28/8/06
Sawabona Estamira!
Hoje tive a felicidade de assistir ao filme Estamira. Há tempos que venho pensando na contradição que é a evolução do homem, suas riquezas, tecnologias, e a degradação paralela com a qual convivemos. Quem mora no Rio de Janeiro sabe bem o que é isso, e ver o contorno das montanhas do Pão de Açúcar e Corcovado ao fundo do lixão de Gramacho, cenário do filme, nos relembra que há alguma coisa fora da ordem muito próxima de nós. Em vez de fazer discurso panfletário, o que em época de eleição não falta, acho interessante a reflexão do quanto não somos Estamiras, sábios, loucos, em meio a um lixão na maioria das vezes metafórico. Ela que do lixo retirava a sua sobrevivência, nos faz refletir num discurso metalingüístico do quanto não lidamos com nossos lixos diários. Quem está mais louca: a esquizofrênica que nada tem a perder e expõe suas agruras, ou todos nós que disfarçamos nossos surtos com marcas, sorrisos e lógicas nem sempre tão verossímeis? Não sei porquê, mas em vários momentos entendi mais a sua loucura, a sua esquizofrenia, e viajando mais um pouco, entendi mais o vício dos drogados, e o crime dos discriminados. Falar isso pode até parecer perigoso, mas algo me indica que existem respostas para o caos para o que não está estampado nas vitrines… Ver Estamira e seus "delírios" me faz lembrar de conceitos muito importantes nos quais acredito, como o poder do indivíduo, da sua imaginação, e da sua própria transformação.
Hoje também li um artigo muito interessante do psicanalista Flávio Gikovate, chamado SAWABONA - Sobre estar sozinho. Segundo o autor, "… O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos… A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à
aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é
possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva."
Acho interessante perceber que as pessoas mais especiais que conheci são muito fortes, porém auto-suficientes, e talvez por isso sozinhas. Incluir o outro na nossa Vida é algo muito importante, mas cabe antes entendermos se já estamos conosco mesmos. Sempre que posso estimulo a reflexão: Será que já namoramos e casamos conosco? Buscar no outro a completude de uma falta que é sua é muito perigoso, pois o outro nunca vai preencher o que nos falta, simplesmente porque cabe a cada um de nós se dar o que precisa.
Mas uma vez serenos e prontos pra amar, defendo sim o Encontro. Mas engraçado, como é difícil este encontro conforme mais especiais nos tornamos! Não aceito o argumento que devemos nos acostumar, nos nivelar por baixo, graças a este argumento aceitamos a situação histórica pela qual nosso país passa e facilmente reelegerá um presidente adequado para as massas. Mas não para mim, assim como não quero um presidente corrupto e assistencialista, também não quero um amor pela metade, dominador, possessivo e afirmativo.
Questiono muito se vale a pena lutar e bancar ser diferente. Estamira nos mostra o quanto custa caro esse tipo de comportamento. Mas juro que continuarei investindo mais do meu tempo, do meu estudo e do meu dinheiro na busca disso que nem eu sei o que é direito, mas tenho certeza de que não é o que aí está. Continuo imaginando, mas ajo, porque imaginar, e apenas imaginar, aí sim é uma grande loucura.
Estamira, SAWABONA! Este cumprimento do sul da África quer dizer EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM! Você que leu este texto também é importante, e pode me contar como faz para lidar com suas loucuras. Bjs, AD
criado por andre.dametto
1:26 — Arquivado em: 

Comentário por Ana paula — 28 de agosto de 2006 @ 16:22
Li o artigo de manhã e realmente achei bom… Não vi o filme e, portanto, só vou comentar o artigo.
Acho que, hoje, as pessoas vivem um conflito muito grande, pois ainda estamos numa fase de transição entre o que o texto denomina como “o velho e o novo modo” de encarar o relacionamento (romantismo x pragmatismo, respectivamente).
Acho que ainda não dá pra ter uma definição clara do que é o relacionamento do nosso século, um mix de conceitos e demandas que os nossos pais nos transmitem com a agilidade e praticidade que demandam o dia-a-dia. Com toda essa tremenda falta de alinhamento entre as pessoas, parece que ninguém se entende, tem opiniães diversas e divergentes sobre o mesmo tema; uma hora querem e cobram romantismo, submissão, outra querem a individualidade (isso somente quando lhe convém, é claro), provocando desencontros, aumentando as desilusões. Expectativas são criadas, aumentadas e quase que simultanemanete são jogadas a terra, enfim, cada um quer uma coisa diferente na mesma hora e acaba transformando tudo numa grande celeuma, onde ninguém parece mais suportar o outro e nem suportar seus próprios conflitos!!! Há egoismo sim, ninguém parece querer mais se doar. Não há mais
companheirismo, cada um só quer saber dos seus próprios problemas.
Eu continuo achando, sim, que relacionamento deve ser uma troca, uma via de duas mãos, onde ninguém deveria sair ganhando ou perdendo, senão desgasta. Falar de individualismo é muito lindo e fácil na teoria,
mas quando é do outro lado, ninguém quer que seu calo aperte, não é verdade?… É muito fácil passar imagem de evoluido, parecer um livro de auto-ajuda, mas na prática não conseguir ser nada daquilo que prega, transformando tudo numa grande hipocrisia, com argumentos nada verossÃmeis como você mesmo disse, meu amigo.
Comentário por Amaury — 28 de agosto de 2006 @ 16:23
“Não aceito o argumento que devemos nos acostumar, nos nivelar por baixo, graças a este argumento aceitamos a situação histórica pela qual nosso paÃs passa e facilmente reelegerá um presidente adequado para as massas. Mas não para mim, assim como não quero um presidente corrupto e assistencialista, também não quero um amor pela metade, dominador, possessivo e afirmativo”.
Não acho que o voto elegerá um presidente adequado para as massas. Ele elegerá, ao contrário, um presidente adequado para as elites. Se houvesse uma chance real de eleição de um candidato adequado aos interesses dos trabalhadores, certamente toda a grande mÃdia e o sistema financeiro e produtivo nacional e internacional colocariam logo o bloco na rua para cooptar o povo, alertando sobre os “perigos do esquerdismo para as famÃlias e a propriedade”.
Porém, acho que não podemos mais nos esquivar de qualquer responsabilidade. Como bem disse a Estamira, nesse mundo “não tem mais inocente, não tem. Tem esperto ao contrário, esperto ao contrário tem, mas inocente não tem não.”
Comentário por André — 30 de agosto de 2006 @ 0:45
Concordo com você Amauri, as instituições polÃticas não farão nada por nós. Em vez de reclamarmos é hora de cada um fazer o seu, trabalhando, estudando, agindo éticamente. Isso é fazer polÃtica no conceito filosófico da palavra, dado que isso motiva, inspira, gera exemplos, e de pouquinho em pouquinho, de baixo pra cima, nós mudamos a situação. Por isso defendo um mix de responsabilidade + educação, é por aà que o mundo vai pra frente. Abs, André
Comentário por André — 30 de agosto de 2006 @ 0:47
Concordo com você Amaury, as instituições polÃticas não farão nada por nós. Em vez de reclamarmos é hora de cada um fazer o seu, trabalhando, estudando, agindo eticamente. Isso é fazer polÃtica no conceito filosófico da palavra, dado que isso motiva, inspira, gera exemplos, e de pouquinho em pouquinho, de baixo pra cima, nós mudamos a situação. Por isso defendo um mix de responsabilidade + educação, é por aà que o mundo vai pra frente. Abs, André
Comentário por Fernanda — 30 de agosto de 2006 @ 20:05
ADOREI!!!!!!!
BJS,
Fernanda
Comentário por Flavinha — 1 de setembro de 2006 @ 14:02
André
vc realmente é uma pessoa especial !!
esse artigo sobre estamira e principalmente o texto Sawabona me emocionaram e refletem exatamente o que penso sobre “inteiros” e não “metades” que se encontram .
Agradeço a Deus a oportunidade de conviver com uma pessoa tão iluminada e autêntica como você.
bjs meu amigo
Ass: Sua Mariah Carey
Flavinha
Comentário por Mariah — 1 de setembro de 2006 @ 18:53
Tudo de bom!
Comentário por Diva — 2 de setembro de 2006 @ 0:11
Querido André,
Obrigada por existir por inteiro, fazer parte da minha vida e ser inteiramente amigo.
Você é mais do que especial, você é único!
Todo dia aprendo muito com você.
Beijos integrais,
Diva
Comentário por André Dametto — 2 de setembro de 2006 @ 12:42
Diva, uma das mulheres mais importantes da minha Vida! Aliás minha Vida é marcada por grandes mulheres, como minha mãe, a Fernanda, a Alice, e tantas outras almas femininas. Diva, saiba que você é causa de muito o que está acontecendo, obrigado pelo apoio, e conte sempre comigo. Bjao, André
Comentário por André Dametto — 21 de setembro de 2006 @ 23:42
Valeu Divaaaa, vc sempre me ensina muito. Um bj com carinho, André