Saber livre

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30/12/08

Vai um compromisso aê?!

                                            

 

Se para alguns poucos Natal é nascimento de Jesus Cristo, para outros muitos motivo para comprar tudo e mais um pouco que o holerite permite, para mim Natal é uma data marco para estar com pessoas que eu gosto. Este fim de ano escolhi passar o Natal com meus familiares no sul do país. Minha mãe, uma canceriana típica, adorou é claro. Eu acho interessante como algumas pessoas têm um vinculo familiar muito forte. Talvez por ser filho único, de mãe única, sem pai presente, e com família a mais de mil km de distância, introjetei que minha família era só eu e minha mãe. E o Natal me faz ver como é importante no dia-a-dia ter alguém torcendo a seu favor, amando você sem esperar nada em troca, repreendendo quando necessário, ou seja, sendo sua família mesmo.

 

Tenho dez tios e mais de trinta primos de 1o grau. Em uma festa da família conseguimos reunir mais de seiscentos Damettos de todas as origens e idades. Talvez me falte a disciplina necessária, ou mesmo flexibilidade na comunicação, mas o fato é que sinto meus familiares mais como amigos distantes, e não sei se isto ocorre somente comigo. Alguns primos admiro com muito carinho, apesar do pouco tempo juntos conversamos abertamente, na alma, mas a distância física tem um poder devastador sobre os relacionamentos. Isto me lembra as paixões que encontramos nas viagens. Sei que a pergunta que vou fazer é auto-sabotadora e totalmente explicável pela Psicanálise, mas mesmo assim a faço: por que pessoas legais moram longe?

 

Costumo brincar que se eu somasse todos os meus travel love stories daria um casamento estável, sem brigas, e com direito a bodas de intensidade. Talvez inconscientemente eu tenha escolhido viver uma vida mais projetual, sou super mimado e não sei lidar com infortúnios, prefiro desviar de problemas e recomeçar tudo, do zero se for necessário. Isso também explica porque não sofro com uma família distante e por que gosto de trabalhos com inicio, meio e fim: não gosto de compromissos. E sinceramente, no mundo atual, isto me traz mais benefícios do que malefícios. Um amigo me diz que estou precisando me apaixonar de verdade. Mas vou confessar: o ponto é que já faz um tempo sou apaixonado pra caramba por um moreno inteligente, bonito, ético, romântico, safado, curioso e criativo, carioca de nascimento mas cosmopolita na alma, ariano de 22 de março… Ok, ok, só um pouco de luxúria. Continuo aberto a possibilidades ;)

 

Mas o fato é que a viagem a Foz do Iguaçu e imediações foi uma coleta interessante de peças do meu quebra-cabeça particular: entendi mais minha família, minha mãe, eu mesmo. Dentre as experiências que me marcaram, destaco o sabor das uvas deliciosas, o prazer de refrescar os 43o C de Foz com a brisa molhada das Cataratas, a ida a Ciudad Del Est e a escolha pelo não-consumismo, minha súbita paixão por cerveja beeem gelada, e pra variar, um love story, afinal a cidade é quente e Natal com beijo na boca é maaaaaaara!

 

Bjs, que venha Buenos Aires, e deixe 2009 encantar você, descompromissadamente!

 

André Dametto

 

PS. Quem quiser fazer aquela surpresa meu telefone por aqui é 5491169105290. Bj, me liga!

criado por andre.dametto    19:08 — Arquivado em: Sem categoria

23/12/08

Feliz Vazio, Feliz 2009!

               

Fim-de-semana em São Paulo, 2008 terminando, Madonna dando pinta na Paulicéia, amigos de todas as partes do Brasil, ou seja: fer-ve-ção. Escolhi esse post pra contar um pouco do que São Paulo significa pra mim, e engatando a deixa, pra falar de algo super polêmico: o Vazio! Eu confesso que me sinto mais paulistano do que carioca, afinal São Paulo é uma cidade do mundo, onde se encontram os melhores centros de ensino, museus, bibliotecas, restaurantes, e quaisquer ofertas de serviço que você imaginar. Em São Paulo as pessoas marcam compromissos e comparecem, realmente escutam a sua resposta quando você está dando uma opinião, e isso tudo facilita o relacionamento e o encontro da alma do outro. Algo que amo também em Sampa é a noite, tanto é que a melhor casa noturna do Rio precisou ser criada por um paulistano.

 

Aproveito o tema noite para discorrer sobre o Vazio. Isso porque, certa vez, me chega um amigo em plena pista de dança e resolve se abrir. Ele desabafa: “– Sabe o que eu MENOS gosto na noite? Acho tudo isso muito vazio…”. Ou eu puxava ele daquela muvuca, e como um AMIGO DE VERDADE sentava pra conversar decentemente, afinal a vibe não estava das melhores, ou eu mandava uma tirada que rapidamente resgatasse meu amigo da bad trip. Como eu estava me divertindo, e sinceramente, não estava nem-um-pou-co-a-fim de ser COACH às 4 da manhã, escolhi a segunda alternativa. Perguntei então pro meu amigo: “– Sabe o que eu MAIS gosto na noite? Acho tudo isso muito vazio…” Enquanto o vazio daquela experiência alucinante de sons, cheiros, gostos, imagens e toques era percebida pelo meu amigo de uma forma mais dolorosa, eu simplesmente acho este um dos pontos altos de uma boa balada. Isso porque dez aninhos de ferveção me fizeram aprender o que esperar de cada situação, pessoa, lugar, etc. E sinceramente, tudo que não espero da noite eh encontrar a metade da laranja, papos profundos e filosóficos, elogios sinceros, e toda a patuléia que o carente homem urbano procura quase que desesperadamente.

 

Confesso que eu mesmo já me senti como meu amigo, prometendo-me inclusive nunca mais ir para lugares x,y,z. Entretanto há algo no vazio da noite que me fascina: o descomprometimento, a liberdade para eu não ter que pensar, refletir, filosofar, ser coach, ser professor, ser consultor. O meu equilíbrio passa por justamente viver este Vazio, ate para que depois eu possa novamente me encher de coisas boas, úteis, e ser um bom amigo, coach, professor, whatever. A noite é extremamente útil pra mim, pois ali eu não preciso ser ninguém, não preciso ter nada, e se quiser, posso ate mesmo brincar de ser e ter o que eu quiser. Ao ouvir a resposta senti meu amigo dar um suspiro, e dois segundos depois ele ri, como quem dissesse: essa bee eh louca! Mas ele concordou comigo, e também percebeu como a gente se engana esperando coisas dos outros, dos lugares, das situações.

 

O Budismo nos diz que esperar algo eh quase sempre planejar a dor. Sendo assim, como mensagem de fim de ano, queria desejar um pouco de Vazio para todos nos, um Vazio onde estamos no corpo, no presente, se aceitando, sem esperar tanto assim do Papai Noel, dos amigos, dos familiares, de 2009. Paradoxalmente, desejo NADA pra mim, pra você, e quem sabe assim, tranqüilos no VAZIO que nós já somos, estejamos prontos para aí sim, poder receber mais AMOR, FELICIDADE, SAÚDE, DINHEIRO, e o que de bom houver, com equilíbrio. Feliz 2009 pra vc, abs

 

André Dametto

criado por andre.dametto    16:43 — Arquivado em: Sem categoria

5/12/08

Você sabe o que é cidadania?

                   

No post anterior eu falei da paixão que tenho pelo trabalho equilibrado, onde aprendemos, criamos e até celebramos a Vida. E tive a dádiva de começar um projeto de estratégia e processos numa das empresas mais interessantes do meu portifólio: a Secretaria de Estado de Direito das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo. Confesso que quando fui convidado fiquei surpreso, não sabia direito como ia lidar com esta matéria. Achei até estranho o nome da secretaria, logo pensei que a primeira medida seria criar um nome mais ameno para a mesma. Tratei então de ler mais sobre o assunto, conversar com amigos sobre esta causa, e foram várias as lições.

 

A primeira: entender que a própria pessoa com deficiência prefere ser denominada desta forma. Nada de eufemismos como pessoa especial, pessoa com necessidade especial, pessoa deficiente, ou a pior: portadora de deficiência. Vamos lá, tudo que uma pessoa com deficiência quer é se sentir igual a todo mundo, então por que chamá-la de especial? Necessidade especial também não fica melhor, pois necessidade especial depende muito do referencial de quem observa. Pense bem, todos nós temos alguma necessidade especial… Pessoa deficiente é bem feio mesmo, pois categoriza um rótulo que torna todo o indivíduo um ser deficiente. Portador de deficiência é o pior de todos, pois denota doença, tudo que a deficiência não é. Termos como ceguinho, mongolóide e manquinho então, nem se fala.

 

Enfim, vocabulário alinhado, vamos ao trabalho. Foram muitas conversas, trabalhos de estratégia são extremamente reflexivos, demandam um equilíbrio muito refinado entre reflexão e ação. Dei a sorte de encontrar muita gente inteligente e boa, um encontro de águas que explica as pessoas mais especiais da humanidade. Com tantos papos interessantes, é claro que rolam muitas catarses, dúvidas, e consegui aprender bastante sobre o mundo da pessoa com deficiência, mas digo mais, aprendi muito sobre o que é a inclusão do indivíduo como um todo, sobre CI-DA-DA-NI-A. Fale a verdade, você já pensou o que é Cidadania? Digo mais, você exige cidadania no seu dia a dia? Se você confessar que não, bem vindo ao clube!

 

Neste projeto tive consciência do quanto a gente precisa estudar mais sobre nossos direitos, deveres, e assim exercê-los com mais efetividade. Tenho a bênção de sempre ter vivido em ambiente de muita diversidade, mas a investigação não esgota aí: é preciso analisarmos também o quanto nos incluímos (ou excluímos), e o quanto incluímos (ou excluímos) o outro. Neste sentido, a falta de auto-estima já seria o primeiro elemento de falta de Cidadania. Já pensou nisso? Chega a ser pobre falar de incluir o outro se ainda nem nos incluímos. Excesso de auto-afirmação que interfere no ambiente do outro também. Me lembro da sábia frase: a sua liberdade termina onde começa a minha, e vice-versa. Assim, entendo melhor o que vem a ser ética: o quanto nossas ações incluem ou excluem as pessoas na sociedade em que escolhemos viver, inclusive VOCÊ. E aí, se inclui neste conceito?

Abraço inclusivo, e assim cidadão,

 

André Dametto

criado por andre.dametto    12:03 — Arquivado em: Sem categoria
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