22/10/08
Valor e contexto

Bem, a viagem terminando, eu curtindo os ultimos dias, NY aquela loucura q a gente sempre imagina, e nada melhor como receber por email uma reflexao fantastica sobre o valor intrinseco das coisas e como ele eh percebido. O cenario, um metro nos EUA, eh caro. La vai a historia: Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito desce na estação do metrô em Washington DC: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. A experiência, gravada em vídeo http://br.youtube. com/watch? v=hnOPu0_ YWhw , mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte. A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser? Essa experiência mostra como, na sociedade em que vivemos, os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro. Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho. E voce, quer continuar fazendo parte do rebanho?
criado por andre.dametto
17:51 — Arquivado em: 

Comentário por Nair Dametto — 23 de outubro de 2008 @ 3:53
Nos últimos meses sinto-me cada vez menos parte do rebanho, felizmente. Ando na rua e observo o que se passa. Sempre que volto da aula, à noite, observo toda aquela gente sentada em mesas na calçada, tomando cerveja, beliscando coisas, conversando sabe-se lá o quê. Imagino que elas são um grande cenário para mim, que estou apenas voltando pra casa! Observo também os grupos que se formam em volta de malabaristas na Cinelândia e na Carioca. Também se formariam para ver e ouvir um violinista, por alguns minutos, mas sem perceber a diferença. Acho que as pessoas param principalmente porque estão condicionadas ao espÃrito de rebanho. O músico Joshua Bell com certeza celebrou e viveu intensamente aquele momento de completo anonimato. Tomara que essa moda pegue em muitas cidades, aà vamos ver e avaliar se haverá mudança no espÃrito das pessoas. Podemos celebrar sempre, mesmo sem molduras e nos cenários que imaginamos para nós mesmos. Aplausos a vc circulando por NY!