“À medida que você conhece pessoas, elas vão dizendo, através do seu comportamento, quem você é.”
Neville Goddard
Todo mundo que já escreveu um diário, um blog ou trocou correspondências com alguém querido sabe o quanto é terapêutico o ato de escrever o que der na telha em um papel ou tela em branco. Diferente da maioria das pessoas, estes espaços “escutam” sua opinião sem interrompe-la pela metade com um comentário evasivo, competitivo ou simplesmente desinteressado. No mundo do Google, do Orkut, a moeda de troca da sociedade é o tempo, e tenho sentido que as pessoas estão usando o tempo no relacionamento de forma cada vez mais mercantilista. O raciocínio inconsciente (I do hope so…) é: o quanto eu posso extrair ao máximo desta pessoa no tempo que eu dedicar a ela? Alguma semelhança com o Google ou com as caravelas portuguesas? Toda!
Ok, comecei o post pesado, mas não escrevo esse blog pra criar fås nem pra brincar de ser feliz. Pra isso ta cheio de pretensas amizades, revistas e blogs fofulete no mercado. Como falei acima, o objetivo é meramente catártico, e trago qualquer tema que me dê vontade, e se trago para o espaço público é porque acredito (ainda) que haja Vida inteligente na grande rede, e que sistemas que trocam crescem mais facilmente. Nesta semana pensei em trazer um post contrapondo uma série de frases senso comum que aprendemos quando criança. Nesta linha, questionaria as perdas e ganhos de lemas como: Não fale com Estranhos! Não brinque com o fogo! Deus ajuda quem se cedo madruga. Mas incitar mensagens como Fale com estranhos e Brinque com o fogo acabou me parecendo poético demais e pouco prático nos dias de hoje, onde as notícias nos jornais pedem que sejamos cautelosos, sim!
Tenho hábito de levar os textos deste blog pra terapia, e talvez por isso ultimamente tenha dado um dado um tom cada vez mais confessional e privativo nos meus textos. Sim, quis me afirmar, assim como você e qualquer pessoa sã que se expresse na face da Terra. O ponto é, se afirmar por quê e para quem, cara pálida? Minha terapeuta e amigos me pontuaram o quanto abrir a privacidade na grande rede pode ser nocivo, já que podemos atrair todo tipo de leitor, e gerar também todo tipo de sentimento no mesmo. Dizer que não estou nem aí para o que os outros pensam é mentira, quem escreve algo, seja um livro, artigo científico, blog ou mesmo um comentário de post está pensando sim no que o outro vai pensar, que imagem vai transmitir, mas quando isso vira uma neurose é que precisa ser questionado.
Diferente de mídias impressas, as mídias digitais permitem uma interatividade que chega a beirar a permissividade. E neste sentido, vale a reflexão sobre o quanto misturar a riqueza que é a sua privacidade com a loucura que é o mundo da virtualidade pode lhe ajudar ou atrapalhar. E convido todo leitor deste post a pensar nisso, seja ele escritor de blogs ou não. Muitas vezes escancaramos nossa privacidade em pretensos ouvidos caridosos. Nocivo também, não? Talvez façamos isso em busca de uma crítica construtiva, mas a Vida me faz perceber que devemos escutar CADA VEZ MENOS os outros, sejam as criticas e até mesmo os elogios. Geralmente as críticas vem contaminadas de sentimentos dos outros. A melhor critica é a sua própria, pois o que importa é o que você sente. Os outros são os outros, já diria o poeta.
Deixo você agora com a pessoa mais importante na sua Vida, que é Você mesmo. Só não vai usar o outro, que pega mal pra caramba. Abs e uma ótima semana,
André Dametto
Ps. A frase do Neville que serve como epígrafe neste post tem mil e uma interpretações. Qual é a sua?

criado por andre.dametto
15:46 — Arquivado em: 

