, o primeiro terno Armani, o primeiro chifre, whatever: a gente nunca esquece. E quem se lembra quem foi o segundo homem a pisar na Lua? Sei lá. Mas o primeiro aposto q vc lembra. Nesta linha lembranças, este findi foi i-nes-que-cí-vel: meu primeiro cruzeiro. E gay! Bora combinar que dar pinta em alto mar tinha tudo pra ser lu-xo. A cena que eu imaginava era de um glamour queer, com drag queens enlouquecidas, o verbo pegar conjugado em todos os tempos, tudo isso somado a um medinho em razão da profusão de pessoas passando mal nos últimos cruzeiros. Pois bem, vamos aos fatos.
Primeiro, o embarque em Santos: rola check in, despacho de malas, e na fila aquela azaração discreta, todos se olhando por trás dos óculos escuros mais modernos q vc ja viu, e de repente, pumba: você está na sua cabine e sua malinha lá linda lhe esperando. Cheguei sem saber quem seria meu companheiro de quarto, só rezei para que não roncasse e não fosse bagunceiro. Preces atendidas, fui conferir o navio: muitos andares, pessoas circulantes pelas escadas, logo encontro colegas, conheço outros, e uma caipirinha ajuda a dar o allure necessário para o 1o dia do cruzeiro. De repente, logo me encontro enamorado e nos braços da paquera do dia.
Muita música eletrônica, pessoas muito bem vestidas, e apesar do uso difundido de entorpecentes, uma vibe tranquila, a ponto de a propria tripulacao do navio declarar esta ter sido a festa mais organizada, com o publico mais educado, divertido e cheiroso de toda a historia do navio. Gente, palmas para o público GLS: nada de sujeira no chão, pessoas educadas na fila dos restaurantes, cordialidade com os funcionarios, enfim, algo me diz que o maior acesso à educacao e recursos financeiros tornou a comunidade um exemplo para a sociedade. Pra quem achou que o navio viraria uma Sodoma e Gomorra, surpresa: o clima era muito mais de matinê adolescente, paquerinhas, muitos casais, muitos deles de ursos e lésbicas mais velhas. Na linha vamos aloprar, no maximo beijos triplos, um topless ali, um fio dental masculino acolá, algumas cross dressers, mas nada de orgias expostas. As cabines existem para isso, ora bolas!
Bem, a viagem foi muito interessante no sentido que me vi em uma bolha cor de rosa durante 72 horas, e felizmente (ou nao) consegui ter tempo para dar minha filosofada basica. Naquela linha autoconhecimento, gostei muito de:
1 - Ter um encontro com um ser humano especialíssimo, super parecido comigo (ok, ok, fui egocentrico), e coincidentemente homónimo, Andre Luiz
2 - Dancar, dancar e dancar: como era gostoso acordar, botar uma bermuda e ir dancar house na beira da piscina, ou subir pra ouvir flash back com as bolachas, achei elegante.
3 - Confirmar um certo lado conservador no sexo: nao gosto de sado, maso, tres, quatro, cinco… nada disso. Gosto de sexo pratico, dedicado, e de preferencia intenso e rapido. Detesto coisa muito demorada.
4 - Confirmar minha hipotese do vazio com equilibrio. Nao conseguiria ir alem das 72 horas programadas deste cruzeiro, confesso q em certos momentos a musica eletronica, o vazio dos papos e as paqueras adolescentes me irritava.
Mas com certeza ficou uma experiencia diferente, uma pessoa especialissima adicionada ao meu facebook, espero que tambem na Vida, um bronzeado ma-ra e uma vontade imensa de fincar minhas ancoras em algum lugar. Chega de viagens, vou tomar coragem e encarar essa cidade. Rio, ou vc me engole ou eu te como.
E caso vc nao tenha lembrado: foi Neil Armstrong o 1o homem a pisar na Lua. O segundo, Edwin “Buzz” Aldrin. Sera q vc vai guardar?
Abs ancorados no Rio,
André Dametto