Saber livre

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28/9/08

Coma os morangos…

            

Uma fabula bem interessante conta que certa vez uma pessoa ao cair em um barranco conseguiu se agarrar as raizes de uma arvore, e subitamente percebeu que esperando pode ele havia um urso faminto na parte de cima do barranco, e embaixo algumas oncas tambem famintas, com garras afiadissimas. Nao sabia qual imagem era mais aterradora. Em determinado momento, esta pessoa olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com aquelas escamas douradas refletindo o sol. Num esforço supremo, apoiou seu corpo, sustentado apenas pela mão direita, e, com a esquerda, pegou o morango. Então, levou o morango a boca e se deliciou com o sabor doce e suculento. Foi um prazer supremo comer aquele morango tão gostoso. Talvez você me pergunte: "Mas, e o urso?" Dane-se o urso e coma os morangos! E as onças? Azar das onças, coma os morangos! Bem, o que esta fabula tem a nos ensinar? Quem na Vida, mesmo quando voce estiver passando por problemas e desafios por todos os lados, sempre ha algo que esta dando certo, um novo prisma de enxergar a realidade, enfim! Saboreie os bons momentos. Sempre existirão ursos, onças e morangos. Eles fazem parte da vida. Mas o importante é saber aproveitar o morango, porque o urso e a onça não dão tempo para aproveitar. Coma o morango quando ele aparecer. Não deixe para depois. O melhor momento para ser feliz é agora. O futuro é ilusão que sempre será diferente do que imaginamos. A felicidade existe pra ser vivida hoje, agora, com os morangos que temos a nossa frente. E por que trazer esta reflexao? Digamos que eu busquei comer morangos a todo momento enquanto estive aqui em Las Vegas. Voce conhece alguem que vem a Las Vegas e nao joga uma moedinha sequer? Pois bem, nao senti a menor vontade de jogar. Definitivamente nao gostei da cidade, todo aquele materialismo e plasticidade que me irritavam em Los Angeles aqui eh potencializado a quinta potencia. A impressao que tive eh que Las Vegas eh uma grande ilusao, onde um calor de quase 40 graus do deserto deixa todos meio tontos, e uma profusao de predios, cores e neon contribuem para o aspecto onirico do lugar. A grande pedida da cidade eh caminhar pela Strips, rua onde ha diversos hoteis, todos imensos, com grandes galerias de cassino e shoppings, muitos shoppings. Cada hotel simula uma experiencia, e o que seria isso? Aqui em Las Vegas eles chamam qualquer produto ou servico de experiencia, dando um carater de fantasia ate a um almoco num fast food. Entao existe experiencia do hotel parisiense, experiencia veneziana com direito a gondola e tudo, experiencia de lagosta thailandesa e ate um corte de cabelo vira experiencia de beleza. Em muitos lugares alem da arquitetura local era simulado um ceu de mentiirinha, entao tinha horas que nao sabia se estava em um lugar fechado ou aberto. A cidade atrai todo tipo turista, mas a grande maioria eh de americanos tipicos: inclinacao ao consumo desenfreado, falta de visao do todo e um consequente retardo intelectual sao caracteristicos. Eu simplesmente achava desagradavel quando encontrava pessoas por aqui que nunca tinham ouvido falar do Rio de Janeiro? Ahn?! Entao, em Las Vegas, esse turista tipico americano chega de suas pacatas cidades, geralmente do interior, e aqui vem seguir a toda custa o ditado What happens in Vegas stay in Vegas, compensar nas farras todas as amarras da regrada sociedade americana. Minha " experiencia de albergue " tambem nao foi muito boa, pois alem de longe da Strips o local era simplesmente bizarro. Pra piorar, minha " experiencia de voo " para Orlando foi pessima, pois meu despertador nao funcionou e eu perdi o voo, tendo entao que morrer numa grana para conquistar meu destino. Alias, fazer mochilao nos EUA eh coisa de maluco. Diferente da Europa onde minhas experiencias de deslocamento foram faceis e praticas, aqui vc precisa chegar com pelo menos 3 horas de antecedencia. Ha muitas filas, a revista para quem ganha um SSSS no bilhete eh uma experiencia de aporrinhacao, voce tem que tirar o sapato, tirar o notebook, passar por uma maquina que dispara jatos de ar em vc, ver suas bagagem de mao ser toda revistada por guardas nada simpaticos. Bem, e os morangos? Pra nao falar que nao curti nada em LV, gostei do espetaculo das aguas dancantes do Bellagio, e do shopping do Palazzo, muito bem arquitetado. Mas o melhor foi que toda essa experiencia serviu como um puta autoconhecimento, sobre o que gosto, o que nao gosto, e fiquei intrigado. Me bateu um certo niilismo de pensar que no mundo de hoje vale a pena ser meio boçal, viver igual um ser de linha de producao que trabalha, ganha, consome e nao pensa muito nas consequencias dos seus atos - Qualquer semelhanca com os americanos nao eh mera coincidencia… Parece que o sistema conspira a favor destes. Seria um desvio da natureza nascer sensiveis e conscientes sobre alma, espirito, equilibrio? Enfim, acho que Las Vegas tambem me fez ter delirios… Bjs e que venha Orlando, pelo menos vou dar muita pinta na Disney. Andre Dametto

criado por andre.dametto    19:03 — Arquivado em: Sem categoria

26/9/08

YouÂ’re welcome!

            

A ida pra San Fran começou meio tensa, porque resolvi ir de ônibus de LA para evitar os estresses de aeroporto, mas encontrei um motorista que dava ordens militares, falava alto, disgusting! Os prestadores de serviço publico tem uma postura meio militar por aqui, e percebi que na terra dos americanos todo cuidado e pouco, afinal qualquer coisa pode ser motivo para uma infração. Estresse compensado pela chegada em SF, uma cidade ladeada de água por todos os lados e com um skyline maravilhoso. Prédios modernos, conversando com construções antigas de estilo vitoriano (aquelas casinhas antigas com duas cores combinando e flores).

Como cheguei na cidade um dia antes do planejado, não tinha reserva no hostel, então deixei minhas malas e resolvi curtir a noite de SF. Mas bela ilusão, por aqui tudo fecha `as 2 da manha, algo que pelo visto eh comum nos EUA, medida para fazer com que as pessoas bebam menos e a violência seja reduzida (Do you really believe in that?). Caminhando pela cidade encontrei um esp’irito cultural, pessoas educadas: uma vez dentro da cidade, você eh bem tratado pela população, eles desejam bom dia, boa noite, pedem licença e falam you’re welcome a todo momento. Resolvi ir pro basfond, mais espeficamente em Castro, um bairro antigo e com veia de cultura. Bares abertos, uma cultura gay fortíssima, e começam as novidades: em plenos 13o C (em SF a amplitude térmica eh imensa, vale a pena se vestir em camadas de roupas), do nada um senhor já sem camisa (?) resolve retirar sua calca (??) at’e ficar completamente nu (???). Eu achei aquilo tudo muito surreal, e para verificar que realmente era um fato chamei um rapaz que caminhava na rua e perguntei: - Este senhor esta completamente nu? O jovem ri, responde que sim, mas sem muito espanto, um leve sorriso permeia seu discurso. Eu tão traumatizado com as regras americanas devolvi: - Mas ele não pode ser preso? O jovenzinho da outra risadinha e diz que sim, but… e continua caminhando como se naaada tivesse acontecido. Depois vim a saber que este senhor e mais outros dois são habitue do pedaço, e fazem sempre esta performance, a diversão deles eh ficar completamente nu na porta das boates. Sur-re-al!

 Fui então caminhando de bar em bar, ate encontrar Sophia, uma nicaragüense super gente boa que resolveu me apresentar o pedaço. Fomos para uma festa de hip hop, cheia dos tipos clássicos que vemos nos clips: muitas correntes, gírias, roupas XL, mas o melhor era ver que se tratava de uma festa hip hop friendly. Para quem conhece um pouco da cultura hip hop no Brasil sabe o quão inovador eh ver um yo maaaaaaan gay. Depois de alguma farra (afinal a noite acaba `as 2h) estava eu literalmente sem teto em SF. Fui pro albergue na intenção de encontrar qualquer cantinho pra me encostar. Descobri uma sala de vídeo vazia e com um carpete quentinho, foi ali mesmo que me deitei. Pena q nos EUA tudo eh filmado e não deu 10 minutinhos de sono alguém disse que “ era melhor eu não ficar ali”. Ok, fui pro sofá do hostel e ali fiquei ate 8 da manha dormindo em umas posições a la yoga.

 Acordei naquele dia com uma vontade de gastar, me senti estranhamente americano. Coloquei na cabeça que precisava de um notebook, e ate encontrar um não aquietei. Passeei no centro financeiro (lindo, lindo!), Chinatown (aqui vc s’o vê chinês e turista, no resto da cidade “somente” 50% são chineses). Alias, curiosidade: o biscoitinho da sorte que vem no seu pedido do China in Box foi inventando por um japonês, e aqui em San Fran. O mais gostoso eh passear pela cidade nos bondes, são lindinhos e poupam seu corpicho de tantas subidas e descidas, afinal a cidade eh toda composta de morros, tipo Belo Horizonte. Nesses bondinhos se lêem placas escrito Uscita, ou seja, saída eh italiano. ‘E que San Fran resolveu comprar bondinho pelo mundo todo, inclusive uns da Itália. Depois fiz o tradicional passeio de ferry boat que passa pela Golden Gate Bridge, por Alcatraz, e proporciona uma visão fantástica desta cidade, que naquela linha comparações, me pareceu uma grande Lapa dos tempos contemporâneos, com sua cultura, muitos prédios novos aparecendo e algum desleixo com a população de rua (aqui ha bastante). Em alguns aspectos também lembra Florianópolis, por causa do clima agradável, a ponte histórica, alem do fato de ser a “queridinha dos americanos”. Todo mundo gosta de vir aqui passear e muitos ate vem se aposentar e morar por aqui. Mas prepare a carteira: a cidade eh cara. Os preços dos imóveis ainda são inflados, a comida eh gostosa, os hotéis magníficos, mas tudo muito bem precificado. Para economizar nada melhor do que os fast foods mexicanos que encontramos aos montes na Califórnia. O taco eh a versão californiana do kebab que tanto vemos na Europa.

 Falando em hotel resolvi a fazer a linha rrrrrrrrica e fui conhecer lobbys poderosos de hotel. No do Four Seasons tinha um piano maravilhoso, atendimento 5 estrelas, momento para registrar os momentos da viagem e refletir. Saindo do hotel, meio altinho, entrei numa loja maravilhosa da Mac e l’a comprei impulsivamente o notebook que eu tinha desejado o dia inteiro. Também amei os lobbys do Clift, do Marriot e do International Mark. Nesse ultimo rolou momento loucurinha de viagem. Como nessa semana toda rolou em San Fran um encontro da Oracle, com mais de 40 mil funcionários, fornecedores e clientes, pululavam coquetéis para ver e ser visto na cidade. Nesse hotel eu acabei entrando sem querer num coquetel da empresa, e naquela linha cara de pau eu de viajante mochileiro encarnei um cliente da Oracle, bati papo com o povo e tudo.

 Momento risadinha foi a família de Singapura com quem eu dividi o quarto do albergue. Eram o pai, a mãe e o filho de 21 anos que eles tratavam como uma criança. Não sei se faz parte da cultura deles mas gente, como eles arrotavam. Me dava pânico qdo estavam os três juntos no quarto. Mais hilário foi quando a senhorinha resolveu arrotar na minha frente e eu comecei a rir mesmo, e ela me fez aquela cara de What?! Pra não criar climao resolvi comentar como havia sirenes em San Francisco, e que achava aquilo engraçado. Acho q ela acreditou. O momento mágico da viagem foi o Golden Gate Park, sooooooo fabulous como dizem os americanos. Muito paisagismo, museus fantásticos, aquelas experencias sensoriais que ficam pra sempre na memória. Quem me conhece sabe q eu adoro gritar, especialmente quando estou feliz. Então eis que eu encontrei uma instalacao fantástica, não havia ninguem e pensei comigo mesmo, putz q vontade de gritar aqui. E o fiz, bem alto! O problema eh que americano tem delírios persecutórios e logo veio um segurança esbaforido para ver se não estava ocorrendo um incidente…

Para concluir bem a viagem fui curtir Sausalito, uma cidade do lado de San Fran com climao bem Búzios, restaurantes, turistas, roupa fashion e colorida. Momento gargalhada foi quando estávamos eu e alguns amigos discutindo sobre a palavra Bitch. Aqui se usa bitch pra tudo, que vai de uma escala de piranha `a querida mãe abençoada. A diferença esta na entonação, o cool eh dizer fazendo uma vozinha de Bart Simpson, quase uma cabra falando bitch. Its hilarious! Eis então que percebemos que a mesa tinha virado o centro de atenções do restaurante, a ponto de um grupo de senhoras canadenses vir tirar fotos conosco. Mas eu querendo então praticar a nova palavrinha, virei pra tiazinha canadense e mandei um: Bye bye have a Nice time bitch! Pra que? Ela fez uma cara tão feia, e perguntou: Where are u from? Eu sentindo que tinha feito besteira já fui pedindo desculpas, dizendo que estava aprendendo um novo termo e que quis ser simpático. Ela então comentou: take care with your friends lessons, honey! Eu concordei, fiz a linha simpatia, mas no final me deu uma vontade de mandar: have a good time bitch! Ok, deixo pra usar no Brasil com minhas amigas meeeeeeega bitch! Hoje no aeroporto um breve momento tensão, meu bilhete teve uma marcação SSSS, que deve ser algo do tipo suspect suspect suspect suspect. Um saco, tinha quase que fazer teste da farinha. Pra compensar, um vôo cheio de gracinhas da Virgin America. Os sérios mocinhos eficientes da TAM aqui são substituídos por rapazes e mocas saídos de um show de auditório, fazendo concursos, sorteios e o avião eh um luxo: todo roxo, cadeiras de couro, so glamurous, so san Francisco!

 Enfim, ameeeeeeeeeeeei San Fran! Como esperava, encontrei muita gente bacana em SF e tive experiências que guardarei para todo sempre, Agora parto pra loucura que deve ser Las Vegas. O ditado diz que what happens in Vegas, stay in Vegas, mas no próximo post eu trago a parte light da viagem. Bjs e obrigado pelos emails deliciosos que tenho recebido dos amigos.

 

See u, Andre Dametto

criado por andre.dametto    15:31 — Arquivado em: Sem categoria

21/9/08

You’re gifted… go to Hollywood

               

‘E com esta frase que muitos chegam ‘a terra do sonho dourado americano. E neste esp’irito aqui tambem vim conhecer esta cidade de 3,5 milhoes de habitantes, onde mais de 50% sao latinos e chineses, e outros 40% de americanos vindos de outros estados. Resumindo, todos aqui estao em busca de alguma oportunidade. As dimensoes sao homericas, e meu maior erro foi achar que minhas pernocas dariam conta do recado. Aqui os bairros sao isolados e t^em status de cidades, tendo inclusive arquiteturas e culturas muito distintas entre si. A dica entao eh alugar um carro (inviavel para quem esta viajando sozinho) ou comprar os tickets de 5 dolares, que vc pode usar o dia inteiro, quantas vezes quiser.

Agora vamos `as atracoes turisticas. Primeiramente, Hollywood Boulevard, onde temos a Cal’cada da Fama, o Teatro Chines e o Kodak Center. Aqui tudo respira cinema, alias Los Angeles gira em torno do mundo do cinema e da midia. ‘E como se fosse um cluster onde todas as empresas e profissionais atendem de alguma forma ao showbusiness (ou querem atender). O que mais me chamou atencao aqui foi a quantidade de freaks, gente diferente. Parece que estamos dentro de um sonho, as vezes pesadelo. Em um minuto passam por voce a mulher gato, o coringa, um senhor de cabelo desgrenhado discutindo consigo mesmo, skatistas, japoneses com suas cameras infaliveis e um monte, mas uma peeeeeeenca de garotas de 15-20 anos, estampando um ar super sexy, microsaia, salto 15, de bracinhos dados e perninhas mais finas que o seus bracinhos, fazendo um catwalk meio a la Gisele Bundchen. O objetivo aqui ‘e ser descoberto a qualquer momento, entao investe no modelito e se joga!

Entretanto em termo de freaks Venice Beach ganha disparado. O ar aqui ‘e menos fashion do que Hollywood, mas no quesito sonho esta praia nao fica pra tras. O som de fundo ‘e hippie, ou seria um mantra hare chrishna. Well, algo com tambores. O cheiro ‘e de incenso, ou entao salvia queimada, que eles amam por aqui, dizem que d’a onda e tudo. As gaivotas voam aos montes, sao como os nossos pombos. O visual eh composto por skatistas, malhadores, rappers, ripongas, artistas expressionistas e muitos turistas. Um destes artistas caminhava com uma placa em que estava escrito Fuck You em letras garrafais. Eu tambem mandei ele se fuder e ele riu. Los Angeles d’a muita liberdade para voce expressar quem voce ‘e ou deseja ser, entao o sonho de que aqui eh o lugar para se encontrar atrai muita gente. Entretanto, thats all about business, e no capitalismo nao tem lugar pra todo mundo. Vencem os mais fortes, ou os mais bonitos, ou os que tem a melhor rede de contatos, enfim… O lance ‘e que nao eh facil ser looser por aqui, e talvez por isso muita gente pira mesmo, explicando a profusao de tipos que encontramos nas ruas. Para evitar problemas eh bom tambem ter cuidado nas interacoes. Eu na linha de ser simpatico com uma senhora, fui elogiar o seu visu, afinal estava toda recatada de vestidao mas fechando no oculos escuro, imenso, colocando qualquer Prada no chinelo. Mas ela discretamente me fala its not fashion, its catarata

‘E muito comum tambem alguem vir puxar papo do nada. Uma tiazinha barbuda e pintora me fez uma pergunta que causou a reflexao da tarde: Por que as pessoas fazem amizades? Voc^e encontrou grandes amigos em sua Vida? Enfim… Nessa linha " vamos refletir" tamb’em fiquei viajando num paralelismo entre as cidades do mundo e o Brasil, e encontrei algumas semelhan’cas a partir das minhas experiencias. Los Angeles me pareceu uma grande Barra: imensa, colorida e um pouco artificial. Paris estaria para Santa Tereza, com seu charme natural, ruas a serem descobertas e um clima aconchegante. Lisboa seria algo como Laranjeiras e Cosme Velho, pacata, elegante e funcional. Madri ‘e meio Lapa, Rua do Lavradio, aquele agito que nunca dorme, e muita hist’oria pra contar. Barcelona seria Copacabana, numa miscelanea de cores, cheiros e sons dos mais variados tipos. Londres estaria para Sao Paulo, aquela profusao de predios, velocidade e modernidade fria. Amsterdam eu associaria com o Jardim Botanico, com um design `a frente do seu tempo, e descobertas a cada recanto. Berlim me lembra o Centro do Rio, um encontro da historia com a modernidade. Roma me lembra a Gloria, a gente detesta no primeiro momento mas conforme vai conhecendo melhor descobre que tem muita coisa boa. E Milao me lembra o Leblon, refinado e blaz’e.

O povo de Los Angeles recebe voc^e bem, eh comum um trato educado no dia a dia, motoristas de onibus (muitas mulheres condutoras inclusive) desejam bom dia, pessoas na rua pedem licenca e desculpa por qualquer questao, os carros esperam os pedestres atravessar, neste aspecto a sociedade americana eh mais avancada. Talvez pela historia do cinema, o americano ‘e muito performatico na sua oratoria, parece que sempre ha um grito de Luz Camera e Acao. Eles falam com bastante modulacao, estendem algumas vogais e fazem caras e bocas que enfatizam sempre o conteudo. Outra coisa que me chamou a atencao aqui tecnologia:desde o sistema de pallets que agiliza o embarque das bagagens nos avioes, ate a coleta mec^anica do lixo, que dispensa aquele monte de homens carregando lixo nos caminhoes. Mas o que mais me encantou foi a diversidade de carros: voce nao ve um igual ao outro, e cada um eh mais bonito que o outro. Aqui na California a moda agora eh ter dois carros: um Sport Utilitary Vehicle (SUV), lindo mas beberrao de gasolina, e outro ecologico, afinal na terra das aparencias pega bem estar alinhado com a causa da sustentabilidade. Falando em sustentabilidade, a fama do Brasil aqui em Los Angeles ‘e de pais avancado em termos de combustivel. Alguma propaganda fez os californianos acreditarem que nossa frota eh toda de etanol… Well, coisas do business.

Num mundo de muitos Mc Donalds, outlets, higways e carros car’errimos a chance de voce se saturar depois de 2 dias de viagem eh alta. Eu busquei ver me focar mais no lado arte/conhecimento/tecnologia por tras do consumismo, e eh possivel. Mas tem horas que tudo o q vc quer aqui eh ouvir um barulho de passaro, e ver a menor quantidade de gente possivel. E isso ocorreu num lugar muito bacana chamado Getty Vila, um espaco fora do tempo e do espa’co aqui nos EUA. Ela reproduz um cenario da Roma antiga, com seus pal’acios e jardins. A est’etica romana de beleza, equil’ibrio e funcionalidade ‘e valorizada, e isso explica muito da experiencia de bem estar instantaneo que sentimos ali dentro. A casa pertenceu a um magnata do petroleo que, como sempre, se arrependeu de ter explorado tanto a sociedade e resolver devolver em forma de arte. Ok, menos mal. A casa fica no caminho para Malibu Beach, que aliaseh bem mais bonita na televisao. Nao vi Pamela Anderson, mas vi os bikinis imensos que as americanas usam. Acho que sao maiores que as microssaias que vi em Hollywood. Alias, no quesito praia, bem como no quesito noite, o Rio de Janeiro d’a um banho. Gente, Ipanema so perde pro Caribe, Mediterraneo e sudeste asi’atico mesmo. No quesito noite, as casas noturnas aqui sao bonitas, as pessoas sao interessantes, mas falta Vida, parece tudo muito plastico… mas sem alma.

Enfim, Los Angeles foi uma experiencia valida, mas so voltaria aqui a trabalho, de preferencia estrelando um blockbuster. Hoje parto para San Francisco, na esperanca de encontrar mais alma, mais Vida naquelas ruas e suas subidas e descidas. Para minha mae e amigos que mandam sempre emails, mando aquele abraco muito especial, obrigado pelo carinho. Cada experiencia me faz lembrar de alguem em especial, eh como se viajasse com cada um por alguns instantes. Bem, vou indo nessa e em breve trago mais novidades das terras americanas.

Abs, Andr’e Dametto

criado por andre.dametto    14:35 — Arquivado em: Sem categoria

16/9/08

Pelas ladeiras de Santa

            

Último dia no Rio de Janeiro, aqueles momentos de felicidade, ansiedade, medo e uma infinidade de sensações que nos acometem antes de grandes jornadas. Quis fazer algo que eu realmente amo muito nessa cidade: passear em Santa Teresa. Tempo chuvoso, pela janela fechada do táxi eu prestava atenção em detalhes até então despercebidos: as quinas das casas antigas, os mosaicos dos seus ladrilhos, o equilíbrio caótico dos carros subindo e descendo as ladeiras… E assim eu entendia porque Santa Teresa é um pedaço apaixonante: ele me fazia me sentir em outro Rio, mais humano, mais real, mais alma. Nesse dia também um reencontro, um almoço calmo, vinho, neblina, e isso só confirmava que estava em outro tempo, em outro espaço. Toda viagem é uma pequena morte dentro de nós: algo vai embora, e um novo ressurge, e por isso viajo, para lidar com uma complexidade e sensibilidade que me transbordam, e que talvez somente Santa Teresa tenha compreendido. Um bj, até breve. André Dametto

criado por andre.dametto    1:34 — Arquivado em: Sem categoria

10/9/08

Efeito The Week

                                 

Há algum tempo venho observando um efeito interessante que um club de música eletrônica aberto há um ano no Rio tem causado. Nossa cidade maravilhosa sempre foi carente de bons espaços para quem gosta da cena eletrônica, até porque o carioca mediano acha que gastar na noite é coisa de paulistano, e que toda música eletrônica não passa de um tuntituntitunti sem graça.

 

Pois bem, alguém resolveu quebrar o paradigma e criou uma casa com boa qualidade de som, ar-condicionado eficiente, bom atendimento (!!!) e o melhor, livre de qualquer rótulo, senão o ideal do "universo perfeito" para os amantes da música eletrônica. Mas esse bla bla blá é para introduzir uma percepção que venho tendo junto a pessoas próximas: justamente por não buscar o rótulo e oferecer uma experiência de serviço de padrão internacional, a The Week tem atraído todo tipo de público.

 

Assim, uma casa noturna com um viés originalmente gay, está ficando cada vez mais desenviesada, com o perdão do neologismo. E aí vemos o colega ixpertu do trabalho contando da "balada" que curtiu com a namorada, a sua personal trainer encantada com os "bofes escândalo", uma profusão de garotos encantados com a possibilidade de encontrar muitas "amigas mudernas dos gays", e quando a gente menos percebe, estamos num ambiente mix que deixa o astral da casa mais real, valorizando a diversidade em toda sua plenitude.

 

Pode ser uma grande maluquice da minha cabeça, mas acho esse fenômeno muito importante para a questão da inserção da diversidade na pauta, pois de uma forma tácita, muitos heterossexuais estão verificando que os gays são como qualquer ser humano, sabendo se divertir, pagando suas contas, e querendo curtir um bom lugar. Indiretamente, curtindo e aceitando um lugar de viés gls, as pessoas (inclusive os próprios gays) modificam sua imagem sobre o público homossexual e vêem que gente é gente, e ponto!

 

Algo me diz que a primeira etapa da real inclusão do homossexual da sociedade está ocorrendo: a aceitação do outro. Isso passa pelo entendimento de que todos somos parecidos, com suas alegrias, dores, expectativas, pensamentos, sentimentos e comportamentos. Mas a meu ver a segunda e grande etapa desta inclusão começa agora: a auto-aceitação do próprio homossexual. Como sou otimista, creio que será uma conseqüência paulatina de uma maior aceitação do outro. Que venham as próximas gerações.

 

Abs,

André Dametto

criado por andre.dametto    12:17 — Arquivado em: Sem categoria

7/9/08

A hurricane is coming

 

                                                                                                                                                                                              

Em tempos de furacões, eleições presidenciais e abalos econômicos, não haveria época melhor para conhecer este país de dimensões continentais chamado Estados Unidos. Por muitos criticado, por outros adorado, este é o país que eu vou conhecer de perto a partir do dia 16/9. Como costumo fazer, vou registrar no blog minhas experiências, pensamentos, sentimentos e claro, os comportamentos mais interessantes, curiosos ou bizarros que eu possa ver e claro, experimentar.

Serão ao todo dez cidades, e levarei quase dois meses conhecendo o que cada uma tem de melhor para ser conhecido em cinco dias. Tanto tempo longe de casa e dos amigos vai ser suavizado com este blog, então vou gostar muito de saber que os amigos estão por perto, mandando carinho, dicas, enfim, viajando comigo. Minha intenção com este blog é mostrar um pouco de quem eu sou através das experiências, mas também de tocar um pouco a alma de cada pessoa que o lê, através do encontro de possibilidades.

Enfim, quero dizer que estou bastante feliz e animado com esta viagem, a preparação teve sua dificuldade (agendamentos, vistos, passagens, reservas, etc etc), mas é isso que faz a Vida ser mais gostosa: superação.

Bjs e conto com vc, meu parceiro de viagem,

André Dametto

criado por andre.dametto    14:05 — Arquivado em: Sem categoria
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