Saber livre

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10/9/08

Efeito The Week

                                 

Há algum tempo venho observando um efeito interessante que um club de música eletrônica aberto há um ano no Rio tem causado. Nossa cidade maravilhosa sempre foi carente de bons espaços para quem gosta da cena eletrônica, até porque o carioca mediano acha que gastar na noite é coisa de paulistano, e que toda música eletrônica não passa de um tuntituntitunti sem graça.

 

Pois bem, alguém resolveu quebrar o paradigma e criou uma casa com boa qualidade de som, ar-condicionado eficiente, bom atendimento (!!!) e o melhor, livre de qualquer rótulo, senão o ideal do "universo perfeito" para os amantes da música eletrônica. Mas esse bla bla blá é para introduzir uma percepção que venho tendo junto a pessoas próximas: justamente por não buscar o rótulo e oferecer uma experiência de serviço de padrão internacional, a The Week tem atraído todo tipo de público.

 

Assim, uma casa noturna com um viés originalmente gay, está ficando cada vez mais desenviesada, com o perdão do neologismo. E aí vemos o colega ixpertu do trabalho contando da "balada" que curtiu com a namorada, a sua personal trainer encantada com os "bofes escândalo", uma profusão de garotos encantados com a possibilidade de encontrar muitas "amigas mudernas dos gays", e quando a gente menos percebe, estamos num ambiente mix que deixa o astral da casa mais real, valorizando a diversidade em toda sua plenitude.

 

Pode ser uma grande maluquice da minha cabeça, mas acho esse fenômeno muito importante para a questão da inserção da diversidade na pauta, pois de uma forma tácita, muitos heterossexuais estão verificando que os gays são como qualquer ser humano, sabendo se divertir, pagando suas contas, e querendo curtir um bom lugar. Indiretamente, curtindo e aceitando um lugar de viés gls, as pessoas (inclusive os próprios gays) modificam sua imagem sobre o público homossexual e vêem que gente é gente, e ponto!

 

Algo me diz que a primeira etapa da real inclusão do homossexual da sociedade está ocorrendo: a aceitação do outro. Isso passa pelo entendimento de que todos somos parecidos, com suas alegrias, dores, expectativas, pensamentos, sentimentos e comportamentos. Mas a meu ver a segunda e grande etapa desta inclusão começa agora: a auto-aceitação do próprio homossexual. Como sou otimista, creio que será uma conseqüência paulatina de uma maior aceitação do outro. Que venham as próximas gerações.

 

Abs,

André Dametto

criado por andre.dametto    12:17 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Comentário por Flavia — 12 de setembro de 2008 @ 16:36

    Ar-ra-sou!

  2. Comentário por Liciane — 26 de setembro de 2008 @ 14:26

    Se me permite quero sugerir mais um ítem na pauta.
    Adoraria que a aceitação do outro abrangesse também os que optam pela não religião, ou seja, todos aqueles que são anti dógmas e se recusam serem rotulados. - Gente é gente, e pronto!

    Um grande abraço.

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