Saber livre

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29/10/08

O que aprendi nos EUA

              

É interessante como o regresso para casa é um dos momentos que mais gosto em uma viagem. É ancestral no ser humano esse conflito interno entre buscar o novo e ficar no conforto da sua origem. E é fato: o que mais acontece em qualquer viagem é a famosa resistência à mudança. Grande parte dos infortúnios que tive foram mais associados à minha resistência com uma nova cultura, do que necessariamente a um aspecto maniqueísta de bom versus ruim, certo versus errado. Um americano de primeira viagem em terras brasileiras também teria diversas críticas em relação ao Brasil. Aspectos positivos e negativos todas as sociedades têm, mas o ponto é: vamos aprender com o que dá certo, e crescer com equilíbrio em busca de uma Vida melhor.

Então, o que podemos aprender com os americanos? Dentre os pontos mais positivos que percebi, destaco os sensos de protagonismo e responsabilidade que o indivíduo assume naquela sociedade. Cada um se enxerga como o dono da própria Vida, traçando seus objetivos e correndo em busca dos seus sonhos, em vez de ficar esperando do presidente, do gerente, do professor, dos pais ou da situação econômica. Ou pior: invejando o outro sem fazer algo digno pra consegui-lo. Outro ponto fantástico é o senso de liberdade que é ofertado ao indivíduo. Como existem mecanismos de controle, até exagerados, entende-se que, respeitando as regras, cada um pode decidir fazer o que bem entender da sua Vida. Por isso existe tanta diversidade e respeito à diferença, como também se verifica nos países do Velho Continente. Gostei muito da valorização dada ao bom produto e serviço, e dos mais diversos tipos. Se você for bom no que faz, nos EUA há mais chances de você ser reconhecido. Você pode enriquecer como executivo, pintor de parede, engenheiro, cabeleireiro, dentista, escultor, o que for. O americano típico não é fanático por poupança, então, quando há dinheiro fluindo, eles consomem uma gama imensa de produtos e serviços, e movimentam a economia. Com isso, florescem a produção humana, os conhecimentos, a inovação, e por aí vai.

Numa escala entre pessimista e otimista extremos, me posiciono no ceticismo, mas com um olhar voltado para o positivo. Sendo assim, creio que o Brasil está caminhando em um movimento caórdico (caos + ordem), mas que tende a crescimento no longo prazo. Avanços são percebidos nos indicadores sociais, econômicos, e minha experiência profissional me faz conhecer um Brasil de Primeiro Mundo, com gente produtiva, inteligente, ética, bem sucedida, educada, bonita e saudável. O brasileiro de que me orgulho de chamar de co-patriota. Entendo que uma grande alavanca para nosso país está no mundo profissional, das empresas. Elas hoje impactam os mais diversos tipos de públicos e possuem praticas cada vez mais voltadas a resultados sustentáveis para estes públicos. Felizmente, existe todo tipo de gente, de empresa e de mercado, e cada pessoa, sabendo definir seu perfil e se posicionar corretamente, tenho bastante crença de que o Brasil continuará avançando através da revolução quase silenciosa que está acontecendo nas empresas.

Os paradigmas bem sucedidos da gestão das empresas privadas estão impactando casos e mais casos na gestão pública! Em época de eleição dos representantes do Poder Executivo em nossas cidades, convido o leitor a atuar como um auditor do candidato eleito, verificando o cumprimento do seu plano de governo, e principalmente, o alcance de resultados. Avançando, nossos municípios ajudam o Brasil a avançar, e tornar-se um exemplo de gestão pública para o Mundo. Sim, se é pra ter uma visão, que seja grande, como fazem os americanos. E, independente do seu novo prefeito, lembre-se de que seu sucesso, equilíbrio e satisfação de Vida dependem, principalmente, de Você!

Bem, pra concluir, algo leve e bem americano: vou fazer o Top Ten das cidades, da que eu mais gostei para a que eu menos gostei. Quero enfatizar que quando gosto ou não, me refiro às experiências que eu tive na cidade, não necessariamente aos atributos da mesma. Seria muita pretensão. Para montar o ranking utilizei quatro valores que uma André Dametto Experience precisa ter, nesta ordem: gente com Alma (a maiúsculo, de propósito), Arte (inclui museu, atrações turísticas, arquitetura, etc), Noite e afins (aham), e Comida (adooooooro comer). Pois bem, lá vai o tal do ranking:

1o Chicago – ganhou apertado, mas a Alma do lugar me faz lembrar de detalhes
2o San Francisco – delicinha, super transitável, cheia de atrações, curticao
3o Miami – fecha no óculos e capricha no bronze que hj a noite eh boa, co-le-ga!
4o Boston – os ares da cidade me fizeram ter abstrações e criações fantasticas
5o Nova York – Eh legal, gente! Tem lugar pra todos, must go de qq globetrotter
6o Disney – Gracinha, fofolete, organizada, its Ok! Um bj Mickey, me liga!
7o Fort Lauderdale – Praia! E praia! De repente, mais praia! Ah, eu moro no Rio…
8o Los Angeles – Tudo de chato que o Rio tem, sem o lado bom q o Rio tem…
9o Washington – Não deu tempo de conhecer bem, quem sabe outra hora
10o Las Vegas – O erro! Um dia volto de pirraca so pra conferir se eh isso mesmo.

Quem diria, Chicago! Pois eh, ainda bem que a Vida eh feita de risco e tomada de decisão! E eu, será que volto diferente depois desta viagem? 

Bjs, valeu pelo carinho de todos os amigos, e claro, um bj mais que especial pra minha mãe, minha companheira ETERNA de viagens físicas e metafísicas.

Andre Dametto

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25/10/08

Nova York: engula ou seja engolido

Caramba: Nova York! Fácil falar do que eh bacaninha nesta cidade. Ate quem nunca foi sabe enumerar as principais atrações e já ficou maravilhado com aquela profusão de prédios, design e o que ha de mais moderno em qualquer campo do conhecimento humano. Quem não se lembra exatamente do que estava fazendo quando caíram as torres gêmeas? Então, esta cidade povoa o imaginário de todo cidadão nesta tribo chamada Terra.

Pois bem, peco que descontem 50% do teor deste post em razão do meu cansaço apos 9 cidades esparsamente americanas, aumentado pelo frio de cortar que eu não acho nada elegante e um crescente teor nietzchiniano que as terras americanas me emularam. Mas gente: nem achei Nova York essa coisa toda! Sei la, mais de 50 cidades nas costas me dão cabedal pra dizer que, em termos de custo beneficio, Madri, Buenos Aires, Paris e Berlim ganham dis-pa-ra-do. Ate San Francisco achei mais interessante que NY. Realmente a cidade tem mil atrativos: arquitetura complexa, gastronomia no estado da arte, as roupas mais transadas, lojas com status de museu (com guia e tudo), museus de verdade (fantásticos), as ruas gracinha do Soho e Village e o Central Park, a experiência mais gostosa que tive na viagem. Mais detalhadamente, em uma igreja na 5th Avenue, que bordeia o parque, onde tive a felicidade de ficar durante 10 minutos sem ver uma vivalma.

Não sei se isso acontece com todo mundo, mas caramba, depois de 50 dias por aqui eu simplesmente fiquei fatigado de falar inglês. Ou eu não aprendi necas nas Culturas, Brasas e Anglo-Americanos da Vida, ou o povo aqui eh muito ruim de prosa. Nossa, eles não entendem nada do que a gente fala, vc tem que repetir toda hora, mudar a acentuação, e, quem sabe, eles entendem ou você finja que entendeu a resposta. Taxista então eh mestre em não entender nada do que a gente fala. Tinha horas que eu preferia me comunicar com sinais, grunhidos, qualquer coisa que me poupasse energia. Nessa linha catarse, quando eu ficava muito fulo, mandava uma carreira de 5 palavroes bem cabeludos na nossa bela língua portuguesa. A dica eh não olhar pro interlocutor, porque ai vc ta manifestando a sua liberdade de expressão, devidamente registrada na Constituição Americana. Da um alivio gente, aff. Alias, eh fato: sua fluência em uma língua estrangeira eh diretamente proporcional a confiança e intimidade que você tem com quem vc se comunica. Eu ia da turma de beginners ao advanced em minutos. Da uma conferida e depois me fala.

Foi cult caminhar no Central Park ouvindo Gaiola das Popozudas. Talvez tenha gostado tanto do Central Park por que la foi um dos poucos momentos em que tive paz em Nova York, em que não estava cercado por prédios e multidao. Eh incrível como você eh importunado a cada cinco minutos: uma hora, uma horda de turistas cheios de sacolas esbarrando em você como se fosse um joguinho de pac man em tamanho real. Outra hora eh um vendedor de cd de hip hop que quer q vc incentive o trabalho dele. Depois algum representante de uma ONG que quer salvar as crianças da Etiópia com a sua contribuição, eh claro. As famigeradas sirenes de Boston e San Fran dão lugar as buzinas. Muitas conversas de celular, e nos lugares mais inusitados. Muitos pedintes tambem, gente com fome, eh surreal. Gente louca acontece: destaque para uma senhora que, ao ver que um big carro parou na faixa de pedestres, disparou a dar varias bengaladas, e com forca, no capo do carro, deixando o saradao que o dirigia num misto de ódio e inação com aquela pobre senhorinha. A cena valeu por dois Mamma Mias… Sem falar nas vitrines e merchandisings que vc com certeza não passara incólume.

Destaque para as lojas da Prada no Soho, Louis Voitton e Apple na 5th Av: souberam fazem “Marteking” direitinho, trabalhando bem o conceito de Marketing de Experiência. Na loja da Abercrombie & Fitch você se sente na The Week: vendedores-modelo, house nas alturas, uma guerra de perfumes no ar, clientes afetadinhos (inclusive eu) desfilando e fazendo caron. Dois dias em NY e tem uma hora que sua cabeça começa a girar, e vc não sabe se esta num sonho, e dai pra vc achar que sua conta aumentou 3 digitos, que o dólar caiu de novo, que as suas ações da Vale dispararam, eh um pulo pra vc gastar horrores na Madison Avenue. Gente, chega a ser quase nojento como eles pensam em todas as formas de fazer vc abrir sua carteira a todo momento. E nesse mix de glamour e decadência do ser humano eh melhor vc ficar com a 1a opção pra não estragar a viagem. Bem, eu falei que Nietzsche tem me rondado bastante ultimamente…

Alias, como o homus capitalistus carrega cacareco. Varias vezes tive vontade de dar um grito e largar tudo no meio da rua. Contei rapidamente 20 itens que usualmente a gente carrega: casaco, óculos, luva, gorro, cachecol, guarda-chuva portatil, celular, fone de ouvido, câmera, carregador de celular, carregador da maquina, os seus respectivos fios que adoram se enrolar, agenda, passaporte, carteira, caneta, guia, folders das atrações, kit beleza-higiene e uma ou duas sacolas das compras q vc faz, aqueles papeizinhos tenebrosos pra vc entrar no ônibus do city tour. Alias, como eu detesto papeizinhos soltos e fios enrolados. Eles estão sempre enchendo o saco, e quando a gente precisa de um em especifico, eh uma paura.

Bem, a noite. Vi em NY uma noite bem multifacetada. Não existe nenhum mega club a la Rio de Janeiro. Muitos lugares freak, prefiro não entrar em detalhes. Mas destaco a noite de sábado na Pacha, onde vi vaaaaaaaaaaaarias japonesas Tókio. Segundo meu mineirissimo amigo Breno, Japonesa Tokio pode ser vc, eu, sua mãe, seu vizinho, qualquer pessoa que esteja pronta pra qualquer situação que surja durante seu dia. O outfit (e a atitude, claro) serve pra malhar, jantar com o bofe, para uma reunião de negócios, e ate pra dançar. Sim, esse visu existe! Adorei também ver as manifestações da clientela das boates, uma coisa a la Chicago. Diferente do ar inseguro e blaze que carioca e paulistano adoram fazer na noite, americano eh hollywoodiano, adora dar close no dancefloor! Todas querem ser Pussycatdools, Britney, Beyonce, rapper and so on. Me lembrem pra eu falar em off da “Roda das Boo-nee-tas”. Hi-la-rio!!!

A Arte: bem, a Arte eh a minha resposta atual para uma serie de indagações. Já encontrei algumas na ciência, muitas na filosofia, poucas nas religioes, mas a arte tem sido uma grata surpresa. NY foi muito rico: Guggenheim, MoMA, Metropolitam e City Museum, o suficiente pra não virar consumo de arte tambem. Enquanto estava em NY recebi uma mensagem fantástica, que coloquei no post anterior a este. Ela fala de como o ser humano valoriza alguém ou algo dentro de um contexto. Assim como em Miami, em NY muita gente consome arte dentro do contexto. O lugar onde mais encontrei Arte pela Arte foi em Chicago. E agora, compartilho a indagação para a qual ainda não encontrei uma resposta: reside aqui nos EUA uma grande paradoxo. Algo que eu penso eh que eh muito triste vc estudar anos e na hora de produzir não existir mercado para o seu conhecimento. Pelo menos aqui nos EUA, apesar de fordista e meio panaca, existe um consumidor pra tudo: cacareco, serviços, arte. Se produz muita arte, se consome também muita arte, mesmo que de forma contextualizada. E fica a duvida: o que eh pior: pouca gente valorizando arte como no Brasil, ou muita gente valorizando arte, mas de forma contextualizada, como nos EUA? Vou adorar receber a sua opinião. Falando em contextualização, a moldura “brasileiro” faz o americano criar uma serie de preconceitos a seu respeito, e na verdade eles nem querem (ou nem conseguem) ver sua essência de verdade. Eles adoram falar que brasileiro eh hot. Ok, next!

Voltando as vacas magras, o 11 de Setembro eh um marco na cidade, tanto que os guias comparam tudo a esta data: este eh o 1o prédio construído apos a queda das torres, aquele eh o 1o prédio projetado, aquele outro eh o 1o com sistema preventivo contra choque de aeronaves, e por ai vai. Dizem que na época do atentado, o nova iorquino ficou mais dócil, mas que não demorou 6 meses o jeito arrogante, apressado e frio a la São Paulo voltou correndo, de costas e de salto alto. Mas eu entendo o nova-iorquino gente: nessa profusão de gente, barulhos, enfim, estímulos, eh necessária alguma defesa, uma casca, senão eh fato: vc pira. Como todo ser humano, tudo o que o nova iorquino quer eh ser amado. Mesmo que ele compre esse amor… como falei no post do Sex and the city, no Dia dos Namorados. Alias, mais uns tres meses nos EUA e eu perco os dois parafusos que ainda me restam, não dou conta dessa terra não… Sei que eh super papo de jogador de futebol, mas quero dormir na minha cama, comer feijão, poder beber na rua, dançar ate as 8h, receber olhar simpático e tranqüilo dos prestadores de servico, cordialidade na hora de dar informação, enfim, nosso Brasil que da certo. Acompanho os jornais do Brasil pela internet e vejo algumas noticias que me trazem a nossa realidade por ai. Fica nítido que amo o Brasil, mas simplesmente detesto o conceito “Zé-povinho”, aquele brasileiro babaca, ignorante, desinformado, e que não faz questão nenhuma de evoluir. Se não fosse o mesmo, nossa, o Brasil seria per-fei-to. Por isso, novamente, E-DU-CA-CAO eh a chave pra essa nação. Trabalhemos!

Então, eis que chega o fim da jornada americana. Passei um dia em Washington, a Brasília dos EUA. Muito prédio branco, cidade limpinha, organizada, uma noite absurdinho, e aquela grosseria basica dos prestadores de serviço. Enfim, EUA, um beijo.

Andre Dametto

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22/10/08

Valor e contexto

                 

Bem, a viagem terminando, eu curtindo os ultimos dias, NY aquela loucura q a gente sempre imagina, e nada melhor como receber por email uma reflexao fantastica sobre o valor intrinseco das coisas e como ele eh percebido. O cenario, um metro nos EUA, eh caro. La vai a historia: Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito desce na estação do metrô em Washington DC: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. A experiência, gravada em vídeo http://br.youtube. com/watch? v=hnOPu0_ YWhw , mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte. A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser? Essa experiência mostra como, na sociedade em que vivemos, os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro. Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho. E voce, quer continuar fazendo parte do rebanho?

criado por andre.dametto    17:51 — Arquivado em: Sem categoria

16/10/08

Dando pinta em Boston, sim!

              

Sábado de manha, noite virada, chego sonolento em uma Boston com belas paisagens, céu azul e muito sol. Pra variar, pego um destes taxistas sonsos ou desinformados que querem q o passageiro ensine o trajeto pra eles. Preferi saltar no meio do caminho e pegar metro, me cansou menos. Como eu esperava, a cidade realmente tem cheiro de biblioteca. Ainda não fui a Irlanda, mas os entendedores dizem que Boston é uma mistura de Dublin e Londres. Vemos muitas daquelas casas de tijolinhos, dando a cidade vários tons de marrom. Todas devidamente refletidas nos imensos e modernos prédios espelhados, afinal, its United States! Aqui foram instalados os primeiros assentamentos dos EUA, a partir da colonização inglesa por volta de 1620. Também por aqui foram estabelecidos os fundamentos de liberdade que culminaram na independencia dos EUA em 4 de julho de 1776. Por isso os primeiros museus, universidades e sistemas urbanos dos EUA surgiram em Boston. Alias, curiosidade: a Constituição americana eh a mais antiga do mundo! Fruto das mentes proeminentes que desde seu surgimento transitavam pela Nova Inglaterra. Para ressaltar um DNA ingles, metade das atrações no centro bostoniano levam o termo Old ou First no nome: igrejas, museus, livrarias, meios de transporte e ate cemitério. Alias, por aqui encontrei o inglês mais difícil de se entender, alem de falarem mais rápido e para dentro, o acento eh mais britânico. O hot dog californiano aqui vira um hat dag, de tanto que eles puxam as vogais para a letra a. Falando em comida, hoje reparei que americano quase não usa faca, eles partem quase tudo com garfo ou colher. A cidade não eh tão grande, tem por volta de 600 mil habitantes. Fácil de transitar, ha ônibus e metro para todos os cantos, e as dimensões são infinitamente menores que Los Angeles, Las Vegas ou Orlando. Por todo lado vemos escolas, faculdades e universidades. Duas das instituições mais destacadas do mundo acadêmico estão por aqui: Harvard e MIT. Ao todo ha cerca de 50 instituicoes de ensino superior na cidade, o que atrai gente de todo Mundo querendo esta formação reconhecida mundialmente. 1/3 dos habitantes de Boston são estudantes. Por isso impera nas ruas o Nerdstyle: tons pastel, algum xadrez, combinações bem cafoninhas, muito pijama sendo usado na rua, alem de casaco, cachecol e boinas por causa do frio. Cor mesmo vc so vai encontrar nas mil e uma papelarias fantásticas que encontrei na cidade, com os cadernos e papeis de presente mais criativos que vi na minha Vida. O comportamento do bostoniano em geral também é bastante nerd: comportado, desconfiado, esnobe e competitivo. E isso quem afirma são os próprios. Algo que venho atentando em todas as cidades dos EUA, mas aqui em Boston ficou mais evidente, eh a educação protocolar do americano. Por exemplo, eles agradecem o motorista de ônibus mais truculento. Você agradeceria? Os lojistas perguntam como vai seu dia, como foi o fim de semana, mas não esperam muito dialogo. Eu gosto de responder que vou bem e pergunto como eles estão, as reações vão da lagrima contida ao súbito espanto. Como o blog tb eh cultura, um pouquinho de reflexao marxista sobre mais-valia: fiquei abismado quando soube que o homem-hora médio de um barman/garcon aqui nos EUA é US$ 3, menos que no Brasil, creio eu. Sendo assim, grande parte da remuneração destes trabalhadores vem das gorjetas que os clientes dão. Eu sempre via que todo mundo dava uma ou mais notas de US$ 1 para o barman, mas achava que fazia parte da educação protocolar americana. Mas não, eh solidariedade mesmo, pois o valor do drink vai para o dono do estabelecimento e o governo. Ai acontece o excesso do trabalho: quem eh rico quer ficar cada vez mais rico, já o pobre, tem que ralar para pagar as contas do mês. E assim todos trabalham muito, e sinceramente, o que menos se vê nessa gente toda eh serenidade e felicidade. Tenho achado o americano bem cabisbaixo, talvez reflexo da crise. E da-lhe a comprar, tomar ansiolitico e jogar no cassino para não refletir muito. Ai, ai, ai. Enquanto nas outras cidades americanas minha cor de canela e inglês com latin accent faziam sucesso, por aqui quase passei despercebido, pois o que não falta em Boston eh carioca. Muitos vem para trabalhar em torno da economia de serviços que o setor da educação movimenta. O maior numero de imigrantes em Boston eh de brasileiros, muitos do Rio e Goiás. Alias, tive a felicidade de reencontrar uma amiga de infância, a Luanda, que me recebeu em sua casa, com uma família linda. Fazia 10 anos que não nos víamos, e este reencontro foi muito bacana. Outro ponto memorável foi o bairro do Beacon Hill, cheio de antiquários e restaurantes delicinha. Ótimo para pedir um cappuccino e ver a banda passar. A volta do passeio aconteceu pelo Boston Common, o parque mais antigo das Américas, saído diretamente de um conto de fadas. Pra completar a experiência, um jantar bem gostoso com Gary e Danielle, um irlandês e uma italiana super gente boa que conheci na cidade. Andar por Harvard eh uma viagem no tempo e espaço: seus jardins, cafés e livrarias criam uma vontade imensa de experimentar sua comentada reputação de ensino. Quem sabe um doutorado? No Museum of Fine Arts obtive uma das respostas mais instigantes que vinha buscando na viagem, e isso eh simplesmente maravilhoso. Alias, eh fato: minha satisfação com uma cidade eh diretamente proporcional as pessoas e lugares que eu conheço. Por isso não existe cidade legal ou chata, e sim experiências legais ou chatas. Ate mesmo Las Vegas pode vir a ser, futuramente, uma boa experiência. Who knows? Outra coisa: toda cidade/pais tem seus pontos fortes e fracos. Como disse uma outra amiga, eh muito fácil enxergamos a grama verde do vizinho, mas todos os jardins tem belas flores e suas pragas. O interessante eh aprendermos com o que cada local tem de melhor, e adaptarmos nossa realidade para que a sociedade evolua. Por isso, volto ao Brasil com muitos aprendizados de todos estes lugares, e dentro da minha trajetória pessoal e profissional meu papel eh conciliar tudo de bom que já experimentei na Vida. Sempre me lembro de uma amiga de São Paulo que ao se despedir pediu pra eu “dar muita pinta” nos Estados Unidos. Morremos de rir, afinal se tem algo que sei e gosto de fazer eh dar pinta. Dar pinta eh mostrar quem você eh, se colocar em primeiro lugar sempre, eh se comunicar verbal e não verbalmente, e de vez em quando ate afrontar mesmo, por que não? Mas o lance eh que ser diferente incomoda demais as pessoas, principalmente as desinformadas, e como não sou zen, eu eh que fico incomodado quando alguém fica tirando sarro com a minha cara. Aqui nos EUA, se vc estiver bonito no shopping, dando aquela pinta do tamanho do Empire State, mas com o cartão platinum reluzindo, o tratamento eh uma maravilha, protocolar eh claro. Já na rua, eh vc passar por um rapper preconceituoso ou pela jovenzinha cheia de sarda que não foi selecionada para o American Idol, eh um show de muxoxo, risadinha, coxixo ou ofensa. Eh triste, mas enquanto no Rio de Janeiro cidadania eh trabalhar na Rede Globo, nos EUA eh estar em um ambiente devidamente monitorado e de preferência com 3 cartoes de credito a sua disposicao. E olha que o que não falta nos EUA eh diversidade. Ui, falei! Em compensação, venho aqui destacar um ponto bem positivo dos americanos: as pessoas possuem uma nocao de propriedade e limites muito interessante. O que eh seu eh seu, o que eh do outro, eh do outro, e ponto. No primeiro caso acho que foi sorte mesmo, mas como contei em outro post, encontrei minha carteira no mesmo lugar onde havia deixado a mesma, dentro de um ônibus, ou seja, para um carioca como eu, mi-la-gre. Em Boston, situação semelhante: tive um bem perdido e devidamente guardado ate meu retorno. Também achei interessante a jovem que pediu que eu olhasse sua bolsa e notebook em uma lanchonete, enquanto ia ao banheiro. Vc faria isso no Brasil? Onde, me conta. Enfim, enquanto Chicago foi incubação de idéias e divagação, Boston com seu ar acadêmico foi uma tonica de realização e contextualização de respostas que eu vinha buscando. A cidade permitiu um fluxo bastante interessante de pensamento e sentimento, muito necessários para a criatividade que eu vinha buscando. Nos vemos com certeza algum dia Boston! Agora, que venha Nova York, e como não poderia deixar de ser, im so excited about that! Lets check! See u, Andre Dametto

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12/10/08

Chicago: uma grata surpresa

                 

Você conhece a Oprah Winfrey, aquela apresentadora americana que faz um programa meio Hebe Camargo meio Márcia Goldshmit ? Então, eu simplesmente adoro a Oprah, acho ela inteligente, comunicativa, bonita, bem sucedida, atuante, enfim, ela acontece! Pois bem, o que leva a Oprah e Obama, o democrata candidato a presidência, a escolherem justamente Chicago para morar? Foi com essa questão que cheguei numa segunda-feira a noite a uma nublada, gelada e ventosa Chicago, com cheiro de industria, constantes barulhos de trem e sirenes, uma ambiência a la São Paulo. Pois bem, eu que não sou bobo nem nada e estou de ferias já chego na cidade com um roteirao básico de atrações turistas, e claro, nights interessantes, onde eu geralmente conheço os meus guias informais de viagem. E não eh que uma das melhores noites de Chicago acontece justamente numa segunda-feira? Então la vou eu para a uma festa de curioso nome Boom Boom Room, que o guia descreve como sendo uma experiencia musical onde transformistas e a alta sociedade curtiam house music de primeira. Pois bem, se em Miami encontrei as melhores infra de boate, aqui em Chicago eu encontrei o melhor house tribal dos EUA ate o momento. Cheguei por volta de uma da manha com uma pista já borbulhante, e juro que no primeiro momento fiquei bem assustado, uma sensação de que poderia acordar no dia seguinte sem um rim, sei la de onde tirei isso. Eh que era muita informação junta, não conseguia encontrar um nexo para aquele conjunto, e percebi que a falta de nexo era a tonica daquele lugar. Umas cervejas e musica de primeira logo me fizeram curtir, e aos poucos me enturmei. Icônicas são as cenas dos go-go-alguma coisa extremamente profissionais e fantasiados que davam allure ao ambiente. Mais interessante era a profusão de clientes do club que resolviam fazer as suas próprias performances. Destaque para uma japonesinha que mostrava sua maestria no hip hop, para um homem bem parrudo vestido de Rainha Vitoria, todo de preto, e para um bailarino que freneticamente levava sua perna a cabeça, numa esquizofrenia que fazia o povo delirar. Outro ponto curioso foi a quantidade de transformistas negros, cada uma mais ousada que a outra. Uma hora a Beyonce passava do seu lado, depois a Whitney e gente, ate a Oprah estava no Boom Boom Room. Eu achei o ma-xi-mo! Se não foi a noite mais marcante da minha Vida, com certeza a de segunda-feira foi. Talvez a explicação para uma casa cheia em plena segunda-feira eh o fato de haver na cidade muitos artistas que não obedecem o tradicional esquema segunda-sexta, 8-18h. Andar por Chicago eh por si so uma experiência sensorial. Primeiro, visualmente você de depara com os prédios mais lindos e altos da sua Vida, uma mistura de arquiteturas que conversa direitinho. Para completar, uma lei municipal obriga que toda construção e reforma invista 1,33% do orçamento na aquisição de obras de arte, o que torna Chicago um museu a céu aberto. Destaque para o Millenium Park, onde convivem esculturas modernas, paisagismos, um palco de concertos fantástico e aquele skyline de tirar o fôlego. Ponto para os EUA: por aqui arte eh valorizada, mesmo que de forma industrial. Bem que podíamos copiar a idéia. Somando-se este fato a um histórico de formação cultural musical bem forte, Chicago eh um pedaço dos EUA onde a sensibilidade tem mais espaço para aflorar, e talvez isso explique porque foi uma grata surpresa conviver com os habitantes da cidade. Atenciosos, corteses e comunicativos, fazem questão de receber bem, dão informações. Por aqui também se fala que se trata de uma vontade imensa de cativar o outro por se sentirem um pouco menos por serem a 3a cidade dos EUA, perdendo para NY e LA. Sonoramente falando, eta cidade pra ter sirene. Alias EUA e Europa eh tanta sirene que a impressão que me da eh q as pessoas ligam para o bombeiro quando quebram a unha. Gustativamente, Chicago tem restaurantes pra todos os gostos. Pra variar eu me acabei na Thai Food e experimentei os famosos deep dish (pizza com casca bem grossa e recheada) e o famoso hot dog. Naquela linha comparações, tentei encontrar algum lugar no Rio ou Brasil que se assemelhe a Chicago, mas a única referencia que me vinha a cabeça era Berlim, com aquela maravilha de prédios futuristas e uma veia artística memorável. Digamos que a Vila Olímpia em Sampa com sua arquitetura modernosa e ateliês de artistas da nova geração lembrem um pouco Chicago. Assim como Berlim ressurgiu apos a queda do muro e a Vila Olímpia deu adeus as suas casinhas para abrigar os arranha ceus, Chicago também tem seu lado fênix, já que em 1871 um grande incêndio ardeu a cidade durante 4 dias, deixando apenas esqueletos de aço, os quais hoje explicam o Chicago Style, uma arquitetura que aproveitou a base de aço e sobre ela refez sua arquitetura, pinçando aspectos das mais diversas escolas. Fato inusitado eh um prédio todo modernoso, uns 70 andares, que segundo alguns moradores, seria a representação de uma grande vagina, em razão do seu topo em forma de losango, inclinado para baixo e com uma grande fenda no meio. Diz a lenda que foi o troco de uma arquiteta em razão de a grande massa dos prédios no mundo ser projetada por arquitetos. Ta, meu bem! Ate que enfim surgiu uma Chicago na viagem, tem horas que tudo que nossa alma quer eh surpresa, e com certeza a windy city of big shoulders, com sua arte, arquitetura e gente fantástica me cativaram. Que venha Boston e aquele cheiro de biblioteca que a cidade me passa. Vamos ver o que rola de bom por la! Abs, Andre Dametto

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7/10/08

South Beach: voce vai ver e ser visto!

               

A impressão que tive em South Beach, uma ilha de Miami que por si so vale a viagem, eh de que o verbo aparentar eh conjugado em todos os tempos possíveis. Vamos começar com um pouquinho de historia: anos 1920-1930, aquela crise economica desolando os americanos, uma grande depressão generalizada, e como a industria de remédios ainda não tinha inventando tantas pílulas como as de hoje, a inteligentzia americana logo tratou de criar um paraíso dentro dos EUA para criar um ambiente de renascimento. Melhor lugar que Miami, im-pos-si-vel! Muito sol, uma miscinegacao de culturas deliciosa, aqui se vê de tudo meeesmo, como falei português por aqui alias. Para dar um banho de loja na cidade sem gastar muito, nada melhor do que a arquitetura art deco, que eh barata e hiper funcional. Suas linhas retas e cantos arredondados facilitavam as construções, e tambem a circulação de ar, afinal de contas, não havia havia ar condicionado e o calor eh equatorial. Enquanto o calor de Las Vegas gera nas pessoas um estado de delírio, em Miami o estado eh de excitação. Fiquei sabendo que muitos americanos escolhem esta cidade para curtir a aposentadoria, clima quente faz bem para os ossos e ambiente iluminado ajuda a curar depressao. Este blog também eh cultura! Logo Miami foi atraindo cada vez mais turistas, e como toda cidade portuária que se preza, alem de todos os tipos de pessoas, chegavam os mais diversos tipos de produto por aqui: eletrônicos, roupas, bebidas, comidas, uma infinidade de coisas que tornam Miami um grande shopping a céu aberto. As lojas praticamente não fecham, e em pleno mês de outubro, época de baixa por aqui, os lojistas quase o puxam pelo braco pra vc levar alguma coisa. Esta diversidade fez com que Miami se tornasse uma cidade extremamente visual, colorida. Rola muito neon, luzes piscando. Tudo eh muito estético: as pessoas, as roupas, as comidas, a arquitetura, a arte, sim a arte. Percebi que para fazer sucesso por aqui o artista tem que dar um jeito de fazer sua obra “dar um grito”. Eu elegeria nosso conterrâneo Romero Britto como um ícone para explicar a arte que prospera em Miami: cores fortes, imagens alegres, um certo descompromisso com qualquer reflexão mais profunda, algo para ser rapidamente entendido e incorporado no seu living. Definitivamente o impressionismo não teria nascido por aqui. Depois de cinco cidades fica nítido como o americano “toca a Vida”, foca no produzir, consumir, no pensar pra frente, no que da certo, não rola muita reflexão. Como tudo na Vida, ha o lado bom e o lado ruim. O que extraio de positivo do mindset americano eh o seu foco no que da certo, no pensamento abundante. Com doses de equilíbrio na reflexão creio que chegamos no ponto certo… Enfim, voltando! Nesta de linha de aparecer mais do que o outro, vemos muita gente bonita (ou trabalhada), altas producoes, cada hotel mais magnífico do que o outro. Os lobbies mais criativos dos EUA ate agora: destaco os hotéis Delano e Victor. U-ma-gra-ca! E finalmente encontrei bons clubs, ufa! Ate então so consegui ir em clubs engraçadinhos mas sem energia. Miami sabe fazer festa igual brasileiro, as festas não tem hora pra acabar, e as boates daqui causam em termos de deco, temos a aprender com eles. Cada arquitetura q so vendo. Destaque para o globo giratório da Click q mudava de cor e a passarela de desfile com um poste de pole dance no meio da boate para quem quisesse brincar de anjo da Victoria Secrets. Alias, como vi mulher dando bafao na pista, a-do-ro. Mas o que me marcou mesmo aqui em Miami foram as avenidas Ocean Drive e Lincoln Road, onde o hit era desfilar o modelito que vc comprou nos mil e um outlets espalhados. Nessa hora, muito conhecimento de moda: a chance de vc comprar uma roupa nada a ver eh alta. A moda masculina aqui valoriza uma camisa cheia de estampas, grafismos, brilhos, que somados aos cintos de fivelas imensas e os sapatos a la cowboy com Svarovsky no bico fino, deixa vc parecendo uma drag queen na metade do caminho. Já as mulheres, quanto mais vaporoso e fluorescente o outfit, melhor. Por aqui chamam de sparkling style. A impressao que me deu eh que em época de vacas magras os vendedores querem empurrar o que for para o cliente desavisado. Na linha comparação, Miami eh suuuuuuuper Ipanema. A galera que mora por aqui eh bem estilo carioca. Primeiro, rola um certo carão para se mostrar diferenciado num mar de beldades, mas depois quando você conhece um pouco o povo rola um entrosamento que funciona bem ate a pagina 4. Em termos de turistas rola bastante diversidade: new rich, globetrotters, intelectuais, mas a grande massa eh de wanna be, sem muita cultura, educacao e conhecimento de historia. Enquanto as mocinhas do catwalk de Los Angeles pelo menos entendiam de produção de moda, em Miami vi muita gente afetada, preconceituosa e incomodada com a diferença. Enfim, aceitemos os mesmos para não incorrer no mesmo erro. Alguns amigos escreveram preocupados, e aqui faço uma ressalva: a viagem esta valendo muuuuuito a pena. Meus relatos ora mal humorados, ora sarcásticos, são apenas uma válvula de escape. Mas eh legal ver que quando eu falo isso tudo para alguns americanos eles entendem meu ponto de vista e ate concordam, principalmente com o conceito de bolha que mencionei nos outros posts. Com certeza a viagem esta valendo a pena, como qualquer viagem valeria, pois nos proporciona conhecer novas pessoas, lugares, cheiros, gostos, enfim, Vida! Falando em gosto, o sabor de Miami realmente eh tutti-fruti, mais especificamente Passionberry Twist. Bjs em neon azul ciano, Andre Dametto

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4/10/08

E o direito de ir e vir?

               

A base de um sistema democrático eh a possibilidade de todo cidadão poder buscar o alcance dos seus resultados a partir de um mesmo ponto de partida. Com base nesse pressuposto, todo cidadão deveria ter acesso a educação, saúde, transporte e segurança no mesmo nível, de forma que a busca competitiva pelo êxito pessoal e profissional fosse mais igualitaria. Mas você acredita em coelhinho da páscoa? Nem eu no sistema democrático. Na teoria tudo eh muito bonito, mas na pratica o que vemos são os excluídos cada vez mais excluídos, e aqueles que já possuem boas condições de Vida sempre saindo na frente. Aqui nos EUA estou sentindo na pele o que eh ser vilipendiado do direito de ir e vir. Num pais teoricamente democrático, o cidadão que não sabe dirigir e tenha seu próprio carro, eh exposto a um sistema de transporte publico de-pri-men-te. As distancias por aqui são homéricas como eu sempre falo, mas para piorar, se você não tem um carro (ou alugou um, no meu caso de viajante), eh exposto simplesmente ao descaso de ônibus extremamente demorados, sem regularidade. Para piorar, o atendimento dos motoristas eh geralmente mal educado, ate porque eles sabem que quem precisa daquele serviço eh o excluído ao quadrado, já que ter um carro nos EUA custa bem menos que no Brasil. Bem, e se eu não quiser comprar um carro? E se eu não sei dirigir? E se eu sou um turista? E se eu bebi e não quero dirigir? Ok, pegue um taxi! Engano seu, bobinho! Taxi por aqui também eh um serviço abusivo. Alem de raros, e por isso caríssimos, na maioria das vezes são gerenciados por um cartel de imigrantes que fazem o que bem entendem com os passageiros, criando rotas mirabolantes, falando línguas que eu não entendo, enfim, totalmente equivocado! A questão logística sempre eh o maior estresse em uma viagem como a que estou fazendo. Fazer dez cidades em dois meses eh coisa para guerreiro, mas com todos esses complicadores dos Estados Unidos em alguns momentos fico bastante estressado. Por causa disto aconteceu um fato que so comprova o quanto não estamos sos na Vida, e que realmente não estou viajando sozinho. Sempre acreditei no Divino, mas o fato que vou relatar so comprova que existe uma inteligência superior, chamem vocês como quiserem: Deus, Maomé, Buda, como for. Eu prefiro chamar de Vida, essa entidade superior que explica o transcendental. Vamos ao fato: numa dessas correrias de subidas e descidas esbaforidas de ônibus, eu simplesmente deixei sobre o banco de um ônibus publico de Fort Lauderdale o meu porta-documentos, contendo nada mais nada menos do que: meu passaporte, meu visto, minha liberação para sair dos EUA, três cartões de credito, dinheiro cash e cartões de visita. Ou seja, num pais capitalista como este, eu simplesmente passei a ficar nu a partir daquele momento. E desesperado quando tomei conta da situação, já dentro de outro ônibus. A primeira medida que tomei foi saltar imediatamente do mesmo, a fim de evitar aumentar ainda mais minha distancia do ônibus original onde tinha deixado a carteira, isso ha menos de 5 minutos. Entretanto, no meio do nada, sem dinheiro, identidade e cartões telefônicos, eu estava literalmente perdido. Bateu um desespero daqueles: suei frio, chorei, gritei de raiva, mas depois da catarse respirei fundo e pensei: vamos la, o que uma pessoa sensata faria agora? Lembrei que se tratava da linha 40 e meu objetivo a partir de então era descobrir onde era o ponto final desta linha. Um ônibus 36 passou ao meu lado e perguntei onde era este ponto final, ao que ele me indicou que fosse ao outro lado da rua, onde passava o ônibus 40. Numa daquelas chamas divinas da Vida, vem em minha direção um ônibus 40, e nada mais nada menos do que o mesmo motorista dirigia o mesmo, e o melhor: meu porta-documentos estava no mesmo lugar, protegido por uma senhorinha que ao meu ver so me dirigiu as seguintes palavras: venha ca! Bem, não preciso falar mais nada! Então gente, muitas emoções mesmo, para desestressar aproveitei estes três dias em Fort Lauderdale pra descansar, nada de museus, restaurantes, hotéis, meu roteiro básico foi praia-praia-praia, que por sinal são muito bonitas. Água clarinha, praia limpa, não se pode beber bebida alcoólica, mas se vc embrulhar pode… enfim. Naquela linha comparações, Fort Lauderdale eh uma coisa Recreio, mantem a aura Barra da Tijuca, mas bem praiana, mais relaxada, carros conversíveis, muuuuita disparidade: na costa um luxo como nunca vi antes, tudo muito bonito, estético, sorrisos, enfim, plástico! Se vc andar 15 minutos pra dentro de Fort Lauderdale vai ver lugares mais feios, onde moram os excluídos que não tem carro, provavelmente. Geralmente são emburrados, tanta a insatisfação com este lugar, algo como o que eu relatei acima. Bem, minha primeira providencia vai ser mandar um email pro prefeito dessa bodega relatando minha insatisfação como mochileiro. Se vou ser escutado, ou ate mesmo entendido, não sei. Mas democracia eh isso, vamos ver se eles vão saber escutar. Abs e q venha Miami, e aquela coisa tutti frutti que South Beach me passa. Depois conto pra vcs o sabor de verdade. Andre Dametto

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2/10/08

Disneylandia, uma experiencia completa

                     

Bem, quem me conhece sabe que sou irritadiço, pego pilha fácil, e depois de uns dias viajando os nervos ficam a flor da pele mesmo. Las Vegas testou minha paciência, mas se o objetivo da viagem eh descansar e curtir, a postura de “comer os morangos” foi a mais adequada mesmo. Mas o lance eh que percebo que tanto na Europa quanto aqui nos EUA, nos eh exigido um comportamento exemplar, entretanto as contrapartidas não são exemplares. Dentre as coisas que me irritam por aqui destaco algumas que acontecem a todo momento: 1 – Ninguém saber dar informação, como tudo aqui eh muito esparso parece que as pessoas não andam nas suas cidades, não conhecem nomes de ruas. Pra piorar quando você chega na bendita rua os prédios não tem numeração visível. 2 – O nativo fingir que não entendeu o q vc perguntou so porque vc não perguntou com o sotaque e com a acentuação ideal. Imagina um carioca fazendo carão quando um gringo pergunta onde fica Copucaban? Pois bem, o próprio gringo faria, especialmente se for imigrante, eles tem MUITA raiva de ver outro imigrante gastando e se divertindo 3 – Você precisar de grana e não encontrar um caixa eletrônico nem na rodoviária. E você precisa estar sempre preparado com pocket money, pois americano adora cobrar algo. Eles sempre adicionam o imposto sobre o valor que você vê escrito na etiqueta. 4 – O estado constante de tensão a que somos submetidos: uma placa escrito ‘E PROIBIDO xxx, ou outra placa dizendo VOCE PODE SER PRESO SE…, os barulhos de constantes (sirenes, buzinas, maquinas de videopocker) e a propaganda catrastrofica de apocalipse hollywoodiano que os filmes e jornais fazem por aqui. 5 – As piadas sem graça que eles fazem pra tentar amenizar este estado de tensão. Eu mando um carão na hora quando me vem com piadinha boba na hora errada. Imagina vc todo tenso que vai perder seu vôo e fica ouvindo piadinha. Nobody deserves… 6 – A forma como a criança americana eh tratada. Gente, parece cachorro. Ha sempre condicionais: se vc xxxx, vc ganha yyy. Ai a criancinha faz xxxx, ganha o biscoito e ainda ouve: goooooood boooooooy! Talvez esteja aqui a causa de tudo… Mas ate que enfim apareceu uma Disneylândia no roteiro. Gente, na Disney eu não consigo lembrar de um único momento em que eu tenha me irritado. E olha que eu sou chato. Eles sabem fazer um bom trabalho, ali eh o case de Marketing da Experiência. Tudo eh feito para proporcionar conforto e diversão, você chega as 9h e quando você menos percebe já são 20h. Eu simplesmente fiquei en-can-ta-do com a Disney, o slogan deles eh Disney, where your dreams come true. Bem, meus sonhos de viajante eram mesmo entrar numa bolha de tranqüilidade, e eu consegui. O atendimento eh intocável, mesmo sendo protocolar eles tratam cada ser humano ali dentro como um espectador de um show. O deslocamento entre os parques funciona super bem. Apesar de tudo parecer bem anos 90, eh bem cuidado, limpo, os cenários são bem feitos, e você se diverte ate no carrossel. O parque que eu mais curti foi o Epcot Center, onde o simulador de asa-delta e o Pocket Mundo vão ficar pra sempre. Nesse Pocket Mundo eles souberam reproduzir muito bem a experiência de diversos países, com prédios típicos, comidas, cheiros, musicas, funcionários nascidos naqueles países, enfim, você literalmente viaja pelo mundo dentro da Disney. Isso talvez explique porque aproximadamente 70% dos americanos nunca saíram dos EUA. Alem de serem auto-centrados, eles podem “conhecer” as outras culturas no pocket mundo da Disney, nos hotéis temáticos de Las Vegas, nas ruas de San Francisco e Nova York, e por ai vai. Imagino que este parque so pode existir devido a genialidade e criatividade do seu fundador, Walt Disney, aliada ao seu mindset de grandeza que todo americano possui. Eu gostaria muito de entrar na cabeça de um americano, a impressão que eu tenho eh que eles desde crianças são estimulados a pensar muito grande, então parece que você esta em Itu, tudo eh magnificado: estacionamento, shopping, hotel, copo de cola-cola, sanduíche, saco de pipoca, e por ai vai. O grande problema eh que apesar de abundante, este mindset também eh egoísta, sendo assim, vive-se o paradoxo do Tudo sem Visão do Todo. Por um certo prisma foi bom viajar pelo mundo dentro dos EUA, pois apesar do viés Disney em todas as atracoes, ficou nítido que enquanto americano pensa grande, pensa em massa, quantidade, o europeu eh mais voltado para o esmero, para o nicho, e qualidade. Usando um conceito de estratégia, eh como se o americano fosse muito bom em economia de escala, e o europeu em diferenciação. Tanto eh que quando americano precisa trabalhar diferenciação recorre a competências desenvolvidas na Europa, assim como os europeus vem pra ca aprender sobre o business para grandes massas. Mesmo na Europa, muitas das cadeias de serviço para consumo de massa são americanas, sao eles que sabem lidar com isso com maestria. Veja que o automóvel, o computador, o filme blockbuster e o fast food foram inventados aqui. Já o perfume premium, o design conceitual, o filme noir e o slow food são criações européias. E o Brasil, o Rio de Janeiro, onde ficariam nesta classificação? Percebo que temos no Rio uma grande diversidade de culturas, no post de Los Angeles ate busquei criar uma analogia das cidades com nossos bairros. Ate agora tudo nos EUA me pareceu bastante Barra da Tijuca, somente San Francisco ficou uma coisa meio Copacabana, talvez Lapa. Não sei se estou errado, mas o Rio de Janeiro ainda não definiu uma identidade, e nem sei se quer definir. O que mais me irrita no Rio são justamente os aspectos americanos que o carioca tipico adora copiar: a valorização da plasticidade, o consumismo competitivo, o trabalho desequilibrado e o excesso de carros nas ruas. O que eu mais amo no Rio são os aspectos europeus: a sua cultura artística, as ruas e arquitetura antigas quando conservadas, meus amigos inteligentes, cultos e sensíveis. Fiquei com uma duvida existencial que me intriga: já que eu gosto tanto deste mundo europeu, deveria eu me mudar para ele, ou já que nasci no Brasil desenvolver meu ecossistema particular desta forma em minha terra natal? Isso daria um puta bate-papo com um psicólogo, sociólogo ou antropologo. Quem puder me dar um help eu agradeço. Outra duvida que me bateu foi sobre uma questão ético-paparazzi: ate que ponto podemos invadir a privacidade do outro em nome de uma foto? No meu caso, meu foco eh totalmente artístico/antropológico/turístico, então as vezes vejo cada cena q da uma vontade de clicar, mas fico com receio de estar sendo inconveniente. Ainda mais nos EUA, se processa por qualquer motivo… Alias, como americano usa sapato feio gente, caramba! Eles compram a roupa mais cara, vistosa, se enchem de gadgets, mas na hora do sapato eh um deus nos acuda, acho q vou começar a fazer umas fotos e depois abro um concurso do sapato mais feio da viagem, vcs me ajudam a escolher. Bem, a Disney foi uma bolha de tranqüilidade na viagem, mas como toda bolha, instável. Alias, parece que bolha por aqui eh algo típico: alguém ai esta sentindo na pele os efeitos da crise economica americana? Outra bolha… Abs, nos falamos depois de Fort Lauderdale, cause I worth it. Andre Dametto

criado por andre.dametto    1:45 — Arquivado em: Sem categoria
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Am I a spambot? yes definately
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