Saber livre

Este blog é um espaço destinado ao debate de temas que promovam o bem, a beleza e a justiça. Valorizo o fluxo de informação livre e independente, com respeito e inteligência. Traga o seu tema, e contribua para a formação de um espírito criativo.

10/1/09

Nair André Buenos Aires

                                      

 

Atire a primeira pedra quem assistiu ao recente filme Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen e não teve vontade de fazer o seu próprio roteiro particular inspirado na obra. Tudo bem que não eh das melhores películas deste cineasta, chega a parecer meio sessão da tarde, mas filme do Woody Allen, sexo e pizza, até ruim, eh bom. Resumindo, trata-se de duas amigas americanas que resolvem curtir as ferias de verão em Barcelona, ou seja, promessa de altas emoções. Enquanto Vicky é uma burguesa típica americana, com aquela educação protocolar que comentei nos posts dos EUA, Cristina eh babado, confusão e algo mais. Louquinha, audaz, e com altas doses de luxúria, ela está pronta pro que der e vier, mais sentimento do que razão. Ou seja, o oposto de Vicky. Cristina eh devidamente interpretada por Scarlet Johanson, menina dos olhos de Allen. Ponto praquela boca e olhar de canto de olho, a-do-ro!

 

Já Barcelona eh daquelas cidades meio Copacabana meio Centro Antigo, onde esbarrar em menos de 30 minutos com o luxo da arquitetura naturalista de Gaudi, prostitutas embriagadas e um prédio gótico com os vitrais mais lindos da sua Vida não será incomum.  Barcelona também eh sinônimo de fervo, ate hj me lembro da noite mais alucicrazy que tive na Espanha, com musica de primeira qualidade e um publico de A a Z. Colocou Ibiza na letra I… já foi seu tempo.

 

Pois bem, aproveitei a viagem pra Buenos Aires com minha mãe pra fazer meu roteiro particular. Depois de um dezembro marcado por família, experiências naturais em Foz do Iguaçu e um Love totalmente inesperado, me aparece Buenos Aires com aquele ar cosmopolita de fazer jus a qualquer Madri, Londres e Nova York da vida. O grande objetivo desta viagem foi “discutir a relação” com minha mãe em um ambiente out of the box, e aproveitando a virada do Ano, posso admitir que fui bem sucedido. É interessante perceber o quanto podemos ser cada vez mais íntimos de quem amamos, e nesta viagem foi um grande encanto conhecer mais sobre o que ela pensa, sente, e vice-versa. Juntos rimos, choramos, criamos, andamos, e como andamos, minha mãe foi parceirona! Que venham as próximas.

 

Buenos Aires é a cidade de melhor custo-beneficio para um viajante que sai daqui do Rio de Janeiro. A 3 horas de avião, você sai do Brasil literalmente, e encontra uma cidade re-che-a-da de atrações, ou arquétipos turísticos como eu prefiro chamar. Lista básica para todo viajante: deixar as malas no hotel, ir almoçar em Puerto Madero, andar por todos aqueles diques, tomar sorvete no Freddo (imenso!), depois voltar pelo Centro Antigo, passando pela Casa Rosada (que tem cor de tijolo), caminhar por uma daquelas avenidas imensas como a Diagonal até chegar ao monumento mais fálico que vc encontrará na sua Vida: o obelisco da 9 de julho. O da Av. Rio Branco não faz nem cócegas… Sente num daqueles barezinhos e peca uma cerveja bem gelada, e agradeça a Vida, ela eh bela! De noite, colocacion, please! Buenos tem uma cidade noturna super agitada: e detalhe, começa a esquentar só 3h. Dia seguinte, Recoleta pela manha, Palermo Hollywood para almoçar, Palermo Soho para fazer compritchas, e ver a noite chegar com o Mojito mais gostoso q já tomei. Na volta dê uma pinta pela Calle Florida e sua deslumbrante Galeria Pacífico, pelo bairro do Retiro. Um soninho de beleza e de repente, 1h da manha: fervo! Taque no Google o estilo de musica + publico q vc curte + noche + Buenos Aires. Se joga!

 

Domingo, feirinha de San Telmo, arquétipo super Rua do Lavradio, so que gigante e um publico menos wanna be. Sei la, pra mim a Rua do Lavradio já foi cult…  Almoce por ali mesmo, e deixe-se levar pelo tango, e aquela arquitetura cheia de fileteados portenhos, aquelas letras super gracinha que decoram placas, carros, roupas e o que mais sua imaginação deixar. Hora de ir para Ezeiza, morrendo em 100 pesos, alias, como tudo esta caro em Buenos Aires. Aproveite para conjugar o Menos eh Mais em todos os tempos, em vez de comprar compulsivamente, sinta mais, respire mais, olhe mais, dance mais, beije mais, ame mais, compartilhe mais…

 

Então, voltar a Buenos Aires foi uma benção: reencontrar minha mãe, resgatá-la, me resgatar, nos resgatar, resgatar projetos, me colocar no bem, no luxo, no glamour, onde eu, você e todo ser humano merece estar! Viva a Elite, todos merecem viver bem. Este começo de ano me inspira curtir o Vazio, e está sendo ótimo, já esta entrando muita coisa boa ;)

 

E aí, vai preferir fazer a Vicky ou a Cristina? E seu roteiro, onde vai ser? Me conta.

 

Bj, André Dametto

criado por andre.dametto    16:08 — Arquivado em: Sem categoria

30/12/08

Vai um compromisso aê?!

                                            

 

Se para alguns poucos Natal é nascimento de Jesus Cristo, para outros muitos motivo para comprar tudo e mais um pouco que o holerite permite, para mim Natal é uma data marco para estar com pessoas que eu gosto. Este fim de ano escolhi passar o Natal com meus familiares no sul do país. Minha mãe, uma canceriana típica, adorou é claro. Eu acho interessante como algumas pessoas têm um vinculo familiar muito forte. Talvez por ser filho único, de mãe única, sem pai presente, e com família a mais de mil km de distância, introjetei que minha família era só eu e minha mãe. E o Natal me faz ver como é importante no dia-a-dia ter alguém torcendo a seu favor, amando você sem esperar nada em troca, repreendendo quando necessário, ou seja, sendo sua família mesmo.

 

Tenho dez tios e mais de trinta primos de 1o grau. Em uma festa da família conseguimos reunir mais de seiscentos Damettos de todas as origens e idades. Talvez me falte a disciplina necessária, ou mesmo flexibilidade na comunicação, mas o fato é que sinto meus familiares mais como amigos distantes, e não sei se isto ocorre somente comigo. Alguns primos admiro com muito carinho, apesar do pouco tempo juntos conversamos abertamente, na alma, mas a distância física tem um poder devastador sobre os relacionamentos. Isto me lembra as paixões que encontramos nas viagens. Sei que a pergunta que vou fazer é auto-sabotadora e totalmente explicável pela Psicanálise, mas mesmo assim a faço: por que pessoas legais moram longe?

 

Costumo brincar que se eu somasse todos os meus travel love stories daria um casamento estável, sem brigas, e com direito a bodas de intensidade. Talvez inconscientemente eu tenha escolhido viver uma vida mais projetual, sou super mimado e não sei lidar com infortúnios, prefiro desviar de problemas e recomeçar tudo, do zero se for necessário. Isso também explica porque não sofro com uma família distante e por que gosto de trabalhos com inicio, meio e fim: não gosto de compromissos. E sinceramente, no mundo atual, isto me traz mais benefícios do que malefícios. Um amigo me diz que estou precisando me apaixonar de verdade. Mas vou confessar: o ponto é que já faz um tempo sou apaixonado pra caramba por um moreno inteligente, bonito, ético, romântico, safado, curioso e criativo, carioca de nascimento mas cosmopolita na alma, ariano de 22 de março… Ok, ok, só um pouco de luxúria. Continuo aberto a possibilidades ;)

 

Mas o fato é que a viagem a Foz do Iguaçu e imediações foi uma coleta interessante de peças do meu quebra-cabeça particular: entendi mais minha família, minha mãe, eu mesmo. Dentre as experiências que me marcaram, destaco o sabor das uvas deliciosas, o prazer de refrescar os 43o C de Foz com a brisa molhada das Cataratas, a ida a Ciudad Del Est e a escolha pelo não-consumismo, minha súbita paixão por cerveja beeem gelada, e pra variar, um love story, afinal a cidade é quente e Natal com beijo na boca é maaaaaaara!

 

Bjs, que venha Buenos Aires, e deixe 2009 encantar você, descompromissadamente!

 

André Dametto

 

PS. Quem quiser fazer aquela surpresa meu telefone por aqui é 5491169105290. Bj, me liga!

criado por andre.dametto    19:08 — Arquivado em: Sem categoria

23/12/08

Feliz Vazio, Feliz 2009!

               

Fim-de-semana em São Paulo, 2008 terminando, Madonna dando pinta na Paulicéia, amigos de todas as partes do Brasil, ou seja: fer-ve-ção. Escolhi esse post pra contar um pouco do que São Paulo significa pra mim, e engatando a deixa, pra falar de algo super polêmico: o Vazio! Eu confesso que me sinto mais paulistano do que carioca, afinal São Paulo é uma cidade do mundo, onde se encontram os melhores centros de ensino, museus, bibliotecas, restaurantes, e quaisquer ofertas de serviço que você imaginar. Em São Paulo as pessoas marcam compromissos e comparecem, realmente escutam a sua resposta quando você está dando uma opinião, e isso tudo facilita o relacionamento e o encontro da alma do outro. Algo que amo também em Sampa é a noite, tanto é que a melhor casa noturna do Rio precisou ser criada por um paulistano.

 

Aproveito o tema noite para discorrer sobre o Vazio. Isso porque, certa vez, me chega um amigo em plena pista de dança e resolve se abrir. Ele desabafa: “– Sabe o que eu MENOS gosto na noite? Acho tudo isso muito vazio…”. Ou eu puxava ele daquela muvuca, e como um AMIGO DE VERDADE sentava pra conversar decentemente, afinal a vibe não estava das melhores, ou eu mandava uma tirada que rapidamente resgatasse meu amigo da bad trip. Como eu estava me divertindo, e sinceramente, não estava nem-um-pou-co-a-fim de ser COACH às 4 da manhã, escolhi a segunda alternativa. Perguntei então pro meu amigo: “– Sabe o que eu MAIS gosto na noite? Acho tudo isso muito vazio…” Enquanto o vazio daquela experiência alucinante de sons, cheiros, gostos, imagens e toques era percebida pelo meu amigo de uma forma mais dolorosa, eu simplesmente acho este um dos pontos altos de uma boa balada. Isso porque dez aninhos de ferveção me fizeram aprender o que esperar de cada situação, pessoa, lugar, etc. E sinceramente, tudo que não espero da noite eh encontrar a metade da laranja, papos profundos e filosóficos, elogios sinceros, e toda a patuléia que o carente homem urbano procura quase que desesperadamente.

 

Confesso que eu mesmo já me senti como meu amigo, prometendo-me inclusive nunca mais ir para lugares x,y,z. Entretanto há algo no vazio da noite que me fascina: o descomprometimento, a liberdade para eu não ter que pensar, refletir, filosofar, ser coach, ser professor, ser consultor. O meu equilíbrio passa por justamente viver este Vazio, ate para que depois eu possa novamente me encher de coisas boas, úteis, e ser um bom amigo, coach, professor, whatever. A noite é extremamente útil pra mim, pois ali eu não preciso ser ninguém, não preciso ter nada, e se quiser, posso ate mesmo brincar de ser e ter o que eu quiser. Ao ouvir a resposta senti meu amigo dar um suspiro, e dois segundos depois ele ri, como quem dissesse: essa bee eh louca! Mas ele concordou comigo, e também percebeu como a gente se engana esperando coisas dos outros, dos lugares, das situações.

 

O Budismo nos diz que esperar algo eh quase sempre planejar a dor. Sendo assim, como mensagem de fim de ano, queria desejar um pouco de Vazio para todos nos, um Vazio onde estamos no corpo, no presente, se aceitando, sem esperar tanto assim do Papai Noel, dos amigos, dos familiares, de 2009. Paradoxalmente, desejo NADA pra mim, pra você, e quem sabe assim, tranqüilos no VAZIO que nós já somos, estejamos prontos para aí sim, poder receber mais AMOR, FELICIDADE, SAÚDE, DINHEIRO, e o que de bom houver, com equilíbrio. Feliz 2009 pra vc, abs

 

André Dametto

criado por andre.dametto    16:43 — Arquivado em: Sem categoria

5/12/08

Você sabe o que é cidadania?

                   

No post anterior eu falei da paixão que tenho pelo trabalho equilibrado, onde aprendemos, criamos e até celebramos a Vida. E tive a dádiva de começar um projeto de estratégia e processos numa das empresas mais interessantes do meu portifólio: a Secretaria de Estado de Direito das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo. Confesso que quando fui convidado fiquei surpreso, não sabia direito como ia lidar com esta matéria. Achei até estranho o nome da secretaria, logo pensei que a primeira medida seria criar um nome mais ameno para a mesma. Tratei então de ler mais sobre o assunto, conversar com amigos sobre esta causa, e foram várias as lições.

 

A primeira: entender que a própria pessoa com deficiência prefere ser denominada desta forma. Nada de eufemismos como pessoa especial, pessoa com necessidade especial, pessoa deficiente, ou a pior: portadora de deficiência. Vamos lá, tudo que uma pessoa com deficiência quer é se sentir igual a todo mundo, então por que chamá-la de especial? Necessidade especial também não fica melhor, pois necessidade especial depende muito do referencial de quem observa. Pense bem, todos nós temos alguma necessidade especial… Pessoa deficiente é bem feio mesmo, pois categoriza um rótulo que torna todo o indivíduo um ser deficiente. Portador de deficiência é o pior de todos, pois denota doença, tudo que a deficiência não é. Termos como ceguinho, mongolóide e manquinho então, nem se fala.

 

Enfim, vocabulário alinhado, vamos ao trabalho. Foram muitas conversas, trabalhos de estratégia são extremamente reflexivos, demandam um equilíbrio muito refinado entre reflexão e ação. Dei a sorte de encontrar muita gente inteligente e boa, um encontro de águas que explica as pessoas mais especiais da humanidade. Com tantos papos interessantes, é claro que rolam muitas catarses, dúvidas, e consegui aprender bastante sobre o mundo da pessoa com deficiência, mas digo mais, aprendi muito sobre o que é a inclusão do indivíduo como um todo, sobre CI-DA-DA-NI-A. Fale a verdade, você já pensou o que é Cidadania? Digo mais, você exige cidadania no seu dia a dia? Se você confessar que não, bem vindo ao clube!

 

Neste projeto tive consciência do quanto a gente precisa estudar mais sobre nossos direitos, deveres, e assim exercê-los com mais efetividade. Tenho a bênção de sempre ter vivido em ambiente de muita diversidade, mas a investigação não esgota aí: é preciso analisarmos também o quanto nos incluímos (ou excluímos), e o quanto incluímos (ou excluímos) o outro. Neste sentido, a falta de auto-estima já seria o primeiro elemento de falta de Cidadania. Já pensou nisso? Chega a ser pobre falar de incluir o outro se ainda nem nos incluímos. Excesso de auto-afirmação que interfere no ambiente do outro também. Me lembro da sábia frase: a sua liberdade termina onde começa a minha, e vice-versa. Assim, entendo melhor o que vem a ser ética: o quanto nossas ações incluem ou excluem as pessoas na sociedade em que escolhemos viver, inclusive VOCÊ. E aí, se inclui neste conceito?

Abraço inclusivo, e assim cidadão,

 

André Dametto

criado por andre.dametto    12:03 — Arquivado em: Sem categoria

23/11/08

Equilíbrio e identidade, pintados no meu azulejo

             

              

Trabalho, diversão, quem me conhece sabe que não gosto de dicotomias, e faço de tudo para tornar minha jornada profissional tão gostosa que, de repente, eu até me pego trabalhando… Apesar de já ser a última turma de um ciclo de oito turmas sobre a Lógica da Comunicação, esta teve um gostinho especial. É sempre uma dádiva realizar este casamento do meu diploma de engenharia com meu lado comunicador, psicólogo e diversos outros que nem eu conheço ainda. Mas desta vez teve direito a lua de mel e tudo, e não tinha como acontecer em lugar melhor: São Luis.

Em épocas de dólar alto e um ufanismo crescente, equilibrar o trabalho com o lazer nestas terras foi uma grata surpresa. A cidade eh uma gracinha, vc sai do aeroporto e sente uma brisa morna que faz você ate esquecer da tortura que é viajar de Gol mais de 2km e com escala. As pessoas são muito cordiais, queridas, atenciosas, gostam de dar informação e com aquele olhar carinhoso do qual tanto senti falta nos EUA. Conversando com os nativos eles explicam que esta cordialidade está muito ligada à história da cidade, sempre aberta a influências externas. Primeiramente colonizada por franceses em 1612, depois foi invadida pelos holandeses até que foi tomada pelos portugueses, os quais deram a cara da cidade. Caramba, o que está cidade tinha que todo mundo queria tanto?

Bem, vou explicar: um clima delicioso, onde praias, frutas tropicais e onde se plantando tudo dá… Em épocas de pacto colonial isso aqui devia se assimilar ao contemporâneo Vale do Silício. Tanta diversidade de natureza e cultura deixaram a cidade cheia de sabores. Experimente a pescada com o famoso arroz de cuxá, verdinho e com camarão seco. Para molhar o bico, água de coco ou guaraná Jesus, um refrigerante safado cor de rosa que os locais amam. Tudo regado a muito reggae, som idolatrado por gente de todas as idades. São Luis é daqueles passeios que faz você viajar no tempo e no espaço. Comigo a viagem foi uma coisa ora Brasil Colônia ora Europa Mediterrânea. Vemos em São Luis o melhor e o pior da história do Brasil. Uma arquitetura encantadora de prédios baixinhos, cores pastel, eiras e beiras fantásticas, janelas de todos os formatos, você se sente em Roma fácil. Muitas paredes revestidas de azulejos belíssimos, muitos trazidos de Portugal, explicam o apelido da cidade: cidade dos azulejos. O objetivo era refletir a luz do sol e deixar as casas mais geladinhas, afinal, estamos logo abaixo da linha do Equador, darling. Aliás, isso faz de Alcântara, cidade vizinha, base de lançamento de foguetes e tudo. Tá!

Por outro lado, também vemos aquele descuido com nossa História que me fez questionar pra que serve o título de Patrimônio UNESCO da Humanidade. Cadê a fiscalização, minha gente? Nesta linha crítica, soube que os piores indicadores de Educação no Brasil estão justamente no Maranhão. Por isso digo que aqui vemos também o pior do Brasil Colônia. Como há poucas empresas na região, as pessoas aqui geralmente dependem do Estado, o que perpetua a divisão Casa Grande – Senzala. Há muita gente pobre, geralmente rindo, se divertindo, mas pobre. Por outro lado, alguma gente rica, enfurnadas em castelos sitiados, carros imensos, mas com uma cara de quem não está se divertindo tanto, paradoxal… No Centro Antigo impera um ar de informalidade e tranqüilidade, às vezes interrompido por brigas e gritinhos que terminavam tão logo quanto começavam. Coincidentemente sempre eram hippies mais pra lá do que pra cá, discutindo sobre algo que depois nem eles mesmos pareciam mais se lembrar direito.

Isso tudo cria na cidade um charme surreal de luxo e lixo, então focamos no que dá certo e vamos curtir a cultura maravilhosa que esta cidade me revelou. Na turma to treinamento que ministrei conheci a Lusa, uma funcionária da empresa cliente totalmente “out of the box”. Engraçadíssima, inteligente e cheia de auto-estima, me lembrou muito a tia Milena, com suas frases rápidas, entremeadas pos palavrão, estilo catarse pura. Viajar ao Nordeste é para mim um encontro também com minha história, pois além de ser filho de nordestino quando criança convivi muito com a tia Milena, recifense porreta com a qual aprendi muito sobre foco em resultado, flexibilidade, auto-valorização, enfim, aceitação de identidade. Depois do treinamento saímos para celebrar os aprendizados no Reviver, área de entretenimento da cidade no Centro Antigo. Aqui você encontra as rodas com tambor de crioula, umas mulheres altivas que ficam rodando saia para um lado e para o outro ao som de tambor, e vão se revezando no meio. Bem Lapa! Tem também a lenda do bumba meu boi, segundo a qual uma moça com desejo quer por que quer comer língua de um boi, e alguém la vai e corta a língua do boi, que passa a fazer parte da família. Bem legal a cultura da capoeira Angola, mais musicada e lenta do que o jogo de capoeira tradicional.

Uma vinda a São Luis pede também uma ida aos Lençóis Maranhenses, que visto de cima parece um grande lençol branco de areia pintado com azul e verde das águas formadas pelas chuvas e o Rio Preguiça. Rola uma função de 4h num microônibus apertado até chegar lá, mas é só vc virar criança de novo, se jogar do alto de uma duna e cair naquelas águas para você lembrar que a Vida ainda é bela. Viajar sozinho é algo engraçado porque ficamos suscetíveis, comunicativos, e do nada estamos cercados de BFF – Best friends forever. Encontrei umas cinco pessoas fantásticas, coincidentemente todos professores em diversas áreas, e era muito bom ora rolar dunas, beber cerveja e debater sobre o futuro da Educação do Brasil, tudo junto e misturado, pois como falei, não gosto de dicotomia.

Bem, agora viajo revigorado para São Paulo, sabendo que todas estas experiências fazem parte de mim, enriquecem minha comunicação, fortalecem minha lógica, enaltecem minha visão de equilíbrio, e explicam esta pessoa maravilhosa que vos fala.

Bjs, André Dametto

criado por andre.dametto    18:07 — Arquivado em: Sem categoria

13/11/08

Se fosse mais difícil ficaria mais fácil ser feliz

Uma amiga me dispara a questão: o que esta acontecendo com o ser humano? Como a pergunta estava muito retórica, pedi que ela me explicasse um pouco mais, ao que ela descreve a questão da insatisfação constante do ser humano, e os seus constantes desencontros afetivos e profissionais, por exemplo. Pergunta entendida, porém não trivial. O teor etílico do papo contribuiu para que eu evitasse as racionalizações e teorias complexas, e de pronto, sabe-se lá de onde, tirasse que, por tudo estar tão fácil no curto prazo, fica tudo mais complicado no longo prazo, em qualquer setor da Vida. Ok, você deve estar se perguntando: fácil pra quem cara-pálida?

Confesse, você realmente acha tãaaaao difícil assim encontrar um trabalho? Vamos além, será que é tão complexo encontrar alguém para dividir a pasta de dente? Sinceramente, eu acho que não. Pelo contrário, eu acho que está até fácil demais, quando se fala de quantidade, e não de qualidade. São as mil e uma oportunidades de trabalho desafiadoras descritas nas consultorias de recolocação, muita gente carente “a fim de algo sério”, as “amizades de infância” que se fazem e desfazem num piscar de olhos, a fast foda esporádica que alivia as tensões, as “seletíssimas” opções de marcas de luxo que fazem a classe média se sentir menos mediana, e por aí vai. Por trás desta facilidade toda, um fator fundamental: a tecnologia da informação, que coloca tudo e todos a um clique.

Nunca em nenhum momento da história o ser humano teve tanto acesso à informação. Este “efeito-google” faz com que seja criada uma sensação de democratização da informação, tornando muito fácil o acesso àquelas oportunidades de trabalho, amores, sexo e outros consumos que mais nos confundem do que nos satisfazem. E aí, vemos milhares de pessoas insatisfeitas com os seus pretensos trabalhos desafiadores, gente namorando porque tá todo mundo namorando, páginas de Orkut com 800 amigos que nunca telefonam quando você mais precisa, parceiros sexuais que banalizam o sabor do sexo bem feito, mas tudo muito bem empacotado em grifes, afinal qualquer cara triste fica até chique se os óculos são Dolce e Gabanna. Enfim, se no Google rejeitamos os sites que não nos satisfazem em menos de dez segundos, fazemos o mesmo com pessoas, trabalhos, sentimentos, enfim, com a Vida.

Eu que busco respostas no equilíbrio para as mais diversas questões, entendo que precisamos aprender a usufruir desta facilidade que o mundo das tecnologias nos permite, tendo acesso a informações sim, mas tendo o mínimo de paciência para filtrá-las, saboreá-las, convertê-las em conhecimento, e claro, descartar o que não for útil. Isso tudo me faz lembrar do lema Menos é Mais, da campanha do Slow movement e até mesmo dos 3Rs da sustentabilidade: reduzir, reciclar, reutilizar. A tônica de todos estes conceitos é a mesma: o mundo precisa aprender a valorizar mais a qualidade em detrimento da quantidade. Pode até ser mais difícil, mas paradoxalmente, vai ser mais fácil ser feliz.

André Dametto

criado por andre.dametto    17:07 — Arquivado em: Sem categoria

1/11/08

(In)justiça brasileira

              

Está sendo simplesmente delicioso caminhar pelas ruas do Rio. Dois meses nos EUA me fizeram ver o Rio de outro jeito: gosto de caminhar na rua, ver as caras das pessoas, algumas relaxadas, outras meio tensas, os carros, os ambulantes, nossas cores. Enfim, cada vez que volto pro Rio gosto mais da nossa cidade. Mas como eu falei, nem tudo sao flores. Nem aqui, nem na China.

 

E o motivo deste post é um desabafo: minha ojeriza pelo monopólio que é o Judiciário neste país. Dois casos de pessoas muito próximas a mim mostram que nossa Justiça no Brasil não é apenas lenta, mas também machista e oligárquica. Se tem algo que gosto no capitalismo é a chance de poder comprar algo onde eu quiser, e se eu quiser. O problema é que quando queremos adquirir JUSTIÇA para nossas Vidas, somos obrigados a recorrer a um monopólio que é este Judiciário arcaico. Experimente um dia caminhar pelo Forum aqui no Rio de Janeiro. Eis o retrato desta justica: um emaranhado de corredores, rampas, portas, placas, colocando um jogo do pac man no chinelo de tantos labirintos.

 

Uma pessoa que recorre a justiça está no mínimo fragilizada. Entretanto este é um momento crucial onde se precisa tirar forças nao sei de onde: a escolha errada de um advogado (seja por competência ou ética do mesmo) só aumenta a desesperança do reclamante. Entao fica a licao: ao escolher um advogado, pesquise muito, converse com pessoas próximas e verifique alguém que realmente se comprometa com sua causa, que SINTA na pele aquela dor. Entretanto nem o melhor advogado livra você dos tramites burocraticos e da mente de um juiz, algo tao aleatorio quanto a direcao do bonequinho do pac man.

 

Agora, a pior parte: a parte reclamada. Aqui se aprende na pratica aquele ditado "a corda sempre arrebenta do lado mais fraco". Justamente pela aleatoriedade do julgamento do juiz, é muito fácil para este sobrevalorizar os argumentos do lado mais forte, enquanto o lado mais fraco tem os seus mal interpretados e algumas vezes até desvirtuados. Prefiro nem entrar no merito da "tabela de precos" do Judiciario, algo que simplesmente me causa nojo so de pensar.

 

Enfim, ja que nao temos a quem recorrer, pelo menos liberdade de expressao existe no Brasil, e registro aqui minha profunda decepcao com a Justica brasileira. Sinceramente espero que as novas geracoes redesenhem nosso sistema Judiciario. A base de qualquer democracia é a equidade, e sinceramente, se os ares do Rio me fazem me sentir no 1o mundo, pensar nesta justiça me fazem me sentir no Engenho.

Andre Dametto 

criado por andre.dametto    23:23 — Arquivado em: Sem categoria

29/10/08

O que aprendi nos EUA

              

É interessante como o regresso para casa é um dos momentos que mais gosto em uma viagem. É ancestral no ser humano esse conflito interno entre buscar o novo e ficar no conforto da sua origem. E é fato: o que mais acontece em qualquer viagem é a famosa resistência à mudança. Grande parte dos infortúnios que tive foram mais associados à minha resistência com uma nova cultura, do que necessariamente a um aspecto maniqueísta de bom versus ruim, certo versus errado. Um americano de primeira viagem em terras brasileiras também teria diversas críticas em relação ao Brasil. Aspectos positivos e negativos todas as sociedades têm, mas o ponto é: vamos aprender com o que dá certo, e crescer com equilíbrio em busca de uma Vida melhor.

Então, o que podemos aprender com os americanos? Dentre os pontos mais positivos que percebi, destaco os sensos de protagonismo e responsabilidade que o indivíduo assume naquela sociedade. Cada um se enxerga como o dono da própria Vida, traçando seus objetivos e correndo em busca dos seus sonhos, em vez de ficar esperando do presidente, do gerente, do professor, dos pais ou da situação econômica. Ou pior: invejando o outro sem fazer algo digno pra consegui-lo. Outro ponto fantástico é o senso de liberdade que é ofertado ao indivíduo. Como existem mecanismos de controle, até exagerados, entende-se que, respeitando as regras, cada um pode decidir fazer o que bem entender da sua Vida. Por isso existe tanta diversidade e respeito à diferença, como também se verifica nos países do Velho Continente. Gostei muito da valorização dada ao bom produto e serviço, e dos mais diversos tipos. Se você for bom no que faz, nos EUA há mais chances de você ser reconhecido. Você pode enriquecer como executivo, pintor de parede, engenheiro, cabeleireiro, dentista, escultor, o que for. O americano típico não é fanático por poupança, então, quando há dinheiro fluindo, eles consomem uma gama imensa de produtos e serviços, e movimentam a economia. Com isso, florescem a produção humana, os conhecimentos, a inovação, e por aí vai.

Numa escala entre pessimista e otimista extremos, me posiciono no ceticismo, mas com um olhar voltado para o positivo. Sendo assim, creio que o Brasil está caminhando em um movimento caórdico (caos + ordem), mas que tende a crescimento no longo prazo. Avanços são percebidos nos indicadores sociais, econômicos, e minha experiência profissional me faz conhecer um Brasil de Primeiro Mundo, com gente produtiva, inteligente, ética, bem sucedida, educada, bonita e saudável. O brasileiro de que me orgulho de chamar de co-patriota. Entendo que uma grande alavanca para nosso país está no mundo profissional, das empresas. Elas hoje impactam os mais diversos tipos de públicos e possuem praticas cada vez mais voltadas a resultados sustentáveis para estes públicos. Felizmente, existe todo tipo de gente, de empresa e de mercado, e cada pessoa, sabendo definir seu perfil e se posicionar corretamente, tenho bastante crença de que o Brasil continuará avançando através da revolução quase silenciosa que está acontecendo nas empresas.

Os paradigmas bem sucedidos da gestão das empresas privadas estão impactando casos e mais casos na gestão pública! Em época de eleição dos representantes do Poder Executivo em nossas cidades, convido o leitor a atuar como um auditor do candidato eleito, verificando o cumprimento do seu plano de governo, e principalmente, o alcance de resultados. Avançando, nossos municípios ajudam o Brasil a avançar, e tornar-se um exemplo de gestão pública para o Mundo. Sim, se é pra ter uma visão, que seja grande, como fazem os americanos. E, independente do seu novo prefeito, lembre-se de que seu sucesso, equilíbrio e satisfação de Vida dependem, principalmente, de Você!

Bem, pra concluir, algo leve e bem americano: vou fazer o Top Ten das cidades, da que eu mais gostei para a que eu menos gostei. Quero enfatizar que quando gosto ou não, me refiro às experiências que eu tive na cidade, não necessariamente aos atributos da mesma. Seria muita pretensão. Para montar o ranking utilizei quatro valores que uma André Dametto Experience precisa ter, nesta ordem: gente com Alma (a maiúsculo, de propósito), Arte (inclui museu, atrações turísticas, arquitetura, etc), Noite e afins (aham), e Comida (adooooooro comer). Pois bem, lá vai o tal do ranking:

1o Chicago – ganhou apertado, mas a Alma do lugar me faz lembrar de detalhes
2o San Francisco – delicinha, super transitável, cheia de atrações, curticao
3o Miami – fecha no óculos e capricha no bronze que hj a noite eh boa, co-le-ga!
4o Boston – os ares da cidade me fizeram ter abstrações e criações fantasticas
5o Nova York – Eh legal, gente! Tem lugar pra todos, must go de qq globetrotter
6o Disney – Gracinha, fofolete, organizada, its Ok! Um bj Mickey, me liga!
7o Fort Lauderdale – Praia! E praia! De repente, mais praia! Ah, eu moro no Rio…
8o Los Angeles – Tudo de chato que o Rio tem, sem o lado bom q o Rio tem…
9o Washington – Não deu tempo de conhecer bem, quem sabe outra hora
10o Las Vegas – O erro! Um dia volto de pirraca so pra conferir se eh isso mesmo.

Quem diria, Chicago! Pois eh, ainda bem que a Vida eh feita de risco e tomada de decisão! E eu, será que volto diferente depois desta viagem? 

Bjs, valeu pelo carinho de todos os amigos, e claro, um bj mais que especial pra minha mãe, minha companheira ETERNA de viagens físicas e metafísicas.

Andre Dametto

criado por andre.dametto    4:41 — Arquivado em: Sem categoria

25/10/08

Nova York: engula ou seja engolido

Caramba: Nova York! Fácil falar do que eh bacaninha nesta cidade. Ate quem nunca foi sabe enumerar as principais atrações e já ficou maravilhado com aquela profusão de prédios, design e o que ha de mais moderno em qualquer campo do conhecimento humano. Quem não se lembra exatamente do que estava fazendo quando caíram as torres gêmeas? Então, esta cidade povoa o imaginário de todo cidadão nesta tribo chamada Terra.

Pois bem, peco que descontem 50% do teor deste post em razão do meu cansaço apos 9 cidades esparsamente americanas, aumentado pelo frio de cortar que eu não acho nada elegante e um crescente teor nietzchiniano que as terras americanas me emularam. Mas gente: nem achei Nova York essa coisa toda! Sei la, mais de 50 cidades nas costas me dão cabedal pra dizer que, em termos de custo beneficio, Madri, Buenos Aires, Paris e Berlim ganham dis-pa-ra-do. Ate San Francisco achei mais interessante que NY. Realmente a cidade tem mil atrativos: arquitetura complexa, gastronomia no estado da arte, as roupas mais transadas, lojas com status de museu (com guia e tudo), museus de verdade (fantásticos), as ruas gracinha do Soho e Village e o Central Park, a experiência mais gostosa que tive na viagem. Mais detalhadamente, em uma igreja na 5th Avenue, que bordeia o parque, onde tive a felicidade de ficar durante 10 minutos sem ver uma vivalma.

Não sei se isso acontece com todo mundo, mas caramba, depois de 50 dias por aqui eu simplesmente fiquei fatigado de falar inglês. Ou eu não aprendi necas nas Culturas, Brasas e Anglo-Americanos da Vida, ou o povo aqui eh muito ruim de prosa. Nossa, eles não entendem nada do que a gente fala, vc tem que repetir toda hora, mudar a acentuação, e, quem sabe, eles entendem ou você finja que entendeu a resposta. Taxista então eh mestre em não entender nada do que a gente fala. Tinha horas que eu preferia me comunicar com sinais, grunhidos, qualquer coisa que me poupasse energia. Nessa linha catarse, quando eu ficava muito fulo, mandava uma carreira de 5 palavroes bem cabeludos na nossa bela língua portuguesa. A dica eh não olhar pro interlocutor, porque ai vc ta manifestando a sua liberdade de expressão, devidamente registrada na Constituição Americana. Da um alivio gente, aff. Alias, eh fato: sua fluência em uma língua estrangeira eh diretamente proporcional a confiança e intimidade que você tem com quem vc se comunica. Eu ia da turma de beginners ao advanced em minutos. Da uma conferida e depois me fala.

Foi cult caminhar no Central Park ouvindo Gaiola das Popozudas. Talvez tenha gostado tanto do Central Park por que la foi um dos poucos momentos em que tive paz em Nova York, em que não estava cercado por prédios e multidao. Eh incrível como você eh importunado a cada cinco minutos: uma hora, uma horda de turistas cheios de sacolas esbarrando em você como se fosse um joguinho de pac man em tamanho real. Outra hora eh um vendedor de cd de hip hop que quer q vc incentive o trabalho dele. Depois algum representante de uma ONG que quer salvar as crianças da Etiópia com a sua contribuição, eh claro. As famigeradas sirenes de Boston e San Fran dão lugar as buzinas. Muitas conversas de celular, e nos lugares mais inusitados. Muitos pedintes tambem, gente com fome, eh surreal. Gente louca acontece: destaque para uma senhora que, ao ver que um big carro parou na faixa de pedestres, disparou a dar varias bengaladas, e com forca, no capo do carro, deixando o saradao que o dirigia num misto de ódio e inação com aquela pobre senhorinha. A cena valeu por dois Mamma Mias… Sem falar nas vitrines e merchandisings que vc com certeza não passara incólume.

Destaque para as lojas da Prada no Soho, Louis Voitton e Apple na 5th Av: souberam fazem “Marteking” direitinho, trabalhando bem o conceito de Marketing de Experiência. Na loja da Abercrombie & Fitch você se sente na The Week: vendedores-modelo, house nas alturas, uma guerra de perfumes no ar, clientes afetadinhos (inclusive eu) desfilando e fazendo caron. Dois dias em NY e tem uma hora que sua cabeça começa a girar, e vc não sabe se esta num sonho, e dai pra vc achar que sua conta aumentou 3 digitos, que o dólar caiu de novo, que as suas ações da Vale dispararam, eh um pulo pra vc gastar horrores na Madison Avenue. Gente, chega a ser quase nojento como eles pensam em todas as formas de fazer vc abrir sua carteira a todo momento. E nesse mix de glamour e decadência do ser humano eh melhor vc ficar com a 1a opção pra não estragar a viagem. Bem, eu falei que Nietzsche tem me rondado bastante ultimamente…

Alias, como o homus capitalistus carrega cacareco. Varias vezes tive vontade de dar um grito e largar tudo no meio da rua. Contei rapidamente 20 itens que usualmente a gente carrega: casaco, óculos, luva, gorro, cachecol, guarda-chuva portatil, celular, fone de ouvido, câmera, carregador de celular, carregador da maquina, os seus respectivos fios que adoram se enrolar, agenda, passaporte, carteira, caneta, guia, folders das atrações, kit beleza-higiene e uma ou duas sacolas das compras q vc faz, aqueles papeizinhos tenebrosos pra vc entrar no ônibus do city tour. Alias, como eu detesto papeizinhos soltos e fios enrolados. Eles estão sempre enchendo o saco, e quando a gente precisa de um em especifico, eh uma paura.

Bem, a noite. Vi em NY uma noite bem multifacetada. Não existe nenhum mega club a la Rio de Janeiro. Muitos lugares freak, prefiro não entrar em detalhes. Mas destaco a noite de sábado na Pacha, onde vi vaaaaaaaaaaaarias japonesas Tókio. Segundo meu mineirissimo amigo Breno, Japonesa Tokio pode ser vc, eu, sua mãe, seu vizinho, qualquer pessoa que esteja pronta pra qualquer situação que surja durante seu dia. O outfit (e a atitude, claro) serve pra malhar, jantar com o bofe, para uma reunião de negócios, e ate pra dançar. Sim, esse visu existe! Adorei também ver as manifestações da clientela das boates, uma coisa a la Chicago. Diferente do ar inseguro e blaze que carioca e paulistano adoram fazer na noite, americano eh hollywoodiano, adora dar close no dancefloor! Todas querem ser Pussycatdools, Britney, Beyonce, rapper and so on. Me lembrem pra eu falar em off da “Roda das Boo-nee-tas”. Hi-la-rio!!!

A Arte: bem, a Arte eh a minha resposta atual para uma serie de indagações. Já encontrei algumas na ciência, muitas na filosofia, poucas nas religioes, mas a arte tem sido uma grata surpresa. NY foi muito rico: Guggenheim, MoMA, Metropolitam e City Museum, o suficiente pra não virar consumo de arte tambem. Enquanto estava em NY recebi uma mensagem fantástica, que coloquei no post anterior a este. Ela fala de como o ser humano valoriza alguém ou algo dentro de um contexto. Assim como em Miami, em NY muita gente consome arte dentro do contexto. O lugar onde mais encontrei Arte pela Arte foi em Chicago. E agora, compartilho a indagação para a qual ainda não encontrei uma resposta: reside aqui nos EUA uma grande paradoxo. Algo que eu penso eh que eh muito triste vc estudar anos e na hora de produzir não existir mercado para o seu conhecimento. Pelo menos aqui nos EUA, apesar de fordista e meio panaca, existe um consumidor pra tudo: cacareco, serviços, arte. Se produz muita arte, se consome também muita arte, mesmo que de forma contextualizada. E fica a duvida: o que eh pior: pouca gente valorizando arte como no Brasil, ou muita gente valorizando arte, mas de forma contextualizada, como nos EUA? Vou adorar receber a sua opinião. Falando em contextualização, a moldura “brasileiro” faz o americano criar uma serie de preconceitos a seu respeito, e na verdade eles nem querem (ou nem conseguem) ver sua essência de verdade. Eles adoram falar que brasileiro eh hot. Ok, next!

Voltando as vacas magras, o 11 de Setembro eh um marco na cidade, tanto que os guias comparam tudo a esta data: este eh o 1o prédio construído apos a queda das torres, aquele eh o 1o prédio projetado, aquele outro eh o 1o com sistema preventivo contra choque de aeronaves, e por ai vai. Dizem que na época do atentado, o nova iorquino ficou mais dócil, mas que não demorou 6 meses o jeito arrogante, apressado e frio a la São Paulo voltou correndo, de costas e de salto alto. Mas eu entendo o nova-iorquino gente: nessa profusão de gente, barulhos, enfim, estímulos, eh necessária alguma defesa, uma casca, senão eh fato: vc pira. Como todo ser humano, tudo o que o nova iorquino quer eh ser amado. Mesmo que ele compre esse amor… como falei no post do Sex and the city, no Dia dos Namorados. Alias, mais uns tres meses nos EUA e eu perco os dois parafusos que ainda me restam, não dou conta dessa terra não… Sei que eh super papo de jogador de futebol, mas quero dormir na minha cama, comer feijão, poder beber na rua, dançar ate as 8h, receber olhar simpático e tranqüilo dos prestadores de servico, cordialidade na hora de dar informação, enfim, nosso Brasil que da certo. Acompanho os jornais do Brasil pela internet e vejo algumas noticias que me trazem a nossa realidade por ai. Fica nítido que amo o Brasil, mas simplesmente detesto o conceito “Zé-povinho”, aquele brasileiro babaca, ignorante, desinformado, e que não faz questão nenhuma de evoluir. Se não fosse o mesmo, nossa, o Brasil seria per-fei-to. Por isso, novamente, E-DU-CA-CAO eh a chave pra essa nação. Trabalhemos!

Então, eis que chega o fim da jornada americana. Passei um dia em Washington, a Brasília dos EUA. Muito prédio branco, cidade limpinha, organizada, uma noite absurdinho, e aquela grosseria basica dos prestadores de serviço. Enfim, EUA, um beijo.

Andre Dametto

criado por andre.dametto    3:19 — Arquivado em: Sem categoria

22/10/08

Valor e contexto

                 

Bem, a viagem terminando, eu curtindo os ultimos dias, NY aquela loucura q a gente sempre imagina, e nada melhor como receber por email uma reflexao fantastica sobre o valor intrinseco das coisas e como ele eh percebido. O cenario, um metro nos EUA, eh caro. La vai a historia: Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito desce na estação do metrô em Washington DC: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. A experiência, gravada em vídeo http://br.youtube. com/watch? v=hnOPu0_ YWhw , mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte. A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser? Essa experiência mostra como, na sociedade em que vivemos, os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro. Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho. E voce, quer continuar fazendo parte do rebanho?

criado por andre.dametto    17:51 — Arquivado em: Sem categoria
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