Saber livre

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16/10/08

Dando pinta em Boston, sim!

              

Sábado de manha, noite virada, chego sonolento em uma Boston com belas paisagens, céu azul e muito sol. Pra variar, pego um destes taxistas sonsos ou desinformados que querem q o passageiro ensine o trajeto pra eles. Preferi saltar no meio do caminho e pegar metro, me cansou menos. Como eu esperava, a cidade realmente tem cheiro de biblioteca. Ainda não fui a Irlanda, mas os entendedores dizem que Boston é uma mistura de Dublin e Londres. Vemos muitas daquelas casas de tijolinhos, dando a cidade vários tons de marrom. Todas devidamente refletidas nos imensos e modernos prédios espelhados, afinal, its United States! Aqui foram instalados os primeiros assentamentos dos EUA, a partir da colonização inglesa por volta de 1620. Também por aqui foram estabelecidos os fundamentos de liberdade que culminaram na independencia dos EUA em 4 de julho de 1776. Por isso os primeiros museus, universidades e sistemas urbanos dos EUA surgiram em Boston. Alias, curiosidade: a Constituição americana eh a mais antiga do mundo! Fruto das mentes proeminentes que desde seu surgimento transitavam pela Nova Inglaterra. Para ressaltar um DNA ingles, metade das atrações no centro bostoniano levam o termo Old ou First no nome: igrejas, museus, livrarias, meios de transporte e ate cemitério. Alias, por aqui encontrei o inglês mais difícil de se entender, alem de falarem mais rápido e para dentro, o acento eh mais britânico. O hot dog californiano aqui vira um hat dag, de tanto que eles puxam as vogais para a letra a. Falando em comida, hoje reparei que americano quase não usa faca, eles partem quase tudo com garfo ou colher. A cidade não eh tão grande, tem por volta de 600 mil habitantes. Fácil de transitar, ha ônibus e metro para todos os cantos, e as dimensões são infinitamente menores que Los Angeles, Las Vegas ou Orlando. Por todo lado vemos escolas, faculdades e universidades. Duas das instituições mais destacadas do mundo acadêmico estão por aqui: Harvard e MIT. Ao todo ha cerca de 50 instituicoes de ensino superior na cidade, o que atrai gente de todo Mundo querendo esta formação reconhecida mundialmente. 1/3 dos habitantes de Boston são estudantes. Por isso impera nas ruas o Nerdstyle: tons pastel, algum xadrez, combinações bem cafoninhas, muito pijama sendo usado na rua, alem de casaco, cachecol e boinas por causa do frio. Cor mesmo vc so vai encontrar nas mil e uma papelarias fantásticas que encontrei na cidade, com os cadernos e papeis de presente mais criativos que vi na minha Vida. O comportamento do bostoniano em geral também é bastante nerd: comportado, desconfiado, esnobe e competitivo. E isso quem afirma são os próprios. Algo que venho atentando em todas as cidades dos EUA, mas aqui em Boston ficou mais evidente, eh a educação protocolar do americano. Por exemplo, eles agradecem o motorista de ônibus mais truculento. Você agradeceria? Os lojistas perguntam como vai seu dia, como foi o fim de semana, mas não esperam muito dialogo. Eu gosto de responder que vou bem e pergunto como eles estão, as reações vão da lagrima contida ao súbito espanto. Como o blog tb eh cultura, um pouquinho de reflexao marxista sobre mais-valia: fiquei abismado quando soube que o homem-hora médio de um barman/garcon aqui nos EUA é US$ 3, menos que no Brasil, creio eu. Sendo assim, grande parte da remuneração destes trabalhadores vem das gorjetas que os clientes dão. Eu sempre via que todo mundo dava uma ou mais notas de US$ 1 para o barman, mas achava que fazia parte da educação protocolar americana. Mas não, eh solidariedade mesmo, pois o valor do drink vai para o dono do estabelecimento e o governo. Ai acontece o excesso do trabalho: quem eh rico quer ficar cada vez mais rico, já o pobre, tem que ralar para pagar as contas do mês. E assim todos trabalham muito, e sinceramente, o que menos se vê nessa gente toda eh serenidade e felicidade. Tenho achado o americano bem cabisbaixo, talvez reflexo da crise. E da-lhe a comprar, tomar ansiolitico e jogar no cassino para não refletir muito. Ai, ai, ai. Enquanto nas outras cidades americanas minha cor de canela e inglês com latin accent faziam sucesso, por aqui quase passei despercebido, pois o que não falta em Boston eh carioca. Muitos vem para trabalhar em torno da economia de serviços que o setor da educação movimenta. O maior numero de imigrantes em Boston eh de brasileiros, muitos do Rio e Goiás. Alias, tive a felicidade de reencontrar uma amiga de infância, a Luanda, que me recebeu em sua casa, com uma família linda. Fazia 10 anos que não nos víamos, e este reencontro foi muito bacana. Outro ponto memorável foi o bairro do Beacon Hill, cheio de antiquários e restaurantes delicinha. Ótimo para pedir um cappuccino e ver a banda passar. A volta do passeio aconteceu pelo Boston Common, o parque mais antigo das Américas, saído diretamente de um conto de fadas. Pra completar a experiência, um jantar bem gostoso com Gary e Danielle, um irlandês e uma italiana super gente boa que conheci na cidade. Andar por Harvard eh uma viagem no tempo e espaço: seus jardins, cafés e livrarias criam uma vontade imensa de experimentar sua comentada reputação de ensino. Quem sabe um doutorado? No Museum of Fine Arts obtive uma das respostas mais instigantes que vinha buscando na viagem, e isso eh simplesmente maravilhoso. Alias, eh fato: minha satisfação com uma cidade eh diretamente proporcional as pessoas e lugares que eu conheço. Por isso não existe cidade legal ou chata, e sim experiências legais ou chatas. Ate mesmo Las Vegas pode vir a ser, futuramente, uma boa experiência. Who knows? Outra coisa: toda cidade/pais tem seus pontos fortes e fracos. Como disse uma outra amiga, eh muito fácil enxergamos a grama verde do vizinho, mas todos os jardins tem belas flores e suas pragas. O interessante eh aprendermos com o que cada local tem de melhor, e adaptarmos nossa realidade para que a sociedade evolua. Por isso, volto ao Brasil com muitos aprendizados de todos estes lugares, e dentro da minha trajetória pessoal e profissional meu papel eh conciliar tudo de bom que já experimentei na Vida. Sempre me lembro de uma amiga de São Paulo que ao se despedir pediu pra eu “dar muita pinta” nos Estados Unidos. Morremos de rir, afinal se tem algo que sei e gosto de fazer eh dar pinta. Dar pinta eh mostrar quem você eh, se colocar em primeiro lugar sempre, eh se comunicar verbal e não verbalmente, e de vez em quando ate afrontar mesmo, por que não? Mas o lance eh que ser diferente incomoda demais as pessoas, principalmente as desinformadas, e como não sou zen, eu eh que fico incomodado quando alguém fica tirando sarro com a minha cara. Aqui nos EUA, se vc estiver bonito no shopping, dando aquela pinta do tamanho do Empire State, mas com o cartão platinum reluzindo, o tratamento eh uma maravilha, protocolar eh claro. Já na rua, eh vc passar por um rapper preconceituoso ou pela jovenzinha cheia de sarda que não foi selecionada para o American Idol, eh um show de muxoxo, risadinha, coxixo ou ofensa. Eh triste, mas enquanto no Rio de Janeiro cidadania eh trabalhar na Rede Globo, nos EUA eh estar em um ambiente devidamente monitorado e de preferência com 3 cartoes de credito a sua disposicao. E olha que o que não falta nos EUA eh diversidade. Ui, falei! Em compensação, venho aqui destacar um ponto bem positivo dos americanos: as pessoas possuem uma nocao de propriedade e limites muito interessante. O que eh seu eh seu, o que eh do outro, eh do outro, e ponto. No primeiro caso acho que foi sorte mesmo, mas como contei em outro post, encontrei minha carteira no mesmo lugar onde havia deixado a mesma, dentro de um ônibus, ou seja, para um carioca como eu, mi-la-gre. Em Boston, situação semelhante: tive um bem perdido e devidamente guardado ate meu retorno. Também achei interessante a jovem que pediu que eu olhasse sua bolsa e notebook em uma lanchonete, enquanto ia ao banheiro. Vc faria isso no Brasil? Onde, me conta. Enfim, enquanto Chicago foi incubação de idéias e divagação, Boston com seu ar acadêmico foi uma tonica de realização e contextualização de respostas que eu vinha buscando. A cidade permitiu um fluxo bastante interessante de pensamento e sentimento, muito necessários para a criatividade que eu vinha buscando. Nos vemos com certeza algum dia Boston! Agora, que venha Nova York, e como não poderia deixar de ser, im so excited about that! Lets check! See u, Andre Dametto

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12/10/08

Chicago: uma grata surpresa

                 

Você conhece a Oprah Winfrey, aquela apresentadora americana que faz um programa meio Hebe Camargo meio Márcia Goldshmit ? Então, eu simplesmente adoro a Oprah, acho ela inteligente, comunicativa, bonita, bem sucedida, atuante, enfim, ela acontece! Pois bem, o que leva a Oprah e Obama, o democrata candidato a presidência, a escolherem justamente Chicago para morar? Foi com essa questão que cheguei numa segunda-feira a noite a uma nublada, gelada e ventosa Chicago, com cheiro de industria, constantes barulhos de trem e sirenes, uma ambiência a la São Paulo. Pois bem, eu que não sou bobo nem nada e estou de ferias já chego na cidade com um roteirao básico de atrações turistas, e claro, nights interessantes, onde eu geralmente conheço os meus guias informais de viagem. E não eh que uma das melhores noites de Chicago acontece justamente numa segunda-feira? Então la vou eu para a uma festa de curioso nome Boom Boom Room, que o guia descreve como sendo uma experiencia musical onde transformistas e a alta sociedade curtiam house music de primeira. Pois bem, se em Miami encontrei as melhores infra de boate, aqui em Chicago eu encontrei o melhor house tribal dos EUA ate o momento. Cheguei por volta de uma da manha com uma pista já borbulhante, e juro que no primeiro momento fiquei bem assustado, uma sensação de que poderia acordar no dia seguinte sem um rim, sei la de onde tirei isso. Eh que era muita informação junta, não conseguia encontrar um nexo para aquele conjunto, e percebi que a falta de nexo era a tonica daquele lugar. Umas cervejas e musica de primeira logo me fizeram curtir, e aos poucos me enturmei. Icônicas são as cenas dos go-go-alguma coisa extremamente profissionais e fantasiados que davam allure ao ambiente. Mais interessante era a profusão de clientes do club que resolviam fazer as suas próprias performances. Destaque para uma japonesinha que mostrava sua maestria no hip hop, para um homem bem parrudo vestido de Rainha Vitoria, todo de preto, e para um bailarino que freneticamente levava sua perna a cabeça, numa esquizofrenia que fazia o povo delirar. Outro ponto curioso foi a quantidade de transformistas negros, cada uma mais ousada que a outra. Uma hora a Beyonce passava do seu lado, depois a Whitney e gente, ate a Oprah estava no Boom Boom Room. Eu achei o ma-xi-mo! Se não foi a noite mais marcante da minha Vida, com certeza a de segunda-feira foi. Talvez a explicação para uma casa cheia em plena segunda-feira eh o fato de haver na cidade muitos artistas que não obedecem o tradicional esquema segunda-sexta, 8-18h. Andar por Chicago eh por si so uma experiência sensorial. Primeiro, visualmente você de depara com os prédios mais lindos e altos da sua Vida, uma mistura de arquiteturas que conversa direitinho. Para completar, uma lei municipal obriga que toda construção e reforma invista 1,33% do orçamento na aquisição de obras de arte, o que torna Chicago um museu a céu aberto. Destaque para o Millenium Park, onde convivem esculturas modernas, paisagismos, um palco de concertos fantástico e aquele skyline de tirar o fôlego. Ponto para os EUA: por aqui arte eh valorizada, mesmo que de forma industrial. Bem que podíamos copiar a idéia. Somando-se este fato a um histórico de formação cultural musical bem forte, Chicago eh um pedaço dos EUA onde a sensibilidade tem mais espaço para aflorar, e talvez isso explique porque foi uma grata surpresa conviver com os habitantes da cidade. Atenciosos, corteses e comunicativos, fazem questão de receber bem, dão informações. Por aqui também se fala que se trata de uma vontade imensa de cativar o outro por se sentirem um pouco menos por serem a 3a cidade dos EUA, perdendo para NY e LA. Sonoramente falando, eta cidade pra ter sirene. Alias EUA e Europa eh tanta sirene que a impressão que me da eh q as pessoas ligam para o bombeiro quando quebram a unha. Gustativamente, Chicago tem restaurantes pra todos os gostos. Pra variar eu me acabei na Thai Food e experimentei os famosos deep dish (pizza com casca bem grossa e recheada) e o famoso hot dog. Naquela linha comparações, tentei encontrar algum lugar no Rio ou Brasil que se assemelhe a Chicago, mas a única referencia que me vinha a cabeça era Berlim, com aquela maravilha de prédios futuristas e uma veia artística memorável. Digamos que a Vila Olímpia em Sampa com sua arquitetura modernosa e ateliês de artistas da nova geração lembrem um pouco Chicago. Assim como Berlim ressurgiu apos a queda do muro e a Vila Olímpia deu adeus as suas casinhas para abrigar os arranha ceus, Chicago também tem seu lado fênix, já que em 1871 um grande incêndio ardeu a cidade durante 4 dias, deixando apenas esqueletos de aço, os quais hoje explicam o Chicago Style, uma arquitetura que aproveitou a base de aço e sobre ela refez sua arquitetura, pinçando aspectos das mais diversas escolas. Fato inusitado eh um prédio todo modernoso, uns 70 andares, que segundo alguns moradores, seria a representação de uma grande vagina, em razão do seu topo em forma de losango, inclinado para baixo e com uma grande fenda no meio. Diz a lenda que foi o troco de uma arquiteta em razão de a grande massa dos prédios no mundo ser projetada por arquitetos. Ta, meu bem! Ate que enfim surgiu uma Chicago na viagem, tem horas que tudo que nossa alma quer eh surpresa, e com certeza a windy city of big shoulders, com sua arte, arquitetura e gente fantástica me cativaram. Que venha Boston e aquele cheiro de biblioteca que a cidade me passa. Vamos ver o que rola de bom por la! Abs, Andre Dametto

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7/10/08

South Beach: voce vai ver e ser visto!

               

A impressão que tive em South Beach, uma ilha de Miami que por si so vale a viagem, eh de que o verbo aparentar eh conjugado em todos os tempos possíveis. Vamos começar com um pouquinho de historia: anos 1920-1930, aquela crise economica desolando os americanos, uma grande depressão generalizada, e como a industria de remédios ainda não tinha inventando tantas pílulas como as de hoje, a inteligentzia americana logo tratou de criar um paraíso dentro dos EUA para criar um ambiente de renascimento. Melhor lugar que Miami, im-pos-si-vel! Muito sol, uma miscinegacao de culturas deliciosa, aqui se vê de tudo meeesmo, como falei português por aqui alias. Para dar um banho de loja na cidade sem gastar muito, nada melhor do que a arquitetura art deco, que eh barata e hiper funcional. Suas linhas retas e cantos arredondados facilitavam as construções, e tambem a circulação de ar, afinal de contas, não havia havia ar condicionado e o calor eh equatorial. Enquanto o calor de Las Vegas gera nas pessoas um estado de delírio, em Miami o estado eh de excitação. Fiquei sabendo que muitos americanos escolhem esta cidade para curtir a aposentadoria, clima quente faz bem para os ossos e ambiente iluminado ajuda a curar depressao. Este blog também eh cultura! Logo Miami foi atraindo cada vez mais turistas, e como toda cidade portuária que se preza, alem de todos os tipos de pessoas, chegavam os mais diversos tipos de produto por aqui: eletrônicos, roupas, bebidas, comidas, uma infinidade de coisas que tornam Miami um grande shopping a céu aberto. As lojas praticamente não fecham, e em pleno mês de outubro, época de baixa por aqui, os lojistas quase o puxam pelo braco pra vc levar alguma coisa. Esta diversidade fez com que Miami se tornasse uma cidade extremamente visual, colorida. Rola muito neon, luzes piscando. Tudo eh muito estético: as pessoas, as roupas, as comidas, a arquitetura, a arte, sim a arte. Percebi que para fazer sucesso por aqui o artista tem que dar um jeito de fazer sua obra “dar um grito”. Eu elegeria nosso conterrâneo Romero Britto como um ícone para explicar a arte que prospera em Miami: cores fortes, imagens alegres, um certo descompromisso com qualquer reflexão mais profunda, algo para ser rapidamente entendido e incorporado no seu living. Definitivamente o impressionismo não teria nascido por aqui. Depois de cinco cidades fica nítido como o americano “toca a Vida”, foca no produzir, consumir, no pensar pra frente, no que da certo, não rola muita reflexão. Como tudo na Vida, ha o lado bom e o lado ruim. O que extraio de positivo do mindset americano eh o seu foco no que da certo, no pensamento abundante. Com doses de equilíbrio na reflexão creio que chegamos no ponto certo… Enfim, voltando! Nesta de linha de aparecer mais do que o outro, vemos muita gente bonita (ou trabalhada), altas producoes, cada hotel mais magnífico do que o outro. Os lobbies mais criativos dos EUA ate agora: destaco os hotéis Delano e Victor. U-ma-gra-ca! E finalmente encontrei bons clubs, ufa! Ate então so consegui ir em clubs engraçadinhos mas sem energia. Miami sabe fazer festa igual brasileiro, as festas não tem hora pra acabar, e as boates daqui causam em termos de deco, temos a aprender com eles. Cada arquitetura q so vendo. Destaque para o globo giratório da Click q mudava de cor e a passarela de desfile com um poste de pole dance no meio da boate para quem quisesse brincar de anjo da Victoria Secrets. Alias, como vi mulher dando bafao na pista, a-do-ro. Mas o que me marcou mesmo aqui em Miami foram as avenidas Ocean Drive e Lincoln Road, onde o hit era desfilar o modelito que vc comprou nos mil e um outlets espalhados. Nessa hora, muito conhecimento de moda: a chance de vc comprar uma roupa nada a ver eh alta. A moda masculina aqui valoriza uma camisa cheia de estampas, grafismos, brilhos, que somados aos cintos de fivelas imensas e os sapatos a la cowboy com Svarovsky no bico fino, deixa vc parecendo uma drag queen na metade do caminho. Já as mulheres, quanto mais vaporoso e fluorescente o outfit, melhor. Por aqui chamam de sparkling style. A impressao que me deu eh que em época de vacas magras os vendedores querem empurrar o que for para o cliente desavisado. Na linha comparação, Miami eh suuuuuuuper Ipanema. A galera que mora por aqui eh bem estilo carioca. Primeiro, rola um certo carão para se mostrar diferenciado num mar de beldades, mas depois quando você conhece um pouco o povo rola um entrosamento que funciona bem ate a pagina 4. Em termos de turistas rola bastante diversidade: new rich, globetrotters, intelectuais, mas a grande massa eh de wanna be, sem muita cultura, educacao e conhecimento de historia. Enquanto as mocinhas do catwalk de Los Angeles pelo menos entendiam de produção de moda, em Miami vi muita gente afetada, preconceituosa e incomodada com a diferença. Enfim, aceitemos os mesmos para não incorrer no mesmo erro. Alguns amigos escreveram preocupados, e aqui faço uma ressalva: a viagem esta valendo muuuuuito a pena. Meus relatos ora mal humorados, ora sarcásticos, são apenas uma válvula de escape. Mas eh legal ver que quando eu falo isso tudo para alguns americanos eles entendem meu ponto de vista e ate concordam, principalmente com o conceito de bolha que mencionei nos outros posts. Com certeza a viagem esta valendo a pena, como qualquer viagem valeria, pois nos proporciona conhecer novas pessoas, lugares, cheiros, gostos, enfim, Vida! Falando em gosto, o sabor de Miami realmente eh tutti-fruti, mais especificamente Passionberry Twist. Bjs em neon azul ciano, Andre Dametto

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4/10/08

E o direito de ir e vir?

               

A base de um sistema democrático eh a possibilidade de todo cidadão poder buscar o alcance dos seus resultados a partir de um mesmo ponto de partida. Com base nesse pressuposto, todo cidadão deveria ter acesso a educação, saúde, transporte e segurança no mesmo nível, de forma que a busca competitiva pelo êxito pessoal e profissional fosse mais igualitaria. Mas você acredita em coelhinho da páscoa? Nem eu no sistema democrático. Na teoria tudo eh muito bonito, mas na pratica o que vemos são os excluídos cada vez mais excluídos, e aqueles que já possuem boas condições de Vida sempre saindo na frente. Aqui nos EUA estou sentindo na pele o que eh ser vilipendiado do direito de ir e vir. Num pais teoricamente democrático, o cidadão que não sabe dirigir e tenha seu próprio carro, eh exposto a um sistema de transporte publico de-pri-men-te. As distancias por aqui são homéricas como eu sempre falo, mas para piorar, se você não tem um carro (ou alugou um, no meu caso de viajante), eh exposto simplesmente ao descaso de ônibus extremamente demorados, sem regularidade. Para piorar, o atendimento dos motoristas eh geralmente mal educado, ate porque eles sabem que quem precisa daquele serviço eh o excluído ao quadrado, já que ter um carro nos EUA custa bem menos que no Brasil. Bem, e se eu não quiser comprar um carro? E se eu não sei dirigir? E se eu sou um turista? E se eu bebi e não quero dirigir? Ok, pegue um taxi! Engano seu, bobinho! Taxi por aqui também eh um serviço abusivo. Alem de raros, e por isso caríssimos, na maioria das vezes são gerenciados por um cartel de imigrantes que fazem o que bem entendem com os passageiros, criando rotas mirabolantes, falando línguas que eu não entendo, enfim, totalmente equivocado! A questão logística sempre eh o maior estresse em uma viagem como a que estou fazendo. Fazer dez cidades em dois meses eh coisa para guerreiro, mas com todos esses complicadores dos Estados Unidos em alguns momentos fico bastante estressado. Por causa disto aconteceu um fato que so comprova o quanto não estamos sos na Vida, e que realmente não estou viajando sozinho. Sempre acreditei no Divino, mas o fato que vou relatar so comprova que existe uma inteligência superior, chamem vocês como quiserem: Deus, Maomé, Buda, como for. Eu prefiro chamar de Vida, essa entidade superior que explica o transcendental. Vamos ao fato: numa dessas correrias de subidas e descidas esbaforidas de ônibus, eu simplesmente deixei sobre o banco de um ônibus publico de Fort Lauderdale o meu porta-documentos, contendo nada mais nada menos do que: meu passaporte, meu visto, minha liberação para sair dos EUA, três cartões de credito, dinheiro cash e cartões de visita. Ou seja, num pais capitalista como este, eu simplesmente passei a ficar nu a partir daquele momento. E desesperado quando tomei conta da situação, já dentro de outro ônibus. A primeira medida que tomei foi saltar imediatamente do mesmo, a fim de evitar aumentar ainda mais minha distancia do ônibus original onde tinha deixado a carteira, isso ha menos de 5 minutos. Entretanto, no meio do nada, sem dinheiro, identidade e cartões telefônicos, eu estava literalmente perdido. Bateu um desespero daqueles: suei frio, chorei, gritei de raiva, mas depois da catarse respirei fundo e pensei: vamos la, o que uma pessoa sensata faria agora? Lembrei que se tratava da linha 40 e meu objetivo a partir de então era descobrir onde era o ponto final desta linha. Um ônibus 36 passou ao meu lado e perguntei onde era este ponto final, ao que ele me indicou que fosse ao outro lado da rua, onde passava o ônibus 40. Numa daquelas chamas divinas da Vida, vem em minha direção um ônibus 40, e nada mais nada menos do que o mesmo motorista dirigia o mesmo, e o melhor: meu porta-documentos estava no mesmo lugar, protegido por uma senhorinha que ao meu ver so me dirigiu as seguintes palavras: venha ca! Bem, não preciso falar mais nada! Então gente, muitas emoções mesmo, para desestressar aproveitei estes três dias em Fort Lauderdale pra descansar, nada de museus, restaurantes, hotéis, meu roteiro básico foi praia-praia-praia, que por sinal são muito bonitas. Água clarinha, praia limpa, não se pode beber bebida alcoólica, mas se vc embrulhar pode… enfim. Naquela linha comparações, Fort Lauderdale eh uma coisa Recreio, mantem a aura Barra da Tijuca, mas bem praiana, mais relaxada, carros conversíveis, muuuuita disparidade: na costa um luxo como nunca vi antes, tudo muito bonito, estético, sorrisos, enfim, plástico! Se vc andar 15 minutos pra dentro de Fort Lauderdale vai ver lugares mais feios, onde moram os excluídos que não tem carro, provavelmente. Geralmente são emburrados, tanta a insatisfação com este lugar, algo como o que eu relatei acima. Bem, minha primeira providencia vai ser mandar um email pro prefeito dessa bodega relatando minha insatisfação como mochileiro. Se vou ser escutado, ou ate mesmo entendido, não sei. Mas democracia eh isso, vamos ver se eles vão saber escutar. Abs e q venha Miami, e aquela coisa tutti frutti que South Beach me passa. Depois conto pra vcs o sabor de verdade. Andre Dametto

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2/10/08

Disneylandia, uma experiencia completa

                     

Bem, quem me conhece sabe que sou irritadiço, pego pilha fácil, e depois de uns dias viajando os nervos ficam a flor da pele mesmo. Las Vegas testou minha paciência, mas se o objetivo da viagem eh descansar e curtir, a postura de “comer os morangos” foi a mais adequada mesmo. Mas o lance eh que percebo que tanto na Europa quanto aqui nos EUA, nos eh exigido um comportamento exemplar, entretanto as contrapartidas não são exemplares. Dentre as coisas que me irritam por aqui destaco algumas que acontecem a todo momento: 1 – Ninguém saber dar informação, como tudo aqui eh muito esparso parece que as pessoas não andam nas suas cidades, não conhecem nomes de ruas. Pra piorar quando você chega na bendita rua os prédios não tem numeração visível. 2 – O nativo fingir que não entendeu o q vc perguntou so porque vc não perguntou com o sotaque e com a acentuação ideal. Imagina um carioca fazendo carão quando um gringo pergunta onde fica Copucaban? Pois bem, o próprio gringo faria, especialmente se for imigrante, eles tem MUITA raiva de ver outro imigrante gastando e se divertindo 3 – Você precisar de grana e não encontrar um caixa eletrônico nem na rodoviária. E você precisa estar sempre preparado com pocket money, pois americano adora cobrar algo. Eles sempre adicionam o imposto sobre o valor que você vê escrito na etiqueta. 4 – O estado constante de tensão a que somos submetidos: uma placa escrito ‘E PROIBIDO xxx, ou outra placa dizendo VOCE PODE SER PRESO SE…, os barulhos de constantes (sirenes, buzinas, maquinas de videopocker) e a propaganda catrastrofica de apocalipse hollywoodiano que os filmes e jornais fazem por aqui. 5 – As piadas sem graça que eles fazem pra tentar amenizar este estado de tensão. Eu mando um carão na hora quando me vem com piadinha boba na hora errada. Imagina vc todo tenso que vai perder seu vôo e fica ouvindo piadinha. Nobody deserves… 6 – A forma como a criança americana eh tratada. Gente, parece cachorro. Ha sempre condicionais: se vc xxxx, vc ganha yyy. Ai a criancinha faz xxxx, ganha o biscoito e ainda ouve: goooooood boooooooy! Talvez esteja aqui a causa de tudo… Mas ate que enfim apareceu uma Disneylândia no roteiro. Gente, na Disney eu não consigo lembrar de um único momento em que eu tenha me irritado. E olha que eu sou chato. Eles sabem fazer um bom trabalho, ali eh o case de Marketing da Experiência. Tudo eh feito para proporcionar conforto e diversão, você chega as 9h e quando você menos percebe já são 20h. Eu simplesmente fiquei en-can-ta-do com a Disney, o slogan deles eh Disney, where your dreams come true. Bem, meus sonhos de viajante eram mesmo entrar numa bolha de tranqüilidade, e eu consegui. O atendimento eh intocável, mesmo sendo protocolar eles tratam cada ser humano ali dentro como um espectador de um show. O deslocamento entre os parques funciona super bem. Apesar de tudo parecer bem anos 90, eh bem cuidado, limpo, os cenários são bem feitos, e você se diverte ate no carrossel. O parque que eu mais curti foi o Epcot Center, onde o simulador de asa-delta e o Pocket Mundo vão ficar pra sempre. Nesse Pocket Mundo eles souberam reproduzir muito bem a experiência de diversos países, com prédios típicos, comidas, cheiros, musicas, funcionários nascidos naqueles países, enfim, você literalmente viaja pelo mundo dentro da Disney. Isso talvez explique porque aproximadamente 70% dos americanos nunca saíram dos EUA. Alem de serem auto-centrados, eles podem “conhecer” as outras culturas no pocket mundo da Disney, nos hotéis temáticos de Las Vegas, nas ruas de San Francisco e Nova York, e por ai vai. Imagino que este parque so pode existir devido a genialidade e criatividade do seu fundador, Walt Disney, aliada ao seu mindset de grandeza que todo americano possui. Eu gostaria muito de entrar na cabeça de um americano, a impressão que eu tenho eh que eles desde crianças são estimulados a pensar muito grande, então parece que você esta em Itu, tudo eh magnificado: estacionamento, shopping, hotel, copo de cola-cola, sanduíche, saco de pipoca, e por ai vai. O grande problema eh que apesar de abundante, este mindset também eh egoísta, sendo assim, vive-se o paradoxo do Tudo sem Visão do Todo. Por um certo prisma foi bom viajar pelo mundo dentro dos EUA, pois apesar do viés Disney em todas as atracoes, ficou nítido que enquanto americano pensa grande, pensa em massa, quantidade, o europeu eh mais voltado para o esmero, para o nicho, e qualidade. Usando um conceito de estratégia, eh como se o americano fosse muito bom em economia de escala, e o europeu em diferenciação. Tanto eh que quando americano precisa trabalhar diferenciação recorre a competências desenvolvidas na Europa, assim como os europeus vem pra ca aprender sobre o business para grandes massas. Mesmo na Europa, muitas das cadeias de serviço para consumo de massa são americanas, sao eles que sabem lidar com isso com maestria. Veja que o automóvel, o computador, o filme blockbuster e o fast food foram inventados aqui. Já o perfume premium, o design conceitual, o filme noir e o slow food são criações européias. E o Brasil, o Rio de Janeiro, onde ficariam nesta classificação? Percebo que temos no Rio uma grande diversidade de culturas, no post de Los Angeles ate busquei criar uma analogia das cidades com nossos bairros. Ate agora tudo nos EUA me pareceu bastante Barra da Tijuca, somente San Francisco ficou uma coisa meio Copacabana, talvez Lapa. Não sei se estou errado, mas o Rio de Janeiro ainda não definiu uma identidade, e nem sei se quer definir. O que mais me irrita no Rio são justamente os aspectos americanos que o carioca tipico adora copiar: a valorização da plasticidade, o consumismo competitivo, o trabalho desequilibrado e o excesso de carros nas ruas. O que eu mais amo no Rio são os aspectos europeus: a sua cultura artística, as ruas e arquitetura antigas quando conservadas, meus amigos inteligentes, cultos e sensíveis. Fiquei com uma duvida existencial que me intriga: já que eu gosto tanto deste mundo europeu, deveria eu me mudar para ele, ou já que nasci no Brasil desenvolver meu ecossistema particular desta forma em minha terra natal? Isso daria um puta bate-papo com um psicólogo, sociólogo ou antropologo. Quem puder me dar um help eu agradeço. Outra duvida que me bateu foi sobre uma questão ético-paparazzi: ate que ponto podemos invadir a privacidade do outro em nome de uma foto? No meu caso, meu foco eh totalmente artístico/antropológico/turístico, então as vezes vejo cada cena q da uma vontade de clicar, mas fico com receio de estar sendo inconveniente. Ainda mais nos EUA, se processa por qualquer motivo… Alias, como americano usa sapato feio gente, caramba! Eles compram a roupa mais cara, vistosa, se enchem de gadgets, mas na hora do sapato eh um deus nos acuda, acho q vou começar a fazer umas fotos e depois abro um concurso do sapato mais feio da viagem, vcs me ajudam a escolher. Bem, a Disney foi uma bolha de tranqüilidade na viagem, mas como toda bolha, instável. Alias, parece que bolha por aqui eh algo típico: alguém ai esta sentindo na pele os efeitos da crise economica americana? Outra bolha… Abs, nos falamos depois de Fort Lauderdale, cause I worth it. Andre Dametto

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28/9/08

Coma os morangos…

            

Uma fabula bem interessante conta que certa vez uma pessoa ao cair em um barranco conseguiu se agarrar as raizes de uma arvore, e subitamente percebeu que esperando pode ele havia um urso faminto na parte de cima do barranco, e embaixo algumas oncas tambem famintas, com garras afiadissimas. Nao sabia qual imagem era mais aterradora. Em determinado momento, esta pessoa olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com aquelas escamas douradas refletindo o sol. Num esforço supremo, apoiou seu corpo, sustentado apenas pela mão direita, e, com a esquerda, pegou o morango. Então, levou o morango a boca e se deliciou com o sabor doce e suculento. Foi um prazer supremo comer aquele morango tão gostoso. Talvez você me pergunte: "Mas, e o urso?" Dane-se o urso e coma os morangos! E as onças? Azar das onças, coma os morangos! Bem, o que esta fabula tem a nos ensinar? Quem na Vida, mesmo quando voce estiver passando por problemas e desafios por todos os lados, sempre ha algo que esta dando certo, um novo prisma de enxergar a realidade, enfim! Saboreie os bons momentos. Sempre existirão ursos, onças e morangos. Eles fazem parte da vida. Mas o importante é saber aproveitar o morango, porque o urso e a onça não dão tempo para aproveitar. Coma o morango quando ele aparecer. Não deixe para depois. O melhor momento para ser feliz é agora. O futuro é ilusão que sempre será diferente do que imaginamos. A felicidade existe pra ser vivida hoje, agora, com os morangos que temos a nossa frente. E por que trazer esta reflexao? Digamos que eu busquei comer morangos a todo momento enquanto estive aqui em Las Vegas. Voce conhece alguem que vem a Las Vegas e nao joga uma moedinha sequer? Pois bem, nao senti a menor vontade de jogar. Definitivamente nao gostei da cidade, todo aquele materialismo e plasticidade que me irritavam em Los Angeles aqui eh potencializado a quinta potencia. A impressao que tive eh que Las Vegas eh uma grande ilusao, onde um calor de quase 40 graus do deserto deixa todos meio tontos, e uma profusao de predios, cores e neon contribuem para o aspecto onirico do lugar. A grande pedida da cidade eh caminhar pela Strips, rua onde ha diversos hoteis, todos imensos, com grandes galerias de cassino e shoppings, muitos shoppings. Cada hotel simula uma experiencia, e o que seria isso? Aqui em Las Vegas eles chamam qualquer produto ou servico de experiencia, dando um carater de fantasia ate a um almoco num fast food. Entao existe experiencia do hotel parisiense, experiencia veneziana com direito a gondola e tudo, experiencia de lagosta thailandesa e ate um corte de cabelo vira experiencia de beleza. Em muitos lugares alem da arquitetura local era simulado um ceu de mentiirinha, entao tinha horas que nao sabia se estava em um lugar fechado ou aberto. A cidade atrai todo tipo turista, mas a grande maioria eh de americanos tipicos: inclinacao ao consumo desenfreado, falta de visao do todo e um consequente retardo intelectual sao caracteristicos. Eu simplesmente achava desagradavel quando encontrava pessoas por aqui que nunca tinham ouvido falar do Rio de Janeiro? Ahn?! Entao, em Las Vegas, esse turista tipico americano chega de suas pacatas cidades, geralmente do interior, e aqui vem seguir a toda custa o ditado What happens in Vegas stay in Vegas, compensar nas farras todas as amarras da regrada sociedade americana. Minha " experiencia de albergue " tambem nao foi muito boa, pois alem de longe da Strips o local era simplesmente bizarro. Pra piorar, minha " experiencia de voo " para Orlando foi pessima, pois meu despertador nao funcionou e eu perdi o voo, tendo entao que morrer numa grana para conquistar meu destino. Alias, fazer mochilao nos EUA eh coisa de maluco. Diferente da Europa onde minhas experiencias de deslocamento foram faceis e praticas, aqui vc precisa chegar com pelo menos 3 horas de antecedencia. Ha muitas filas, a revista para quem ganha um SSSS no bilhete eh uma experiencia de aporrinhacao, voce tem que tirar o sapato, tirar o notebook, passar por uma maquina que dispara jatos de ar em vc, ver suas bagagem de mao ser toda revistada por guardas nada simpaticos. Bem, e os morangos? Pra nao falar que nao curti nada em LV, gostei do espetaculo das aguas dancantes do Bellagio, e do shopping do Palazzo, muito bem arquitetado. Mas o melhor foi que toda essa experiencia serviu como um puta autoconhecimento, sobre o que gosto, o que nao gosto, e fiquei intrigado. Me bateu um certo niilismo de pensar que no mundo de hoje vale a pena ser meio boçal, viver igual um ser de linha de producao que trabalha, ganha, consome e nao pensa muito nas consequencias dos seus atos - Qualquer semelhanca com os americanos nao eh mera coincidencia… Parece que o sistema conspira a favor destes. Seria um desvio da natureza nascer sensiveis e conscientes sobre alma, espirito, equilibrio? Enfim, acho que Las Vegas tambem me fez ter delirios… Bjs e que venha Orlando, pelo menos vou dar muita pinta na Disney. Andre Dametto

criado por andre.dametto    19:03 — Arquivado em: Sem categoria

26/9/08

YouÂ’re welcome!

            

A ida pra San Fran começou meio tensa, porque resolvi ir de ônibus de LA para evitar os estresses de aeroporto, mas encontrei um motorista que dava ordens militares, falava alto, disgusting! Os prestadores de serviço publico tem uma postura meio militar por aqui, e percebi que na terra dos americanos todo cuidado e pouco, afinal qualquer coisa pode ser motivo para uma infração. Estresse compensado pela chegada em SF, uma cidade ladeada de água por todos os lados e com um skyline maravilhoso. Prédios modernos, conversando com construções antigas de estilo vitoriano (aquelas casinhas antigas com duas cores combinando e flores).

Como cheguei na cidade um dia antes do planejado, não tinha reserva no hostel, então deixei minhas malas e resolvi curtir a noite de SF. Mas bela ilusão, por aqui tudo fecha `as 2 da manha, algo que pelo visto eh comum nos EUA, medida para fazer com que as pessoas bebam menos e a violência seja reduzida (Do you really believe in that?). Caminhando pela cidade encontrei um esp’irito cultural, pessoas educadas: uma vez dentro da cidade, você eh bem tratado pela população, eles desejam bom dia, boa noite, pedem licença e falam you’re welcome a todo momento. Resolvi ir pro basfond, mais espeficamente em Castro, um bairro antigo e com veia de cultura. Bares abertos, uma cultura gay fortíssima, e começam as novidades: em plenos 13o C (em SF a amplitude térmica eh imensa, vale a pena se vestir em camadas de roupas), do nada um senhor já sem camisa (?) resolve retirar sua calca (??) at’e ficar completamente nu (???). Eu achei aquilo tudo muito surreal, e para verificar que realmente era um fato chamei um rapaz que caminhava na rua e perguntei: - Este senhor esta completamente nu? O jovem ri, responde que sim, mas sem muito espanto, um leve sorriso permeia seu discurso. Eu tão traumatizado com as regras americanas devolvi: - Mas ele não pode ser preso? O jovenzinho da outra risadinha e diz que sim, but… e continua caminhando como se naaada tivesse acontecido. Depois vim a saber que este senhor e mais outros dois são habitue do pedaço, e fazem sempre esta performance, a diversão deles eh ficar completamente nu na porta das boates. Sur-re-al!

 Fui então caminhando de bar em bar, ate encontrar Sophia, uma nicaragüense super gente boa que resolveu me apresentar o pedaço. Fomos para uma festa de hip hop, cheia dos tipos clássicos que vemos nos clips: muitas correntes, gírias, roupas XL, mas o melhor era ver que se tratava de uma festa hip hop friendly. Para quem conhece um pouco da cultura hip hop no Brasil sabe o quão inovador eh ver um yo maaaaaaan gay. Depois de alguma farra (afinal a noite acaba `as 2h) estava eu literalmente sem teto em SF. Fui pro albergue na intenção de encontrar qualquer cantinho pra me encostar. Descobri uma sala de vídeo vazia e com um carpete quentinho, foi ali mesmo que me deitei. Pena q nos EUA tudo eh filmado e não deu 10 minutinhos de sono alguém disse que “ era melhor eu não ficar ali”. Ok, fui pro sofá do hostel e ali fiquei ate 8 da manha dormindo em umas posições a la yoga.

 Acordei naquele dia com uma vontade de gastar, me senti estranhamente americano. Coloquei na cabeça que precisava de um notebook, e ate encontrar um não aquietei. Passeei no centro financeiro (lindo, lindo!), Chinatown (aqui vc s’o vê chinês e turista, no resto da cidade “somente” 50% são chineses). Alias, curiosidade: o biscoitinho da sorte que vem no seu pedido do China in Box foi inventando por um japonês, e aqui em San Fran. O mais gostoso eh passear pela cidade nos bondes, são lindinhos e poupam seu corpicho de tantas subidas e descidas, afinal a cidade eh toda composta de morros, tipo Belo Horizonte. Nesses bondinhos se lêem placas escrito Uscita, ou seja, saída eh italiano. ‘E que San Fran resolveu comprar bondinho pelo mundo todo, inclusive uns da Itália. Depois fiz o tradicional passeio de ferry boat que passa pela Golden Gate Bridge, por Alcatraz, e proporciona uma visão fantástica desta cidade, que naquela linha comparações, me pareceu uma grande Lapa dos tempos contemporâneos, com sua cultura, muitos prédios novos aparecendo e algum desleixo com a população de rua (aqui ha bastante). Em alguns aspectos também lembra Florianópolis, por causa do clima agradável, a ponte histórica, alem do fato de ser a “queridinha dos americanos”. Todo mundo gosta de vir aqui passear e muitos ate vem se aposentar e morar por aqui. Mas prepare a carteira: a cidade eh cara. Os preços dos imóveis ainda são inflados, a comida eh gostosa, os hotéis magníficos, mas tudo muito bem precificado. Para economizar nada melhor do que os fast foods mexicanos que encontramos aos montes na Califórnia. O taco eh a versão californiana do kebab que tanto vemos na Europa.

 Falando em hotel resolvi a fazer a linha rrrrrrrrica e fui conhecer lobbys poderosos de hotel. No do Four Seasons tinha um piano maravilhoso, atendimento 5 estrelas, momento para registrar os momentos da viagem e refletir. Saindo do hotel, meio altinho, entrei numa loja maravilhosa da Mac e l’a comprei impulsivamente o notebook que eu tinha desejado o dia inteiro. Também amei os lobbys do Clift, do Marriot e do International Mark. Nesse ultimo rolou momento loucurinha de viagem. Como nessa semana toda rolou em San Fran um encontro da Oracle, com mais de 40 mil funcionários, fornecedores e clientes, pululavam coquetéis para ver e ser visto na cidade. Nesse hotel eu acabei entrando sem querer num coquetel da empresa, e naquela linha cara de pau eu de viajante mochileiro encarnei um cliente da Oracle, bati papo com o povo e tudo.

 Momento risadinha foi a família de Singapura com quem eu dividi o quarto do albergue. Eram o pai, a mãe e o filho de 21 anos que eles tratavam como uma criança. Não sei se faz parte da cultura deles mas gente, como eles arrotavam. Me dava pânico qdo estavam os três juntos no quarto. Mais hilário foi quando a senhorinha resolveu arrotar na minha frente e eu comecei a rir mesmo, e ela me fez aquela cara de What?! Pra não criar climao resolvi comentar como havia sirenes em San Francisco, e que achava aquilo engraçado. Acho q ela acreditou. O momento mágico da viagem foi o Golden Gate Park, sooooooo fabulous como dizem os americanos. Muito paisagismo, museus fantásticos, aquelas experencias sensoriais que ficam pra sempre na memória. Quem me conhece sabe q eu adoro gritar, especialmente quando estou feliz. Então eis que eu encontrei uma instalacao fantástica, não havia ninguem e pensei comigo mesmo, putz q vontade de gritar aqui. E o fiz, bem alto! O problema eh que americano tem delírios persecutórios e logo veio um segurança esbaforido para ver se não estava ocorrendo um incidente…

Para concluir bem a viagem fui curtir Sausalito, uma cidade do lado de San Fran com climao bem Búzios, restaurantes, turistas, roupa fashion e colorida. Momento gargalhada foi quando estávamos eu e alguns amigos discutindo sobre a palavra Bitch. Aqui se usa bitch pra tudo, que vai de uma escala de piranha `a querida mãe abençoada. A diferença esta na entonação, o cool eh dizer fazendo uma vozinha de Bart Simpson, quase uma cabra falando bitch. Its hilarious! Eis então que percebemos que a mesa tinha virado o centro de atenções do restaurante, a ponto de um grupo de senhoras canadenses vir tirar fotos conosco. Mas eu querendo então praticar a nova palavrinha, virei pra tiazinha canadense e mandei um: Bye bye have a Nice time bitch! Pra que? Ela fez uma cara tão feia, e perguntou: Where are u from? Eu sentindo que tinha feito besteira já fui pedindo desculpas, dizendo que estava aprendendo um novo termo e que quis ser simpático. Ela então comentou: take care with your friends lessons, honey! Eu concordei, fiz a linha simpatia, mas no final me deu uma vontade de mandar: have a good time bitch! Ok, deixo pra usar no Brasil com minhas amigas meeeeeeega bitch! Hoje no aeroporto um breve momento tensão, meu bilhete teve uma marcação SSSS, que deve ser algo do tipo suspect suspect suspect suspect. Um saco, tinha quase que fazer teste da farinha. Pra compensar, um vôo cheio de gracinhas da Virgin America. Os sérios mocinhos eficientes da TAM aqui são substituídos por rapazes e mocas saídos de um show de auditório, fazendo concursos, sorteios e o avião eh um luxo: todo roxo, cadeiras de couro, so glamurous, so san Francisco!

 Enfim, ameeeeeeeeeeeei San Fran! Como esperava, encontrei muita gente bacana em SF e tive experiências que guardarei para todo sempre, Agora parto pra loucura que deve ser Las Vegas. O ditado diz que what happens in Vegas, stay in Vegas, mas no próximo post eu trago a parte light da viagem. Bjs e obrigado pelos emails deliciosos que tenho recebido dos amigos.

 

See u, Andre Dametto

criado por andre.dametto    15:31 — Arquivado em: Sem categoria

21/9/08

You’re gifted… go to Hollywood

               

‘E com esta frase que muitos chegam ‘a terra do sonho dourado americano. E neste esp’irito aqui tambem vim conhecer esta cidade de 3,5 milhoes de habitantes, onde mais de 50% sao latinos e chineses, e outros 40% de americanos vindos de outros estados. Resumindo, todos aqui estao em busca de alguma oportunidade. As dimensoes sao homericas, e meu maior erro foi achar que minhas pernocas dariam conta do recado. Aqui os bairros sao isolados e t^em status de cidades, tendo inclusive arquiteturas e culturas muito distintas entre si. A dica entao eh alugar um carro (inviavel para quem esta viajando sozinho) ou comprar os tickets de 5 dolares, que vc pode usar o dia inteiro, quantas vezes quiser.

Agora vamos `as atracoes turisticas. Primeiramente, Hollywood Boulevard, onde temos a Cal’cada da Fama, o Teatro Chines e o Kodak Center. Aqui tudo respira cinema, alias Los Angeles gira em torno do mundo do cinema e da midia. ‘E como se fosse um cluster onde todas as empresas e profissionais atendem de alguma forma ao showbusiness (ou querem atender). O que mais me chamou atencao aqui foi a quantidade de freaks, gente diferente. Parece que estamos dentro de um sonho, as vezes pesadelo. Em um minuto passam por voce a mulher gato, o coringa, um senhor de cabelo desgrenhado discutindo consigo mesmo, skatistas, japoneses com suas cameras infaliveis e um monte, mas uma peeeeeeenca de garotas de 15-20 anos, estampando um ar super sexy, microsaia, salto 15, de bracinhos dados e perninhas mais finas que o seus bracinhos, fazendo um catwalk meio a la Gisele Bundchen. O objetivo aqui ‘e ser descoberto a qualquer momento, entao investe no modelito e se joga!

Entretanto em termo de freaks Venice Beach ganha disparado. O ar aqui ‘e menos fashion do que Hollywood, mas no quesito sonho esta praia nao fica pra tras. O som de fundo ‘e hippie, ou seria um mantra hare chrishna. Well, algo com tambores. O cheiro ‘e de incenso, ou entao salvia queimada, que eles amam por aqui, dizem que d’a onda e tudo. As gaivotas voam aos montes, sao como os nossos pombos. O visual eh composto por skatistas, malhadores, rappers, ripongas, artistas expressionistas e muitos turistas. Um destes artistas caminhava com uma placa em que estava escrito Fuck You em letras garrafais. Eu tambem mandei ele se fuder e ele riu. Los Angeles d’a muita liberdade para voce expressar quem voce ‘e ou deseja ser, entao o sonho de que aqui eh o lugar para se encontrar atrai muita gente. Entretanto, thats all about business, e no capitalismo nao tem lugar pra todo mundo. Vencem os mais fortes, ou os mais bonitos, ou os que tem a melhor rede de contatos, enfim… O lance ‘e que nao eh facil ser looser por aqui, e talvez por isso muita gente pira mesmo, explicando a profusao de tipos que encontramos nas ruas. Para evitar problemas eh bom tambem ter cuidado nas interacoes. Eu na linha de ser simpatico com uma senhora, fui elogiar o seu visu, afinal estava toda recatada de vestidao mas fechando no oculos escuro, imenso, colocando qualquer Prada no chinelo. Mas ela discretamente me fala its not fashion, its catarata

‘E muito comum tambem alguem vir puxar papo do nada. Uma tiazinha barbuda e pintora me fez uma pergunta que causou a reflexao da tarde: Por que as pessoas fazem amizades? Voc^e encontrou grandes amigos em sua Vida? Enfim… Nessa linha " vamos refletir" tamb’em fiquei viajando num paralelismo entre as cidades do mundo e o Brasil, e encontrei algumas semelhan’cas a partir das minhas experiencias. Los Angeles me pareceu uma grande Barra: imensa, colorida e um pouco artificial. Paris estaria para Santa Tereza, com seu charme natural, ruas a serem descobertas e um clima aconchegante. Lisboa seria algo como Laranjeiras e Cosme Velho, pacata, elegante e funcional. Madri ‘e meio Lapa, Rua do Lavradio, aquele agito que nunca dorme, e muita hist’oria pra contar. Barcelona seria Copacabana, numa miscelanea de cores, cheiros e sons dos mais variados tipos. Londres estaria para Sao Paulo, aquela profusao de predios, velocidade e modernidade fria. Amsterdam eu associaria com o Jardim Botanico, com um design `a frente do seu tempo, e descobertas a cada recanto. Berlim me lembra o Centro do Rio, um encontro da historia com a modernidade. Roma me lembra a Gloria, a gente detesta no primeiro momento mas conforme vai conhecendo melhor descobre que tem muita coisa boa. E Milao me lembra o Leblon, refinado e blaz’e.

O povo de Los Angeles recebe voc^e bem, eh comum um trato educado no dia a dia, motoristas de onibus (muitas mulheres condutoras inclusive) desejam bom dia, pessoas na rua pedem licenca e desculpa por qualquer questao, os carros esperam os pedestres atravessar, neste aspecto a sociedade americana eh mais avancada. Talvez pela historia do cinema, o americano ‘e muito performatico na sua oratoria, parece que sempre ha um grito de Luz Camera e Acao. Eles falam com bastante modulacao, estendem algumas vogais e fazem caras e bocas que enfatizam sempre o conteudo. Outra coisa que me chamou a atencao aqui tecnologia:desde o sistema de pallets que agiliza o embarque das bagagens nos avioes, ate a coleta mec^anica do lixo, que dispensa aquele monte de homens carregando lixo nos caminhoes. Mas o que mais me encantou foi a diversidade de carros: voce nao ve um igual ao outro, e cada um eh mais bonito que o outro. Aqui na California a moda agora eh ter dois carros: um Sport Utilitary Vehicle (SUV), lindo mas beberrao de gasolina, e outro ecologico, afinal na terra das aparencias pega bem estar alinhado com a causa da sustentabilidade. Falando em sustentabilidade, a fama do Brasil aqui em Los Angeles ‘e de pais avancado em termos de combustivel. Alguma propaganda fez os californianos acreditarem que nossa frota eh toda de etanol… Well, coisas do business.

Num mundo de muitos Mc Donalds, outlets, higways e carros car’errimos a chance de voce se saturar depois de 2 dias de viagem eh alta. Eu busquei ver me focar mais no lado arte/conhecimento/tecnologia por tras do consumismo, e eh possivel. Mas tem horas que tudo o q vc quer aqui eh ouvir um barulho de passaro, e ver a menor quantidade de gente possivel. E isso ocorreu num lugar muito bacana chamado Getty Vila, um espaco fora do tempo e do espa’co aqui nos EUA. Ela reproduz um cenario da Roma antiga, com seus pal’acios e jardins. A est’etica romana de beleza, equil’ibrio e funcionalidade ‘e valorizada, e isso explica muito da experiencia de bem estar instantaneo que sentimos ali dentro. A casa pertenceu a um magnata do petroleo que, como sempre, se arrependeu de ter explorado tanto a sociedade e resolver devolver em forma de arte. Ok, menos mal. A casa fica no caminho para Malibu Beach, que aliaseh bem mais bonita na televisao. Nao vi Pamela Anderson, mas vi os bikinis imensos que as americanas usam. Acho que sao maiores que as microssaias que vi em Hollywood. Alias, no quesito praia, bem como no quesito noite, o Rio de Janeiro d’a um banho. Gente, Ipanema so perde pro Caribe, Mediterraneo e sudeste asi’atico mesmo. No quesito noite, as casas noturnas aqui sao bonitas, as pessoas sao interessantes, mas falta Vida, parece tudo muito plastico… mas sem alma.

Enfim, Los Angeles foi uma experiencia valida, mas so voltaria aqui a trabalho, de preferencia estrelando um blockbuster. Hoje parto para San Francisco, na esperanca de encontrar mais alma, mais Vida naquelas ruas e suas subidas e descidas. Para minha mae e amigos que mandam sempre emails, mando aquele abraco muito especial, obrigado pelo carinho. Cada experiencia me faz lembrar de alguem em especial, eh como se viajasse com cada um por alguns instantes. Bem, vou indo nessa e em breve trago mais novidades das terras americanas.

Abs, Andr’e Dametto

criado por andre.dametto    14:35 — Arquivado em: Sem categoria

16/9/08

Pelas ladeiras de Santa

            

Último dia no Rio de Janeiro, aqueles momentos de felicidade, ansiedade, medo e uma infinidade de sensações que nos acometem antes de grandes jornadas. Quis fazer algo que eu realmente amo muito nessa cidade: passear em Santa Teresa. Tempo chuvoso, pela janela fechada do táxi eu prestava atenção em detalhes até então despercebidos: as quinas das casas antigas, os mosaicos dos seus ladrilhos, o equilíbrio caótico dos carros subindo e descendo as ladeiras… E assim eu entendia porque Santa Teresa é um pedaço apaixonante: ele me fazia me sentir em outro Rio, mais humano, mais real, mais alma. Nesse dia também um reencontro, um almoço calmo, vinho, neblina, e isso só confirmava que estava em outro tempo, em outro espaço. Toda viagem é uma pequena morte dentro de nós: algo vai embora, e um novo ressurge, e por isso viajo, para lidar com uma complexidade e sensibilidade que me transbordam, e que talvez somente Santa Teresa tenha compreendido. Um bj, até breve. André Dametto

criado por andre.dametto    1:34 — Arquivado em: Sem categoria

10/9/08

Efeito The Week

                                 

Há algum tempo venho observando um efeito interessante que um club de música eletrônica aberto há um ano no Rio tem causado. Nossa cidade maravilhosa sempre foi carente de bons espaços para quem gosta da cena eletrônica, até porque o carioca mediano acha que gastar na noite é coisa de paulistano, e que toda música eletrônica não passa de um tuntituntitunti sem graça.

 

Pois bem, alguém resolveu quebrar o paradigma e criou uma casa com boa qualidade de som, ar-condicionado eficiente, bom atendimento (!!!) e o melhor, livre de qualquer rótulo, senão o ideal do "universo perfeito" para os amantes da música eletrônica. Mas esse bla bla blá é para introduzir uma percepção que venho tendo junto a pessoas próximas: justamente por não buscar o rótulo e oferecer uma experiência de serviço de padrão internacional, a The Week tem atraído todo tipo de público.

 

Assim, uma casa noturna com um viés originalmente gay, está ficando cada vez mais desenviesada, com o perdão do neologismo. E aí vemos o colega ixpertu do trabalho contando da "balada" que curtiu com a namorada, a sua personal trainer encantada com os "bofes escândalo", uma profusão de garotos encantados com a possibilidade de encontrar muitas "amigas mudernas dos gays", e quando a gente menos percebe, estamos num ambiente mix que deixa o astral da casa mais real, valorizando a diversidade em toda sua plenitude.

 

Pode ser uma grande maluquice da minha cabeça, mas acho esse fenômeno muito importante para a questão da inserção da diversidade na pauta, pois de uma forma tácita, muitos heterossexuais estão verificando que os gays são como qualquer ser humano, sabendo se divertir, pagando suas contas, e querendo curtir um bom lugar. Indiretamente, curtindo e aceitando um lugar de viés gls, as pessoas (inclusive os próprios gays) modificam sua imagem sobre o público homossexual e vêem que gente é gente, e ponto!

 

Algo me diz que a primeira etapa da real inclusão do homossexual da sociedade está ocorrendo: a aceitação do outro. Isso passa pelo entendimento de que todos somos parecidos, com suas alegrias, dores, expectativas, pensamentos, sentimentos e comportamentos. Mas a meu ver a segunda e grande etapa desta inclusão começa agora: a auto-aceitação do próprio homossexual. Como sou otimista, creio que será uma conseqüência paulatina de uma maior aceitação do outro. Que venham as próximas gerações.

 

Abs,

André Dametto

criado por andre.dametto    12:17 — Arquivado em: Sem categoria
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