Saber livre

Este blog é um espaço destinado ao debate de temas que promovam o bem, a beleza e a justiça. Valorizo o fluxo de informação livre e independente, com respeito e inteligência. Traga o seu tema, e contribua para a formação de um espírito criativo.

26/10/07

Mudernu na medida exata

Bem, não podia deixar de publicar este post: neste exato momento me encontro num restaurante, onde a rede wireless me permite acesso à internet. Tudo bem que este recurso existe há milênios, mas é a primeira vez que faço isso num restô gente, eu sinceramente fiquei tocado com esta conectividade. Ainda mais eu que vivo me digladiando com as tecnologias. Confesso: vou do amor ao ódio quando o tema é tecnologia.

 

Essa semana entendi um pouco dos meus momentos de letargia e indagação profissional. Imagine um pintor que viu seu ateliê pegar fogo três vezes… Bem, assumindo as devidas proporções, o pintor é o professor e consultor que vos fala, e o ateliê é o bendito do meu computador, que já "foi pro saco" três vezes, perdendo arquivos, etc etc. Sim, porque ali guardo as aulas já ministradas, as análises bombásticas das consultorias realizadas, os registros, os vídeos engracadinhos que eu gosto de usar nas aulas, as fotos cômicas, enfim, meu material de trabalho.  E nessa hora a Gestão de Risco é um tema lindo de MBA, pois aquele bendito CD de backup q vc gravou resolve nao abrir os arquivos. Enfim, ninguém merece.

 

Mas como nenhum incêndio destrói a inventividade do pintor, entendo que existe um quê de desapego em todos estes incidentes. Sim, até para o professor, este exercício de desapegar-se das velhas aulas e recriar o conteúdo é um exercício muito interessante. É quando a pessoa sobrepoe-se ao substancial. E de pessoas é feito o mundo, e talvez isso tudo tenha servido pra mostrar a importância do SENTIR, sobre a qual eu tanto discorro. Os materiais antigos me deixavam numa zona de conforto que para um professor é mortal, pois o conhecimento é algo vivo, e tudo o que um aluno merece é estar com alguém que pensa, e cria.

 

Enfim, escrevi isso tudo pra dizer que, como tudo na Vida, tecnologia tem um lado muito bom e outro muito ruim, cabendo ao homem saber equilibrar o uso da mesma como um meio, que facilita a comunicacao (o que faço neste exato momento), mas que nao deve amarrar a inovacao.

 

Convivo há um certo tempo nos ambientes organizacionais e fica claro que os profissionais mais destacados vivem de idéias, e não de tecnologias. As empresas inclusive substituem gradativamente profissionais mais caros por jovens que se submetem a baixos salários e que como robôs de terno e gravata operam tecnologias, algum dia pensadas por outrem, quem sabe de chinelo e ipod no ouvido.

 

Termino com uma provocação: até que ponto Você é criador que pensa e sente, ou criatura dominada pela tecnologia? Eu buscarei incessantemente o primeiro caminho.

Abs, André

criado por andre.dametto    19:15 — Arquivado em: Sem categoria

22/10/07

Curtindo o silêncio

Enquanto eu vou deixando o sentimento atuar, no silêncio, compartilho textos maravilhosos sobre o poder do silêncio. Abs a todos, André

                

Arte de Ouvir

Quando eu peço para você me ouvir,

e você começa a me dar conselhos.

Você não esta fazendo o que eu lhe pedi.

Quando eu peço para você me ouvir,

E você começa a me dizer porque eu não devo ter determinadas reações.

Você esta pisoteando em meus sentimentos

Quando eu peço que você me ouça,

E você sente que tem que fazer algo para resolver meus problemas.

Você não esta me apoiando.

Talvez seja por isso que a oração funciona para alguns.

Os deuses são mudos.

Não oferecem conselhos.

Não tentam consertar as coisas.

Apenas ouvem e confiam que você encontrará a solução.

Por favor, ouça-me.

E se você realmente quer falar.

Espere alguns minutos.

E prometo que eu lhe ouvirei.

ESCUTATÓRIA

Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.

Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios.

Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. silêncio. ( Obs:Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio, expulsando todas as idéias estranhas.).

Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.

Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".

Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto

criado por andre.dametto    18:11 — Arquivado em: Sem categoria

Welcome Back!

                 

Um mês de férias, e agora, de volta ao Rio,  tudo que eu preciso são… férias! Pois tudo o que não fiz nesta viagem foi descansar: 9 cidades, 11 vôos, 3 trens, 4 ônibus, cinco albergues, dois hotéis, 11 museus, 20 clubs, mais de 40 bares, e alegrias e perrengues incontáveis. Resumindo: valeu muito a pena!  A viagem já começou com um quê de missão de reconhecimento, queria conhecer alguns Andrés dentro de mim, pessoas especiais no Velho continente, e até mesmo quem sabe uma possível morada para esta mente que vive em busca. Parti também cheio de imaginações, expectativas, e o mais legal é ver o quanto de ilusão habita nossa mente.

 

A Europa é sim linda, tem muitas possibilidades, encontros, mas a grande conclusão que tiro é que o Brasil é o meu lugar. Aqui sinto uma humanidade que não encontrei igual nos outros locais onde estive. Ficou nítido pra mim o que é o capitalismo, afinal pude conhecer alguns dos maiores PIBs e como eles foram alcançados. E sei lá, isso me deu uma sensação de que por lá o TER era mais importante. E ólha que eu sou bem consumista…

 

Outro mito é o de que somos muuuuuito desorganizados, e eles muuuuito organizados. Discordo: eles são cheios de desordens também, mas em contrapartidas são cheios de pré-requisitos. Aqui no Brasil pelo menos o jeitinho deixa a complexidade mais justa pra todo mundo. Só para registrar: avião lá atrasa também, aeroporto europeu também tem falhas de atendimento, o metrô deles é mal sinalizado pacas, e o atendimento em alguns lugares beira a falta de educação.

 

O que mais dói aqui no Brasil, e não existe por lá é esta tremenda desigualdade social, parece que lá dói menos ter dinheiro, consumir, é como se pobreza fosse pecado. Mas aqui mesmo no Brasil temos mini-Europas, e diria mais, até mais avançadas do que eles, e estou falando de cultura, tecnologia, saber viver. Me considero um privilegiado, claro que no nosso país há regiões com condições inóspitas, mas reafirmo: é possível sim aqui no Brasil criarmos todas as condições para vivermos em um país desenvolvido. Temos o principal elemento que constitui uma sociedade: mentes inventivas, inteligentes, flexíveis. Sinto muita falta de uma liderança mais preparada, em termos de governantes, e também de uma auto-liderança mais presente, ficou nítido que nós brasileiros sofremos de uma baixa auto-estima. A gente enche a boca quando diz que vai pra Europa, eu mesmo faço isso.

 

Resumindo, eu fui pra lá achando que ia encontrar um paraíso, mas o que conheci foram belas capitais de países colonizadores, mercantilistas, financiadas à luz de muito trabalho colonizado (até hoje, com as transnacionais), e com muito mais anos de história que nós.

 

De alguma forma isso me deixou otimista, e vejo que nosso caminho é continuar evoluindo, incorporando nos nossos anos de história avanços, e percebo os mesmos em diversos campos: fazemos ciência sim, somos casos de sucesso em gestão, sabemos fazer festa como ninguém, e reafirmo: temos a maior riqueza que existe, humanidade!

 

Ainda não sei como voltei modificado da viagem, mas sinto que é para melhor, e agora vou me dar umas férias mentais, produzi muita coisa nessa viagem, e o caminho do equilíbrio pede que deixemos o silêncio, o nada atuar também.

 

Valeu Vida, valeu André, você é um parceirão de viagem. Abs, obrigado, e que venham outras viagens pela frente.

André Dametto

criado por andre.dametto    13:45 — Arquivado em: Sem categoria

15/10/07

Milao: Prego!

                          

Prego! é assim que os italianos se despedem, agradecem, indicam algum endereco, eh ate bonitinho ouvir eles falarem prego a todo momento.

Bem, cheguei em Milao cheio de expectativas, afinal uma cidade conhecida como berco da Moda, do Design e dos negocios na Italia teria tudo a ver com alguns dos meus gostos pessoais. A cidade tem realmente uma cor ocre, como alertou uma amiga. Ocre é aquele tom de marrom antes do beje (sim, ele existe). Essa cor se da devido à mistura das pedras dos predios antigos, da catedral gotica mais linda que eu vi ate hoje, com um ar mezzo poluido estilo Sampa, mais aquelas ruas que parecem saidas de um livro de ficcao envolvendo padres, mafiosos e mulheres chiquerrimas.

Milao eh super darwinista, a impressao que eu tive eh que em uma semana ou vc se adapta ou vc desiste de viver aqui. Tudo eh muito estetico, montado, a moda tornou-se mais que uma industria, é um estilo de Vida, um valor da cultura local. As pessoas andam desfilando, homens, criancinhas, bichos de estimacao, as mulheres entao, as mais bem arrumadas q vi na minha Vida, ainda mais pq estamos no Outono. Até agora nao me sai da cabeça o sapato de uma donna, num couro trançado em forma de bola de futebol, com gomos dourados e acinzentados: um luxo! Ao mesmo tempo achei tudo um pouco fake, senti a falta da vivacidade de Roma, uma cidade mais à vontade, sem muita pretensao.

Bem, a viagem esta chegando ao fim, esta hora era pra eu estar voando, mas pra fechar com chave de ouro a viagem o voo foi cancelado, e remarcado para… 32 horas depois do combinado. Bem, com tantos perrengues, unzinho a mais me aproxima do titulo de PhD em tolerancia, com passagens por Sorbonne, Oxford, e todas as melhores instituicoes europeias. Como presente me dei uma estada num hotel daqueles cheios de regalias, vou ficar aqui curtindo cada segundinho, arrumando a mala, escrevendo as memorias da viagem, e com uma conclusao: o Brasil é muito bom, gente! So depende de nos fazermos dele um lugar melhor ainda pra viver, pois temos no nosso DNA cultural muita vivacidade, criatividade, flexibilidade, senso de humor, beleza espontanea, enfim… estou morrendo de saudades.

Ate o Brasil,

Andre Dametto

criado por andre.dametto    10:42 — Arquivado em: Sem categoria

11/10/07

Roma: todos os sentidos

                                  

Bem, com apenas dois dias em Roma cada segundo eh preciosissimo. O que posso dizer das primeiras 24 horas é que se conjugam nesta cidade um espirito de bem-aventuranca ( eles chamam de la dolce vita ) com uma cidade grande de 2,6 milhoes de habitantes, que vive agitada. Alias, some-se a este numero pelo menos uns 100 mil turistas freneticos com maquinas fotograficas, guias, e seu afa de tirar a foto mais criativa. Hoje vi uma senhora tentando subir num estatua, acho q ela queria beija-la, enfim, um momento de humor na viagem.

Resolvi conhecer a cidade de bicicleta, o que se mostrou valido, ja que aqui o transito eh caotico, as ruas estreitas e ha muitas, muitas atracoes para serem vistas. Resumindo, muitas fontes, ruinas, templos sendo redescobertos, ha muita coisa que foi demolida equivocadamente e eles estao tentando reparar o erro. Realmente um estimulo sensorial incrivel, vc se sente no seculo II facilmente, eh so fingir que nao ve os milhares de turistas freneticos do seu lado e o som infernal das scooters, aqui deve haver 1 pra cada habitante.

Bem, paladares, este eh o lugar pra sair bonito de uma dieta. Massas de todos os estilos, molhos mil, sorvetes fantasticos (eu achava q sabia o que era sorvete), vinhos muito bons e baratos, e novamente aquela sensacao de que eh possivel conciliar o saber viver com todo o agito da cidade grande. Os italianos realmente sao meio esquentados, gostam muito de falar alto, alias barulho aqui nao falta, desde 6h da manha sao os sinos acordando o povo, as 8h ja se ouvem as primeiras scooters, as 10h os turistas sairam dos hoteis freneticamente atras das atracoes, e qdo se chega ao meio_dia atinge-se quase um orgasmo sonoro. E o mais legal eh q eles ainda curtem uma pausa pro almoco, algo tipo a siesta dos espanhois. Ai voltam a trabalhar ate as 20h. Enfim, faz parte da dolce vita.

Enfim, Roma tem sido um afloramento de todos os sentidos, agora deixa eu ir ajudar a compor a horda de turistas freneticos.

Gente, mudando de assunto: passei quase 28 dias da viagem chamando guardanado de kidnaper, como assim?! Bem que eu achava engracada a cara das pessoas qdo eu pedia um guardanado. A proposito, a traducao correta de guardanapo para o ingles eh napkin. E kidnaper significa sequestrador… Enfim, momentos de mico que tornam a viagem ainda mais divertida.

Bjs e abs, em todos os sentidos, Andre

criado por andre.dametto    9:25 — Arquivado em: Sem categoria

8/10/07

Berlim, um belo encontro

                

Bem, aqui estou eu em Berlim, e antes de tudo quero pontuar que estou a-do-ran-do esta cidade. Eu me reconheci muito com o astral da cidade. Claro que as diferencas iniciais assustam, primeiramente a lingua, as palavras geralmente tem mais de dez letras e vc exerce constantemente sua criatividade tentando falar o nome correto, e no final das contas eles nao entendem. Mas nao ha problemas, o alemao se mostrou muito educado, prestativo, e a maioria deles se vira muito bem no ingles, a lingua que me ajudou em praticamente todas as cidades q estive, ate mesmo Lisboa….

Nao tinha lugar melhor pra sentir na pele o que eh mudanca. Berlim eh um daqueles lugares onde tudo parece estar sendo criado. Um mergulho rapido na historia e vamos relembrar que nao tem muito tempo havia neste local um muro que dividia a cidade em parte ocidental (mais capitalista, ligada aos americanos, franceses e ingleses) e a parte oriental (mais socialista, comunista, ligada aos sovieticos). Bem, isso fez total diferenca, em termos de arquitetura, valores, habitos, mas com a queda do muro em 1989 eles tem buscado resolver as lacunas de uma forma impressionante.

A cada 100 metros se avista um predio sendo construido, remodelado, aqui se usa muito vidro e aco, o que eu particulamente acho um charme, ainda mais numa cidade com temperaturas baixas. Peguei a menor temperatura da viagem ate agora, 8 graus, e eh lindo andar pelas ruas da cidade a noite. Tudo eh muito refinado, organizado, os banheiros publicos sao bem limpos, enfim, a fama de sisudos dos alemaes me pareceu muito mais um mito, na verdade conheci uma Berlim cosmopolita, comunicativa, pratica, organizada, e sem rodeios. As vitrines mais maravilhosas que eu vi na minha vida foram na Unter den Linden, uma rua must go daqui. A criatividade exala a todo momento. Berlim foi a segunda cidade que me despertou algo a mais, apos Madri. Se nao fosse a barreira da lingua e do frio, eu definitivamente experimentaria uma estada mais prolongada por aqui.

Fala-se muito do custo de vida, o que eu sinceramente nao achei muito alto. A comida especialmente eh mto acessivel, e pela primeira vez em 25 dias de viagem encontrei um buffet, e o melhor, de comida asiatica, e o melhor ainda, a conta no final nao passa de dez euros. O atendimento tb eh muito bom, diferente do ar blase e quase desrespeitoso que encontrei em Londres. O que eh caro aqui sao as atracoes, o entretenimento, que alias eles sabem fazer muito bem. Ontem estive num club über interessante, era uma festa que se dividia em dois andares. O mais interessante e que um andar era o 12o e o outro era o 15o, e aquele transito nos elevadores era tu-do de bom. Eles sabem como ninguem fazer uma boa noite, mas nao fiquemos so nisso. Recomendo a todo visitante uma busca por espetaculos de danca, a Alemanha eh referencia neste quesito. Tem muita exposicao, teatro, opera, museus, igrejas, grandes pracas abertas com musicos espetaculares, enfim, Berlim com certeza nao passa em branco na vida de ninguem.

Mas o que mais me tocou mesmo foi essa sede de mudanca, a criatividade da arquitetura, do design, essa vontade de desenvolvimento, marcada por muito trabalho, estudo, praticidade, enfim, Berlim foi uma otima descoberta, e um reconhecimento incrivel. Obrigado, Berlim.

Bjs, Andre

criado por andre.dametto    9:15 — Arquivado em: Sem categoria

5/10/07

Amsterdam, mais do que legalidade

                 

Bem, 20 dias de viagem e um saldo positivo. A parte boa eu conto sempre, os aprendizados, os encontros, as comidas, os cheiros, enfim, viajar eh a melhor coisa na Vida, com certeza, porque ela engloba todas as outras coisas boas da Vida. Mas vou confessar, eu gosto muito de conforto, e somando 20 dias de camas de albergue, uma mala equivocadamente pesada, check ins complicados nas low fare companies (cada quilo a mais na sua bagagem custa o mesmo valor do bilhete, muito cuidado!), linhas de metros ultra mega complexas, a chance de se perder eh imensa, e qdo vc quer dormir ainda tem aquela pessoa mega inconveniente no seu quarto… Enfim, minha sensibilidade esta a flor da pele, entao pra eu nao me estressar a todo momento tenho uma disciplina zen budista de respirar a cada… obstaculo. Alguns sao ate engracados: trancar o cadeado do armario com a chave dentro (sim, isso acontece!), encontrar alguem dormindo na sua cama do albergue (sim, isso acontece muito!), descobrir que aquele preco no cardapio valia ate 10 minutos atras (europeu eh mestre nisso),  esvaziar sua mala pra nao pagar quase 250 euros de excesso de peso… Sem falar o sofrimento pra achar internet cafe, teclados decentes, conexao rapida, o Brasil t’a dando um banho, gente! Enfim, essa viagem ta valendo muito por causa de todas estas novidades.

No Rio, apesar do nosso famoso cotidiano agitado, estamos nas nossas casas, com restaurantes a quilo facilmente acessiveis, e com o mais importante, o carinho dos nossos familiares e amigos. Quando se viaja sozinho acontece um fenomeno interessante: conhecemos pessoas muito legais, vivemos coisas intensas ao extremo, mas tudo dura ate a proxima partida. Preciso levar o lema Te Amo Hoje ao extremo pra nao me debulhar em lagrimas. Fica tambem a conclusao de que, apesar de linda, a Europa me foi um bom destino de ferias, ainda vejo o Brasil como um lugar para produzir, descansar, e viajar tambem, temos muitas atracoes.

Enfim, eu ia falar de Amsterdam mas rolou essa cartase. Mas pra resumir, Amsterdam eh bem mais do que essa fama de lugar liberal. Eu sinceramente acho q so um babaca vem pra Amsterdam ficar fumando maconha o dia inteiro. Tem muita coisa boa por aqui: museus, historia em cada rua, as casas nao passam de 3 andares, e sao todas tortas, por causa do terreno instavel. Amsterdam esta toda sobre um terreno pantanoso que o o homem tomou da agua, fazendo as barreiras (Dams) sobre os rios, onde o Amster eh o principal aqui. Gente muito receptiva, uma noite muito da maluca, aqui eu vi aquelas famosas prostitutas que ficam atras de vitrines, eu fiquei impressionado, sao muitas, e o ritmo eh de producao taylorista, um local me falou que elas trabalham ate 10 horas por dia, atendendo quase 30 clientes… T’a bem! E com direito com assistencia social, pagam impostos, enfim, tudo regulamentado.

Bem, a viagem ta valendo muito a pena, e agora eh respirar, curtir cada atracao, superar cada obstaculo, e sempre, viver com a certeza de aprendizados pela frente.

Abs, Andre

 

criado por andre.dametto    14:33 — Arquivado em: Sem categoria

2/10/07

Pra ficar na memoria… e no saldo bancario

              

Bem, Londres passou como um furacao, rapido e cheio de novidades. Em 72 horas fiz de tudo um pouco: caminhadas, museus, restaurantes, amizades, ate show de strip vale a pena conferir por aqui. O verbo que me vem `a cabeca seria o famoso to strecht. Uma vinda pra esta cidade nao pode passar inc’olume.

Primeira coisa: escolha dois ou tr^es museus, porque se voce cair no afa de visitar todos vai apenas consumir arte, e nao aprecia-la, que ‘e o gosto de identificar-se em uma tela, de fazer parte de uma instalacao. Se vc curte muito arte moderna recomendo fortemente o Tate Museum. Se o lance ‘e arte classica uma visita ao National Gallery ‘e o must do. Tambem recomendo fortemente um passeio no London Eye, aquela roda gigante imensa com direito a selo da British Airlines. Eles fazem questao de tratar vc como se estivesse num voo, com direito a check in e tudo.Tambem visite a London Tower, ande pelas ruas em Picadilly ‘a noite, e va dancar num clube descolado da cidade, nada de fazer a linha pacata nesta cidade.

Algo que eu fiquei chocado ‘e que apesar de um pound equivaler a quatro reais, tem muita coisa q vale a pena comprar por aqui, principalmente roupa. A fama de cidade mais cara do mundo se justifica na hora dos transportes e acomodacoes. Se hospedar num bom hotel com direito aquele jantar regado a bom vinho pode custar todo o seu salario do mes. Definitivamente, faca como eu, fique em um bed and breakfast e va curtir a cidade com os passes de onibus, comprando em escala da pra conseguir bons descontos.

Algo que aprendi ‘e que numa viagem mochilao nao se deve trazer muita coisa, no maximo dez quilos. Eu tive a infeliz ideia de vir com a Olga, minha mala de estimacao que parece um freezer de tao grande. Caramba, tem horas q da uma vontade de abandonar a Olga na Europa, quem sabe ela nao constroi uma familia por aqui, mas eu trouxe muita coisa, fiz besteira. Deixe pra comprar coisas nos locais onde vc vai, vc pode ter gratas surpresas como as que tive em Londres.

Em relacao a fama de mal humorado no ingles eu vou discordar completamente. Eles sao eh praticos, diretos, nesse sentido eu tb devo ser super mal humorado. Quem eu achei muito mal educado e grosso foram os imigrantes, principalmente os indianos e arabes. Eles nao secos, rispidos, ironicos, como se tivessem muita raiva de ver outro "colonizado" fazendo turismo. Nessas horas count to ten, nao vale a pena entrar em discussoes historicas e filosoficas em filas de lanchonete, porta de onibus and so on.

Resumindo, Londres ‘e um choque necessario pra todo cidadao que queira seu titulo de globe trotter. Eu, Andre, nao moraria aqui, no maximo estudaria e picaria minha mula. Apesar de rapida, moderna e pratica, Londres cheira a pounds a todo momento, e isso estressa de vez em qdo. Nesse sentindo o meu Rio de Janeiro ganha mais um ponto, ‘e nele onde eu trabalho, me divirto e me sinto menos… um cartao de credito.

Rumo a Amsterdam, see you.

Bjs, Andre

criado por andre.dametto    15:27 — Arquivado em: Sem categoria
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